AGRADECIMENTOS
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F |
aço questão de sempre agradecer em primeiro
lugar a Deus por cada nova publicação, porque como sempre, também faço
questão de registrar nas orelhas para todo mundo ouvir e saber que é d’Ele, por Ele e para Ele todas as coisas,
inclusive, cada um dos livros! Ele é meu Pai, meu Ajudador Divino!
Mas
também tenho um filho, meu ajudador humano, e não poderia deixar de agradecer
ao Davi,
colocando este agradecimento bem entre a Capa, que ele aprimorou a partir do
meu rascunho, e o Prefácio, que ele tanto caprichou ao apresentar esta obra com
tanta expectativa, contextualizando nossa íntima relação de mãe & filho!
Realmente
você é uma obra prima da mãe em parceria com o Pai, por isso que tem sido
possível conceber também estas obras literárias, porque somos todos parceiros:
Pai, filho e o Espírito Santo na mãe!
O
livro REFLEXÕES DE JONAS NA MARINA* marca mais uma DATA COMEMORATIVA* que O
CORDEIRO*, nosso amado JESUS*, nos concedeu generosamente
como PRESENTES
PROFÉTICOS*, pelos quais, cada vez mais, chego à conclusão que realmente VALE A PENA CELEBRAR A VIDA!*
Meu profundo agradecimento a todos vocês, caros
leitores, pelo apoio e incentivo ao apreciarem cada um destes meus 6 livros(*) até então... porque
vem mais por aí... preparem-se!
Sem leitores, seria em vão a obra dos escritores!
PREFÁCIO
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P |
ela primeira vez na vida recebi a missão de
escrever um prefácio, e assim como
Jonas, que também recebeu uma missão, eu poderia cumpri-la ou, como ele fez,
poderia fugir. Assim como Jonas, que recebeu a missão de seu criador, eu também
recebi a missão da pessoa que me criou, minha mãe, autora desse livro, que me
deu a Luz e que me pediu esse favor. Assim como o Criador escreve a história da vida, ela escreve histórias de
vidas, poemas e poesias, dando vida a ideias por meio da escrita.
Se você, caro leitor,
ainda não conhece essa autora, se prepare, pois o que sai da caneta dela, não
são meras palavras, são raios de luz diretamente vindos do Criador. Essa obra é
mais um farol, uma lanterna, uma tocha, uma luz na escuridão, que vai te levar
a enxergar, na vida de Jonas, a Luz de Cristo. Esse personagem curioso, Jonas,
que passou um tempo na barriga do peixe, na escuridão, não permaneceu ali, ele
foi vomitado, liberto e viu a luz. Ele seguiu a Luz e cumpriu sua missão. E
assim como Jonas esteve nas trevas dentro do peixe, eu estive nas trevas no
ventre da minha mãe, por nove meses, e quando saí, também fui muito bem orientado
a seguir o caminho da Luz. Ela não me deu a Luz somente quando nasci, mas me dá
a Luz a cada palavra, a cada abraço, a cada texto.
E esse livro, carrega um
pouco da tão poderosa Luz que ela canaliza. Luz que vem do alto e que traz vida
aos que a recebem.
Sinto-me privilegiado
em tê-la como mãe, em ter recebido dela a Luz que me conduz até hoje e poder aqui, apresentá-la a vocês.
Esse livro é uma obra
prima, um banquete para quem gosta de ler e de mergulhar nos mistérios da Bíblia.
A história de Jonas
carrega muitos aprendizados que muitas vezes deixamos passar, mas que Marina
aborda com maestria. Jonas é um personagem riquíssimo que carrega em si uma
representação de cada um de nós, da humanidade e de Cristo, Jonas nos ensina
demais e nesse livro você vai certamente conhecer muito sobre esse profeta.
Meu desejo é que esta
obra nos ajude a nos voltarmos ao caminho que Deus nos direcionou, e que assim como
Jonas, cheguemos às “Nínives” desta era e salvemos vidas da perdição por meio
da Luz de Deus.
Que nosso passado, seja
ele digno ou não, fique para trás, que nossas tentativas de fugirmos da vontade
de Deus sirvam de aprendizado para vivermos uma nova Vida que Ele nos promete,
uma vida de obediência, de verdade e paz. Que a riqueza de exemplos,
ilustrações, mensagens e paralelos que a autora traz neste livro, nos ensinem e
nos capacitem a levar a boa nova até os confins da Terra e viver o “Ide” que
Cristo nos ordenou.
Meus parabéns, mãe,
pela brilhante obra que você gerou.
E que você, leitor, delicie esse banquete que foi preparado por ela, com coração aberto, com a mente limpa e com o espírito cheio de amor para absorver e usar essa obra para ser Sal e Luz por onde for.
Davi Kumruian
(Uma das obras primas
de Marina)
SUMÁRIO
Introdução
A Capa
1. O Tempo e o Modo de
Deus
2. Levantando
3. Descendo para Subir
4. O Vento
5. Peixes
6. A Aboboreira e o Bicho
7. Oração
8. O Plano da Salvação
9. O Jonas do Livro
10. A Bondade e a
Severidade de Deus
11. Mapeando nossa Vida
12. Pescar & Apascentar
13. Jonas & Jesus
14. Tiradentes
15. Números
Conclusão
INTRODUÇÃO
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A |
lguns
anos atrás, na igreja em que eu frequentava, foi realizada uma campanha de
evangelização chamada Festa das Águas.
Para quem nunca ouviu falar, tratava-se de uma mobilização
geral na igreja com o propósito de alcançar novos convertidos que seriam
batizados nas águas ao término da campanha. Para isso foram levantados “capitães
de grupos”, os quais se responsabilizaram por criar e organizar estratégias
para que o alvo fosse atingido.
Para acompanhar o termo “Festa das Águas”, foram combinadas
várias nomenclaturas características. Os integrantes dos grupos eram chamados
de “pescadores” e os novos convertidos, claro, eram os “peixes”.
Cumprimos assim a vontade do Senhor quando nos convidou
dizendo: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” Mateus 4:19
Naquela ocasião, eu fiz parte também deste movimento e
minha equipe chamava-se “Salva-Vidas”, liderada pelo meu marido. Entre muitas
bênçãos obtidas com aquele projeto, uma delas foi a nova perspectiva que recebi
do Senhor estudando o Livro de Jonas.
Não me recordo se foi proposital ou casual eu ter escolhido
este livro para reler nos meus devocionais diários naquela época, mas
certamente Deus sempre tem os seus planos e propósitos bem definidos. O que eu
sei é que, a cada leitura bíblica que fazia sobre a vida deste profeta, Deus me
inspirava a escrever lições extraídas de detalhes que, até então, não haviam
sido notados e que, tão perfeitamente, se relacionavam com as questões que
estávamos vivendo naquele intenso clima de salvação de almas, principalmente,
por só falarmos em “peixes” e em “águas” dentro de uma ordem missionária de
pregar o evangelho. Bem o contexto do livro!
Posteriormente, voltei a reler o livro de Jonas e desejei
rever também os apontamentos registrados naquela oportunidade, e novamente fui
abençoada. O Senhor ainda me acrescentou outras novas revelações que se
agregaram às primeiras.
Passaram-se ainda muitos anos, muitas outras “águas
rolaram” e eu vim parar mais perto ainda de muitas águas com muitos peixes.
Mudei para o Guarujá, litoral de São Paulo, rodeada do mar e das Marinas e,
mais uma vez, relendo o livro de Jonas, me identifiquei novamente com este
personagem, tanto que reconheci ser este o momento apropriado para agora
personificar esta história com a minha nova versão missionária junto ao mar.
REFLEXÕES DE JONAS NA MARINA são mais do que lições e meditações extraídas da vida de
um personagem bíblico que deveria ter refletido mais e melhor na Marina das suas
embarcações, antes de nela ter tomado um rumo contrário à rota que Deus lhe
havia destinado! Na verdade, são revelações de traços de caráter e posturas pessoais
de um profeta do passado refletidos, não só nos sentimentos, pensamentos,
comportamentos e relacionamentos desta Marina aqui que agora publica suas
reflexões, como, muito provavelmente, no de muitos outros leitores que se
identificarão também com estes reflexos em si mesmos!
Então, convido você a estudar comigo o pequeno Livro de
Jonas, um dos profetas do Antigo Testamento, fazendo mais do que leituras em
páginas de papel, fazendo, sim, a leitura reflexiva das páginas de nossas
próprias vidas, cada um na sua própria “Marina”!
Louvo a Deus pelo seu interesse em pesquisar mais sobre este tema e espero que estas reflexões também lhe transmitam lições e descobertas preciosas para edificação da sua vida cristã.
Marina M. Kumruian
A CAPA
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A |
ntes ainda, só mais uma apresentação
preliminar. Vamos, primeiramente, começar refletindo sobre a capa e o título do
livro.
A palavra REFLEXÃO tem aqui múltiplos
sentidos e podemos jogar com várias aplicações se entendermos que, quando fazemos uma reflexão {pensamentos; meditações; ponderações;
análises; raciocínios} e vemos o
reflexo disso {a imagem; o resultado}, podemos produzir uma reação automática e involuntária {aquelas por reflexo
rápido, sem refletir} ou podemos provocar consequências de maior repercussão {como
reflexo no sentido figurado} evidenciando que, de fato, houve uma significativa reflexão {ou seja, o “aumentativo” de um
grande reflexo! (rs) com efeitos
impactantes em tudo e em todos ao redor}.
Se você não soltou um “Uauuu!!!” é
porque não refletiu direito! Volte a ler o parágrafo acima pausadamente e
reflita mais uma vez em cada um dos 5 sentidos apresentados? A propósito, você
encontrou os 5 sentidos revelados nas 5 chaves? Eles serão muito úteis para a
compreensão das reflexões do livro todo! Eles servirão, de fato, como chaves de
interpretações e como ferramentas para gerar um melhor aproveitamento
sequencial, bem como uma construção mais elaborada do resultado final.
Aliás, entender estes 5 sentidos e
aplicá-los devidamente em todas as nossas ponderações, em especial nas
devocionais, contribuirá e muito na formação e transformação do nosso caráter
neste nosso árduo processo de moldá-lo, ou melhor, remodelá-lo à perfeita
imagem e semelhança do nosso “top model”
(Modelo Top) Jesus Cristo de Nazaré.
Isto, infelizmente, isto não acontece
muitas vezes, justamente porque somos a geração do fast food, tudo rapidinho, tudo muito superficial, leituras
corridas que, mal e mal, enxergam as “letras que matam”, quanto mais o
“espírito que vivifica”. Isto não é reflexão, é distração inútil, improdutiva,
ineficaz!
Observe que, no desenho da capa, o leitor
está sentado! Sim, ele parou para refletir, ele pegou uma caneta para anotar e
não esquecer! Imagine que ele está em um momento de solitude e quietude, com
tempo em quantidade e espaço de qualidade para absorver a totalidade!
O próprio versículo da capa (e todos
os meus livros tem um escolhido especificamente) exige reflexão para
compreender. Veja, é como uma incógnita: “...mas
nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas”. (Mateus 16:4) Esta
é uma resposta enigmática de Jesus ao pedido dos fariseus. Eles teriam muito
que refletir para entender, para decifrar, para descobrir este mistério!
E é isto que estou propondo desvendar
neste livro em paralelo ao livro de Jonas, garimpando versículo por versículo,
palavra por palavra, letra por letra. Aliás, o livro de Jonas foi escrito em
hebraico, e você sabia que as letras hebraicas também eram usadas como
“sinais”? E que os sábios estudiosos da Tanakh (A Bíblia Hebraica) se
utilizavam de vários níveis de interpretação (O PARDES), sendo o último deles,
o mais profundo, para exatamente desvendar os segredos escondidos da Palavra? É
muito interessante! Então...
Podemos refletir melhor, se quisermos um reflexo maior!
“O reflexo é passivo e imediato, enquanto a reflexão é ativa e profunda.”
Mais uma analogia para entender melhor a diferença:
*
A reflexão é a ação de “refletir”
a luz.
* O reflexo é o resultado dessa ação, a “imagem refletida”.
Nesse caso, a conexão com o espelho é metafórica: assim
como um espelho nos permite ver a nós mesmos, a reflexão nos leva a uma análise
interna, um autoexame.
Notou,
inclusive, que eu escrevi o título do livro com letras em reflexo? Tudo foi
muito bem refletido para você refletir! (rs)
Isto vem de encontro à nossa proposta de considerar, à luz
das Escrituras, qual imagem está sendo refletida de nós mesmos, se estamos
espelhando a mesma postura de Jesus ou de Jonas, tomando estes paradigmas como
o padrão do certo e do errado, do bom e do mal, da luz ou das trevas,
respectivamente.
Volto a lembrar
do nosso desafio de não apenas ler um livro, quer este da Marina que você tem
em mãos agora, quer o de Jonas que está inserido em sua Bíblia, mas sim de
refletir cuidadosamente, meditar vagarosamente, até que a imagem de nós mesmos,
revelada pelo Espírito Santo, fique bem nítida, com clareza e com certeza!
A imagem de
Jonas aqui é simplesmente mais um dos muitos arquétipos bíblicos que geralmente
temos o costume de escolher um personagem para exemplificar nossos parâmetros
de aprendizados. Poderia ser qualquer outro que nos possibilitasse ser examinado
sem culpa de estar “julgando” ou “falando da vida dos outros”. Inclusive, este
exercício pode bem ser aplicado a qualquer um, em qualquer dos outros 65 livros
da Bíblia! Ela é nosso livro didático, e o tal Jonas é o nosso “objeto de
análise”!
E por que ele? Porque,
além das razões já apresentadas na introdução, Jonas reflete um nítido contraste
com Jesus, o protagonista do meu livro anterior “O CORDEIRO Marinado em
Porções”. Naquele eu apresento, em 5 partes, tudo de muito positivo que Jesus
fez, falou, é, deu e completou em sua missão narrada nos 4 Evangelhos. Neste,
porém, eu também apresentarei estas 5 ações, ainda que mais indiretamente, agora
de um ponto de vista mais negativo, navegando pelos 4 capítulos do livro de
Jonas.
Outra razão por escolher a história de Jonas é que ela
também reflete muito bem o meu momento atual, e claro, tendo, igualmente, muito
a ver com as mesmas 5 ações que abordarei em muitos aspectos, ao longo das
nossas reflexões, tratando sobre o que eu faço, falo, sou, recebo e dou
completando assim também a minha missão. Aliás, a estrutura dos capítulos
oferece uma possibilidade de você também registrar as suas próprias reflexões
de Jonas em você!
Por isso serem REFLEXÕES
DE JONAS NA MARINA! Igualmente um jogo de palavras de duplo sentido!
Como quando usei a expressão “Marinados em Poemas” ou “Marinados em Porções” nos
meus outros livros anteriores, fazendo referência ao meu nome Marina, ao mesmo
tempo em que levava a ideia de um conteúdo mergulhado em uma unção de bons
temperos!
Agora a ideia da
MARINA, além de fazer menção ao meu nome (do mar), é também nos reportar ao
local das nossas muitas “embarcações” nesta vida, tanto àquelas que nos levam
em obediência à missão do “Ide”, quanto àquelas que nos desviam em direção às
nossas rotas pessoais, contrárias ao destino divino.
É neste lugar
que paramos diante de um mar de roteiros para decidir que direção tomar, se
escolheremos a embarcação abençoada rumo ao propósito de Deus para nós, ou se
escolheremos a barca furada rumo às nossas egocêntricas preferências
particulares.
Sim, são nessas
“Marinas” que acordamos todos os dias e nos deparamos com os navios prontos
para zarpar para mais uma viagem em missão diária, ou a serviço do Reino de
Deus navegando sob o oceano do Espírito
Santo, ou à deriva tempestuosa do Império das Trevas!
O cenário da
Capa ilustra este lugar e nele estamos nós, refletindo sobre as reflexões
escritas neste livro, assentados debaixo de uma árvore, como Jonas ficou no
último capítulo do seu livro. Repare que a pena, o ícone que me representa em
cada uma das capas de todos os meus livros, está aqui identificado e presente
como o ramo ligado à Videira, porque sem Ele eu nada posso fazer, nem mesmo a
minha própria missão: escrever!
E agora, o fato é que temos que nos desgarrar deste Porto, desapegar
da Marina, de nós mesmos, e nos lançar à nossa missão indo por águas mais profundas
por onde o vento do Espírito soprar!
Bora levantar as âncoras que nos prendem na inércia do
conforto e içar as velas que nos soltam em movimento pós-confronto para partir
nesta jornada rumo ao destino que o Capitão do nosso barco tem para cada um de
nós!
Bem-vindo a bordo!
Capítulo 1
O TEMPO E O MODO DE DEUS
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U |
m dos
princípios básicos que refletem a soberania de Deus é que para tudo Deus tem
sempre o tempo certo e o modo perfeito para fazer todas as coisas conforme Eclesiastes
3, quando diz: “Há tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e
tempo de edificar... Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo
de paz.”
Nunca deixe de observar isto! Se hoje você está dedicando
seu tempo para ler, ou para escrever, para falar ou para ouvir... Enfim, creia
que Deus tem sempre um propósito específico nisto ou naquilo que fazemos e
devemos remir o tempo de acordo com estes propósitos divinos.
Mas, a Palavra de Deus também nos ensina a pregar e ensinar
a tempo e fora de tempo (conforme II Timóteo 4:2), como se para a Palavra o
tempo estivesse sempre à disposição! Porém, infelizmente, Jonas deixou passar o
tempo de cumprir a ordem de Deus de pregar a Palavra exatamente naquele tempo
que ele fugiu e daquele modo que ele resistiu. Só atrasou a missão... só
antecipou sua punição.
Vimos essa realidade na vida de Jonas. Todavia, ele servirá
sempre como um espelho d’água para reflexão de cada um de nós! Não esqueça que o termo “reflexão” aqui terá
sempre múltiplos sentidos!
Em algumas cenas será um exemplo positivo, mas em outros
momentos nos ensinará por meio dos erros. Assim é com todos nós, ninguém é
perfeito, todos temos falhas e todos temos virtudes. Essa é outra lição muito
importante que precisamos aprender na vida: nunca dar nota “zero” para ninguém
e jamais isentar qualquer ser humano de falhar. Penso que todos nós não somos
totalmente perfeitos e nem completamente errados!
Portanto, sempre que tomarmos o nosso “paradigma Jonas”,
vamos ser cautelosos em compreender suas duas naturezas, idênticas as nossas: a
nova e a velha, a boa e a ruim, a forte e a fraca, a certa e a errada, e assim
vai...
Pois bem, Jonas não se atentou para o tempo e o modo de
Deus na sua vida!
Lá estava ele em Jerusalém, exercendo seu ministério de
profeta no reino do Norte até o tempo em que Deus lhe envia uma ordem mudando
seus planos. Adiantando a história, já sabemos que ele fugiu, ou melhor, tentou
fugir deste tempo novo na sua vida e deste modo diferente de ministrar. E esta
recusa do servo de Deus trouxe muitos transtornos!
Assim é também conosco, não somos nós que fixamos nossas
estacas ou lançamos nossas âncoras no tempo e no modo do nosso viver
determinando nossa agenda. É Deus, sem dúvida!
Nossa vida é sempre acompanhada das famosas questões:
Quando? Como? Onde? Por quê? E só Deus tem as respostas certas para cada uma
delas. Claro que Ele nos dá a liberdade de escolher e responder, mas nem sempre
gabaritamos! A vida não é um teste, é sim, sim ou não, não. As “alternativas”
de múltiplas escolhas são opcionais, mas quando entendemos o senhorio de Jesus
Cristo em nossas vidas, acertar as decisões é obrigatório!
Era tempo de Jonas “amar” os ninivitas, mas ele ainda
“odiava” a Assíria! O tempo de “guerra” para eles tinha passado, Deus estava
dando agora uma possibilidade de tempo de “paz”, mas o conflito no coração
teológico do profeta batalhava no campo da sua mente patriota! Sua memória
trazia a lembrança os tempos de “matar” que estes inimigos decretaram contra
Israel, impossibili-tando-o de viver o tempo de “curar” estas feridas e liberar
este perdão! Sua visão curta fazia-o apenas enxergar o tempo que “derrubaram”
seus muros, deixando-o cego para a possibilidade de “reconstruir” uma ponte de
ligação!
Tudo tem o seu tempo e modo!
Quero lhe afirmar que, certamente, haverá um tempo de paz
após suas longas batalhas, porque Deus sabe até quanto podemos suportar. O
importante é você não explodir esta paz com as bombas da hostilidade!
Ainda que muito, ou tudo até, tenha sido destruído, Deus é
capaz de reconstruir em “três tempos” o que já não existe.
Desde que não desprezemos o tempo do arrependimento que ele
nos dá para se fazer uma conversão voltando de novo para a rota que ele
determinou, não perdendo a 2ª chance do 2ª tempo como uma 2ª oportunidade imperdível de se recuperar a 1ª agora
inacessível!
Acerte seu relógio com os ponteiros divinos. Não pare no
tempo e nem avance além do previsto. Quando Deus lhe enviar uma ordem, não se
atrase em cumpri-la. Tentar ganhar tempo fugindo da hora marcada de Deus é
perder tempo, é atraso de vida!
De igual modo, tentar apressar ou antecipar os planos de
Deus para nós nos precipitando pelos embarques fora de hora, é ainda ganhar
mais tempo perdido, é pura ansiedade de vida!
Uma coisa é certa: Hoje sempre será o tempo certo de viver o plano de Deus em nossas vidas, e isso do modo como Ele quiser!
Sim, “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” Eclesiastes 3:1
Vamos agora refletir nos reflexo de
Jonas em Jesus:
REFLEXOS EM JESUS:
Obviamente concordaríamos que Jesus sempre e em tudo viveu
dentro do tempo e do modo de Deus para a sua vida, ainda que não tivéssemos
provas disso, por dedução lógica já chegaríamos evidentemente a esta conclusão.
No entanto, considero muito mais proveitoso refletirmos
cuidadosamente sobre algumas passagens de sua vida que provam esta conduta, até
mesmo para facilitar a nossa tentativa de refletir cada uma destas posturas nas
nossas próprias experiências.
Vejamos algumas:
Quando comparamos em Filipenses 2:6-8 o modo como Jesus
cumpriu sua missão com o de Jonas fica claro o contraste! Repare: “...embora sendo Deus, não considerou que o
ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo,
vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em
forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de
cruz.” - Descreve a sujeição voluntária ao
modo de Deus em um nível de renúncia inigualável! Porque, diante deste exemplo,
qualquer outro modo exigido pelo Senhor a nós fica fácil! E é bem neste trecho
que nos é recomendado ter “o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus!” (v:5) Pois
então, eis o desafio de refletir este modo de pensar, este modo de refletir
sobre o modo de agir do nosso Senhor!
Outro texto que prova como Jesus obedeceu exatamente até
mesmo o tempo determinado pelo Pai de Ele nascer está em Gálatas 4:4: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou
seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.” Não poderia ser nem antes
e nem depois, foi exatamente quando o tempo determinado se completou!
Uma ocasião que já me vez refletir muito sobre isso é a de
João 2 dos versos 4 a 8 quando a mãe de Jesus, provavelmente ansiosa e
preocupada, avisa Ele que o vinho acabou, e Jesus tranquilamente responde:
“Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha
hora. Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. E
estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em
cada uma cabiam dois ou três almudes. Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E
encheram-nas até em cima. E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao
mestre-sala. E levaram.” Percebeu que pode
ter sido questão de alguns minutos, poucas horas talvez, mas que, por alguma
razão, fariam diferença nos ponteiros
divinos! Ele conseguia não só perceber o tempo errado ao dizer “Ainda não é chegada a minha hora.” Como
sabia discernir o tempo certo e o modo adequado ao pontuar: “Tirai agora, e levai ao mestre-sala.”
O mesmo se percebe em João 7:3 quando os seus irmãos o
pressionam a ir para a Festa dos Tabernáculos “para que também os seus
discípulos vejam as obras que você faz” e Jesus convicto lhes responde: no
verso 6: “O meu tempo ainda não chegou,
mas o vosso tempo sempre está pronto.” Jesus reconhece que o seu cronograma
é guiado por Deus, não por pressões humanas, pois logo em seguida “Depois que seus irmãos tinham ido à festa,
Jesus também foi...” (v:10)
Poderíamos certamente citar muitas situações do nosso
cotidiano quando não refletimos esta firmeza na nossa pontualidade com o
horário divino, achamos que não importa atrasar algumas horas, dias, meses...
(como deve ter feito Jonas), às vezes até anos (como fez o povo de Israel no
deserto), movidos pelo nosso próprio relógio e “teleguiados” pela pressão
urgente da agenda dos outros! Não, não pode ser assim!
Jesus afirma depender totalmente do modo de agir do Pai em
uma declaração inserida bem entre essas duas últimas que analisamos aqui em
João, agora no capítulo 5 verso19: “...o
Filho não pode fazer coisa alguma de si mesmo, senão somente aquilo que vir
fazer o Pai...”, ou seja, o Filho era um reflexo do Pai... assim como nós
deveríamos ser um reflexo do Filho!
E para concluir, também já ao final de sua missão nesta
terra, vamos citar Lucas 22:42, onde Ele revela sua submissão suprema no
Getsêmani, aceitando também o tempo e o modo de Deus para a sua morte: “...contudo, não se faça a minha vontade, e
sim a tua.”
Para mim já foram provas suficientes para eu refletir e
agora identificar os reflexos de Jonas na Marina:
REFLEXOS NA MARINA:
Em relação ao tempo
de Deus na minha vida, hoje, em 2026, estou com 60 anos de vida natural, quase
50 de vida espiritual, quase 40 de vida conjugal, quase 30 de vida maternal,
quase 20 de vida autônoma profissional, quase 10 de vida ministerial em tempo integral,
5 anos de vida no litoral com 4 de vida pública editorial... e 3...2...1...0
chegamos até aqui!
Graças a Deus pelo
tempo certo para cada fase!
Reconheço que já
vivi muito tempo, tempos bons e tempos não tão bons...
O “tempo de nascer,
e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;(...)
tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;(...) tempo de
abraçar, e tempo de
afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e
tempo de lançar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado,
e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de
paz.” (Ecl. 3:2-8)
Mas em todos os
tempos Deus estava comigo o tempo todo! E isso é o mais importante de tudo o
que precisamos o tempo todo em todos os tempos!
E
quanto ao modo de Deus na mina vida nestes 7 âmbitos diferentes, eu só posso
declarar que “Este Deus faz tudo perfeito e cumpre o que promete. Ele é como um
escudo para os que procuram a sua proteção. O SENHOR é o único Deus; somente
Deus é a nossa rocha. Ele é o Deus que me dá forças e me protege aonde quer que
eu vá. Ele não me deixa tropeçar e me põe a salvo nas montanhas. Ele me treina
para a batalha para que eu possa usar os arcos mais fortes. Tu, ó SENHOR Deus,
me deste o escudo que salva a minha vida. O teu cuidado me tem feito prosperar,
e o teu poder me tem sustentado.” (Salmo 18:30-35)
Confesso que já
perdi também muito tempo tentando antecipar os fatos ou procrastinar os feitos,
contudo, também conheci o Deus das segundas chances!
Posso testemunhar
que também já provei da genialidade com que Deus, de um modo tão
assombrosamente maravilhoso, traçou perfeitos planos e propósitos para a minha
vida que já se cumpriram, estão se cumprindo e, sem dúvida, se cumprirão ainda
no tempo e no modo d’Ele!
Não tem ansiedade e
apatia que não se renda à segurança e à paz que excede todo o entendimento ao
confiar, depender e se submeter ao tempo e ao modo de Deus!
REFLEXOS NA MINHA VIDA:
Agora é com você!
Pensou que ia ficar só assistindo a exposição dos reflexos na
vida dos outros? Nada disso! Escolha aí seu melhor espaço, no seu maior tempo e bora refletir no seu grande reflexo
depois desta reflexão.
Esta página é toda sua... reservada exclusivamente para
você anotar suas reflexões a cada final de capítulo!
Quem sabe será o início do manuscrito do seu Best-seller!
Ahhh... como eu gostaria de ler este seu livro também!
É só começar... já orei por estes seus preciosos momentos...
Capítulo 2
LEVANTANDO
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U |
m dos impactos
causados ao estudar o livro do profeta Jonas é que ele nos desperta e nos motiva
a sair da posição cômoda de apenas ver só Deus agindo na salvação de almas ou
só alguns poucos evangelistas e missionários nesta Grande Comissão.
Ele vem para mim e para você e nos
cutuca também dizendo: “Ei, levanta, vai ao mar, pregue o evangelho e
seja um pescador de homens!”
E de fato recebemos esta missão, não para ir a
Nínive, talvez nem para Jerusalém, Judeia ou Samaria, mas eu sei que o meu
campo missionário, como também o seu, estão inclusos nos “confins da terra”,
com certeza! E o bom é que nem precisamos ir tão longe assim, muitas vezes a
porta ao lado já é “uma grande e oportuna porta aberta ao evangelho”.
(cf. 1 Coríntios 16:9) O porto é o ponto de partida, a porta é a linha de
chegada!
Da mesma forma, parece que Deus foi
confrontar o conforto do nosso nacionalista e exclusivista Jonas com esta mesma
ordem: “Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e pregue...”
(Jonas 1:2) Não foi uma sugestão, foi uma ordenança! Não foi para depois, foi
para já! Algumas versões enfatizam a urgência incluindo a palavra depressa.
Colocando-nos no lugar dele agora,
qual seria o reflexo que esta ordem provocaria em nossos sentimentos, pensamentos
e comportamentos? Poderíamos imaginar algo do tipo assim:
“Ah, não! Está tão bom aqui em Israel, profetizando para o meu
povo, sob as vistas do meu rei. Essa não! Deus não vai tirar o meu
sossego e atrapalhar meu ministério.”
Lembre-se que nossas análises da
vida de Jonas não são julgamentos condenatórios, nem especulações infundáveis
ou injustas, são simplesmente tentativas de testar e atestar as possibilidades
e probabilidades de esquadrinhar nossos próprios desvios e deformidades
refletidos no seu contexto, mas contextualizando para o nosso, sem o pretexto
de criar falsos textos para ensinar heresias. Não! Absolutamente!
Feito este esclarecimento,
voltemos ao contexto.
Percebeu a repetição dos
pronomes possessivos? Lembra da nossa analogia sobre o desapegar do Porto? Penso
que um dos motivos pelos quais não nos soltamos livremente para ir e pregar
onde e quando Deus mandar é por causa do nosso profundo apego ao nosso “porto
seguro”! Temos muitas âncoras que nos prendem, muitas coisas e/ou pessoas que
tem tanto peso na nossa vida que “achamos” que são nossos, inseparáveis,
indispensáveis, quando na verdade tudo é d’Ele, Ele é o Dono de tudo e de todos!
E Ele é o Único imprescindível. Afinal, Ele é ou não é nosso Senhor? E nós,
somos ou não somos seus servos?
De repente, parece que ouvi o
meu Amo sussurrar esta pergunta nos meus ouvidos agora mesmo: “Por que vocês
me chamam ‘Senhor, Senhor!’, e não fazem o que eu mando?”(Lucas 6:46)
Abraão soltou as âncoras da sua terra e da sua parentela e
se levantou para partir para onde o Senhor mandou... Abraão soltou até o apego
tão profundo do seu amado filho único, porque entendia que nada era
propriamente seu, mas tudo e todos eram do seu Senhor! Jó é outro que sabia
disso quando declarou: “O Senhor o deu e
o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1:21)
Pode ser que Jonas tinha essa resistência para se soltar do
seu povo, do seu rei, do seu
sossego e do seu ministério. Pode ser que não... não sabemos... são
suposições! Mas..., e quanto a nós? Acho que eu teria um pouco... e você? Vamos
ter mais certeza dessas respostas nos nossos momentos pessoais de reflexões...
vamos pensando...
“E
Jonas se levantou”, diz o verso 3, mas não para obedecer e ir onde
Deus havia mandado, mas “se levantou para fugir de diante da face do
Senhor.”
É obvio que nenhum de nós teria esta
infeliz pretensão de “fugir de diante da face do Senhor”! Sabemos que
isso é, literalmente, impossível, com base até no Salmo 139. No entanto, pode
ser possível inconscientemente, quero dizer, quando perdemos (ou queremos
perder) a consciência da presença do Senhor! Acho que é quase como querer fugir
das reflexões da nossa consciência, tirar Deus dos nossos pensamentos, tirar da
cabeça essa ideia, fugir desta mentalidade, ou... querer pensar que assim Ele
poderá pensar em outros, que só não pense mais em nós! Ainda assim, continua
sendo um absurdo!
Talvez o mais comum não seja tentar
fugir de Deus, mas fugir da responsabilidade deste “ide”. “Nem pensar! Tô fora”.
Às vezes fugimos porque elas nos parecem grandes demais para darmos conta... ou
pequenas demais que nem levamos em conta... Porém o que conta é que quando Deus
nos comissiona a uma responsabilidade, ela é exatamente do nosso tamanho, nem
grande demais, e nem pequena demais... e mesmo se fossem, Ele nos capacitaria fazendo
os ajustes necessário para o nosso tamanho!
E ainda que não tentemos fugir de
Deus, nem das responsabilidades, quantas vezes queremos fugir das pessoas às
quais somos enviados! Ah, agora acredito que chegamos mais próximo da realidade
de Jonas. Assírios!!!! Povo cruel, gente inimiga, pessoas perversas, estranhos
e estrangeiros com os quais ele queria distância! Não era uma mera antipatia,
nem somente indiferença aos diferentes e tão pouco algo pessoal. Era um
conflito nacional!
De acordo com as minhas pesquisas: Na época de Jonas (aprox. 760-750 a.C.), a
Assíria era considerada a maior potência militar da região, temida por sua
extrema crueldade e barbárie. Nínive, sua capital, era uma “grande cidade”,
considerada uma ameaça direta à segurança de Israel e um “estado terrorista” na
antiguidade. Eram famosos por esfolar inimigos vivos, empalar vítimas e fazer
pilhas de cabeças.
Se isso explica, mas não justifica, a relutância de
Jonas... Então... Vamos prosseguindo na investigação! Contudo, até onde eu sei,
ele não foi o único que pensava em fugir de um determinado cardume...
Verificando nosso histórico social, inevitavelmente vamos admitir que também somos,
fomos ou seríamos igualmente seletivos quanto ao nosso público alvo de
evangelização de acordo com as nossas próprias preferências ou repelências!
Só que, se Deus está neste negócio e determinou nossa
parceria, chegamos à sábia conclusão que é melhor ir pescar a espécie que Ele
determinar do que ser pescado!
Porém, o obstinado Jonas não tomou
esta decisão, antes, decidiu ir para o mar, mas não para pescar vidas, e o mar
se levantou revolto em protesto à covardia deste errante navegante. E quando
estamos fora da vontade de Deus, somos intrusos em qualquer outro lugar,
trazendo problemas não só para nós, mas também para quem está no mesmo barco,
refletindo até no ambiente ao redor como ondas de propagação, por baixo (mar),
por cima (tempestade) e dos lados (ventos)! Além de deixar de levar salvação aos
homens por causa da sua desobediência, a sua rebeldia causou a perdição de toda
uma tripulação que, indefesa, “clamava cada um para o seu deus.” (v.5)
E
o que Jonas estava fazendo nesta grande tempestade? Estava dormindo no porão do
navio! Nada semelhante ao descanso tranquilo do Mestre no Mar da Galileia. Era
um sono apático de quem dorme em serviço, de quem não se incomoda com as perdas
e danos ao redor de si. Um profeta tão adormecido em si mesmo que nem se
lembrou de orar ao seu Deus por livramento, nem ainda com a provocação dos
pagãos: “Levanta-te, invoca o teu Deus...” (v.6).
Nossas vidas também devem estar
sendo sustentadas por orações e que elas não cessem nem na bonança e nem na tempestade!
Sim, principalmente nos “levantes” da vida, não podemos deixar de nos levantar
para orar, porque é só nos prostrando primeiro de joelhos que conseguimos
depois nos levantar em pé! É a oração que nos levanta!
Mais
uma vez o profeta não atende a sugestão de se levantar e orar, pelo contrário,
ele tem uma ideia tão suicida que jamais deveria passar por uma mente sã: “Levantai-me
e lançai-me no mar...” (v.12).
Isto sim que é preferir sacrifício
em lugar de obediência. A repreensão de Samuel a Saul é válida aqui também para
Jonas:
“Tem porventura o
Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à
palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender
melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de
feitiçaria, e a obstinação é como iniquidade e idolatria.” (1
Samuel 15:22,23). O melhor sacrifício que ele poderia oferecer ao Senhor, como
orou no capítulo 2 verso 9, era sua obediência.
Sua religiosidade professava temor a
Deus (v.9a), mas seu temor ficou bem mais caracterizado como um medo inconsequente
e insubmisso em sua fuga amedrontada.
Este incoerente profeta do Antigo Testamento,
mesmo sabendo que o Senhor era o Deus do céu (v.9b), tentou “fugir de diante
da face do Senhor”. Precisou cair
do céu um temporal para ele se lembrar que o Deus do céu estava bem ali!
O teólogo hebreu reconhecia que Deus
era o Criador do mar e da terra seca (v.9c), mas não teve fé para pedir que o
Deus do mar acalmasse as ondas, o Deus da terra controlasse os ventos e o Deus
do céu parasse a chuva! Se Jonas quisesse viver para povoar o céu, não seria
lançado no mar e nem vomitado na terra!
O
acomodado profeta então, que não se levantou para ir pregar, não se levantou
para orar, é levantado como causador da fúria do mar: “E levantaram
Jonas e o lançaram no mar...”(v.15)
Jonas teve
sua queda antes de ser lançado no mar e, por não ter se arrependido, foi
expulso do barco, como Adão e Eva, depois da queda, não se arrependeram também
e foram expulsos do jardim! O arrependimento e a conversão de cada um mudaria
o destino de todos! O que pareia ser o fim estava propiciando novos
começos!
Quando
resistimos à ordem de Deus, ficamos vulneráveis aos “levantes” do inimigo e
corremos o risco de passar por apertos tão grandes como a garganta de uma
baleia, onde por mais que tentemos, torna-se impossível levantar, até que
sejamos cuspidos da condição de rebeldes engolidos, para libertos arrependidos.
Acredito
que o que Deus espera não é que o pecador seja lançado no mar por causa do
pecado que se levantou, mas sim que o pecado seja lançado fora e o pecador se
levante perdoado! Não era Jonas que deveria ser lançado fora, e sim o pecado de
Jonas. A causa dos problemas não é o pecador, é o pecado. Se Jonas jogasse o
seu pecado nas profundezas do mar, Deus se esqueceria deles e não precisaria
ele ter se jogado, porque dele Deus não poderia se esquecer! Era sua
desobediência que deveria se afogar nas lágrimas do arrependimento para que a
sua submissão o levantasse sobre a sua missão.
Diante estes exemplos, vamos nos
levantar nestes 3 pontos:
Levantemo-nos com determinação e prossigamos para o propósito para o qual fomos levantados nesta terra.
Levantemo-nos com fé para orar clamando por misericórdia e socorro ao Deus Criador dos céus, da terra e do mar!
Levantemo-nos para pescar o
perdido e não seremos pescados pelos levantes do inimigo.
REFLEXÕES EM JESUS:
O mesmo texto de Filipenses 2 usado no capítulo anterior para demonstrar como Jesus se submeteu ao tempo e ao modo de Deus nos planos para a sua vida, serve ainda aqui também de reforço para a compreensão de como Jesus se levantou para ir onde o Pai o enviou, sim, levantou do seu trono de glória, do seu Porto Celestial para desembarcar no cais (para não dizer caos) da Terra, descendo em humildade diante de um povo hostil ao Reino dos Céus.
Ele, literalmente, entrou no mesmo barco de homens perdidos
na escuridão da noite tempestuosa. Esta cena ilustra o Mestre vindo ao encontro
de tripulações em tribulações no revolto mar de nações para ensinar sobre o
verdadeiro descanso nas horas mais difíceis da vida! Esta cena reflete o
Salvador se levantando para tomar a culpa do suicida e do homicida no naufrágio
do pecado e oferecer vida, e vida em abundância!
Sim, ele ouviu o clamor da terra por um Salva-vidas e
despertou para nos socorrer! Além de trazer a bonança, vindo ao nosso encontro,
Ele ainda nos dá a palavra de comando para ir ao encontro dele, mesmo sob as
águas agitadas do mar da vida, acima dos problemas e das dificuldades, até das impossibilidades,
para lançarmos as redes e nos fazer pescadores de homens!
E Ele mostrou como fazer isso pelo seu próprio exemplo
enquanto viveu entre nós e discipulou os seus apóstolos, porque eles viram
quando em Mateus 8:26 Ele, “levantando-se,
repreendeu os ventos e o mar; e tudo ficou bem calmo.” O que Jonas não fez
no seu barco!
Quando em Mateus 9:19 “Jesus
levantou-se e foi com ele, e também os seus discípulos” a caminho da casa
de Jairo para curar, ressuscitar, dar vida a uma menina de 12 anos, a uma
mulher há 12 anos enferma e a tantos outros necessitados! O que Jonas não fez
com seus necessitados!
Quando em Marcos 6:46 se levantou e “subiu a um monte para orar.” O que Jonas não fez quando ainda no
barco com os necessitados!
Quando em Lucas 22:45 no Monte das Oliveiras “se levantou da oração e, voltando-se aos
discípulos, encontrou-os dormindo...” O que com Jonas foi exatamente ao
contrário, quando os necessitados se levantaram da oração, voltando-se para
Jonas, o acharam dormindo!
Bem do tipo mesmo de “imagem espelhada”, quando ela é invertida
no reflexo de um espelho: o lado direito e correto de Jesus passa a refletir o
lado esquerdo distorcido de Jonas.
Mas Jesus não só se levantou em pronta obediência à ordem
do Pai para ser enviado ao mundo e refletir a glória do Pai, não só para nos
deixar reflexões preciosíssimas em seus sermões e parábolas, como também foi
levantado numa cruz para morrer pela humanidade trazendo, como reflexo de
alcance universal, cura e salvação, conforme Ele mesmo declarou em João 3:14-15
dizendo: “E do modo por que Moisés
levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja
levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna”. Esta
passagem faz menção ao episódio narrado em Números 21, quando Moisés levantou a
serpente de bronze no deserto para curar os que foram picados pelas cobras, um
verdadeiro reflexo em sombra do que, em Cristo, viria a ser realidade. Nesta conversa com Nicodemos, o Senhor
ensina, por meio desta analogia, que a fé no Cristo, levantado na cruz, é o
único meio para a salvação e a cura dos picados pelo vírus do pecado.
E isto ainda vai nos
mostrar mais um reflexo de Jonas em Jesus, na verdade, pode ser este o
principal “sinal de Jonas”, quando em Lucas 24:7 os anjos relembram as mulheres,
no sepulcro, que Jesus precisava ser entregue, crucificado e ressuscitar no
terceiro dia, ou seja, ele se levantou do
túmulo vitorioso sobre a morte ao terceiro dia!
Vemos o reflexo disto em Jonas, ainda que um tanto
distorcido, mas um reflexo de quem também foi levantado das profundezas da
terra depois de três dias: “Preparou, pois, o Senhor um grande peixe, para que
tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do
peixe.” (Jonas 1:17) Contudo, no capítulo 2,
depois de ser vomitado, ele se levantou como de um túmulo náutico: “Falou, pois, o Senhor ao peixe, e este
vomitou a Jonas na terra seca.” (v:10).
REFLEXÕES NA MARINA:
Depois do que refletimos no primeiro capítulo, podemos concluir, sem medo de errar, que Deus tem planos e propósitos específicos para cada um de nós, sem exceção, e que eles tem o tempo e o modo certo de serem executados, quando e como Deus determinar! É muito importante ter este 1º ponto sempre em mente!
E quando chega
então este tempo, o tempo em que o Senhor nos chama e nos envia para realizar
sua vontade de um modo peculiar, em um lugar determinado, para uma finalidade
específica... é justamente nesta hora que devemos, em obediência
inquestionável, nos levantar e ir em resposta positiva à sua voz de comando!
Afinal, é ao Senhor que servimos e não a nós mesmos!
No meu caso, eu
entendi o chamado específico de Deus na minha vida para eu ministrar a Palavra,
e um dos modos de fazê-lo é escrevendo, outro modo é ensinando, outro modo é
pregando, outro modo é poetizando... cada modo no seu tempo ou, às vezes, todos
estes modos ao mesmo tempo! E juntamente com este chamado, reconheço que Ele me
capacitou com o dom e me inspirou com um amor e uma fome da Palavra como sendo
ela minha “dieta básica” para sobrevivência espiritual e ministerial!
Desde o meu
primeiro livro, como já expliquei, a pena passou a ser meu logotipo de
identificação em todas as capas, e refletindo agora no tema deste capítulo, fica
claro que não é possível escrever com uma caneta de pena se ela não estiver
posicionada em pé, ou seja, levantada!
Isto ilustra a
minha obediência na execução do meu chamado, do meu posicionamento como uma “pena
nas mãos de um destro escritor”. (Salmo 45:1) Portanto, eu preciso me levantar
e ir, ir para as mãos de Deus, o Escritor da minha História, o Escritor das
Escrituras Sagradas que me inspiram para escrever as minhas escrituras inspiradas!
Eu jamais poderia
ficar “deitada”, dormindo o sono da procrastinação e da acomodação! E olha que
não faltou tempo ruim para isso! Ainda assim, eu me levantei, figuradamente,
como uma pena, que ouviu a voz do Senhor me mandando: “Escreve num livro todas
as palavras que te tenho falado.” (Jeremias 30:2). E assim tenho feito desde a
minha adolescência até então e por toda a minha existência!
Por muito tempo,
muito do que eu escrevi, ficou engavetado ou arquivado em minhas pastinhas
pessoais. Eventualmente eu pregava ou ensinava em classes de aula, ou ainda
recitava meus poemas em “Datas Comemorativas”. Porém, chegou o tempo que o
Senhor me mandou “levantar o acampamento” e partir para um lugar que Ele mesmo
escolheu e para onde também determinou um novo modo de cumprir os seus planos e
propósitos nesta nova fase.
Não que Ele me
tenha “vomitado” na praia do Guarujá, muito diferente disso, Ele cuidadosamente
nos tomou pela mão direita e colocou os nossos pés sobre uma rocha, em um alto
refúgio! Posso dizer que, literalmente, minha casa está construída sobre a
rocha, uma evidência descrita em Mateus 7:24 a 27 de quem busca, não só ouvir a
Palavra, mas também praticá-la.
E foi aqui e agora,
neste tempo e deste modo, que eu compreendi a missão de me levantar desengavetando
e desarquivando todo o conteúdo escrito durante anos para torná-lo público! O
que sempre parecia ser um sonho distante se aproximou da realização! Em 5 anos
de residência na praia, junto às muitas águas das “marinas”, eu já publiquei 6
livros (contando com este!), sendo que um deles, o maior, na verdade, é uma
coleção de 5 séries, o que bem valeria considerar um total de 10 livros
publicados! E ainda tem muito conteúdo esperando o tempo de sair da gaveta!
E glória a Deus por
esse tempo e este modo de me levantar! É assim que cumpro minha missão de ir e
fazer discípulos de todas as nações, ensinando-os a guardar todas as coisas que
Jesus ensinou e que eu estudei para aprender e também poder ensinar!
Não vou omitir que
tenho também o meu público alvo preferencial, meu povo cristão, que embora
cristão, e apesar de cristão, parece que ainda precisa muito aprender e aplicar
a “DIETA DO CORDEIRO”, ou seja, o “modo de viver de Jesus”, o modelo de vida
legítimo de um cristão!
Mas, de maneira
nenhuma eu resistiria em ministrar para outros públicos de outros povos,
culturas, costumes e religiões... desde que fosse esta a vontade do meu Senhor respondendo
positivamente ao chamado do Pai com a pronta obediência: Eis-me aqui, Senhor,
envia-me a mim!
Deste modo, no
tempo de Deus, me levantarei para ir, me levantarei em oração e ação para me
manter em pé e me levantarei, ao completar minha missão, para ouvir: “Muito
bem, serva boa e fiel, entra no gozo do teu Senhor!”
REFLEXÕES NA MINHA VIDA:
Capítulo 3
DESCENDO... PARA SUBIR
|
C |
omo já
sabemos, Deus tem planos de paz a nosso respeito para nos dar um futuro cheio
de esperança (Jeremias 29:11), no tempo e do modo certo para todas as coisas,
como vimos no 1º capítulo. Cientes disso, temos apenas duas opções para
escolher, como vimos no 2º capítulo: levantar e ir na direção certa que Deus
indicar ou levantar e ir na direção errada que minha vontade mandar! Quando
optamos pela 1ª alternativa já sabemos que teremos “um futuro cheio de
esperança”, porém, se escolhermos pela 2ª alternativa, é bom saber que “um futuro
cheio de problemas” nos esperam, como veremos neste capítulo, no qual o infiel livre arbítrio de Jonas o conduz justamente ao
oposto do que ele poderia experimentar se obedecesse a vontade do Pai.!
Não vou nem entrar na hipótese de uma terceira opção de nem
se levantar, de nem ir a lugar nenhum, de não fazer nada, de ficar paralisado,
porque estas ações englobam os mesmos reflexos da segunda, até porque ela
reflete uma alternativa levantada em contrariedade à vontade de Deus, mesmo que
a pessoa não se levante fisicamente, ela está se levantando em oposição, em rebelião!
É como dizer que são “atitudes
passivas” em rebelião, mesmo aparentando ausência de ações!
Provavelmente você também já deve
ter ouvido sermões do tipo: “Os 5 degraus de Jonas”, ou “Os 6 erros do profeta”
e também “As 7 descidas de Jonas”. Realmente é bastante notória esta sequência
de decadências de Jonas, e eu também as notei durante minhas reflexões, por
isso vale a pena recapitular e incluí-las aqui.
Que o mesmo Espírito nos ajude agora a juntos tentar
descobrir por entre estes 4 capítulos, como um “Jogo dos 7 Erros”, algumas
destas escorregadas que muitos de nós também podemos já ter experimentado:
1º. Desceu a Jope =
Jonas 1:3
“E descendo a Jope,
achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para
dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do Senhor.”
Jope era uma cidade portuária, ao nível do mar. A ordem de
Deus apontava uma rota para cima com destino a Nínive, mas o caminho escolhido
por Jonas, além de ser no extremo oposto, o levaria para baixo do mapa!
Jope é uma palavra de origem hebraica que significa
“beleza”. Não que ela tenha algum significado simbólico como o termo mais
conhecido “descer para o Egito”, que significa “cair no mundo”. Mas poderíamos
aplicar o significado de Jope àquilo que desejamos com os nossos olhos:
“beleza”! Porém, nem sempre o que é bonito aos nossos olhos nos levará a um
final feliz. Poderíamos até contextualizar a ideia de Jonas para os dias
atuais: “Beleza, vou fugir para Jope!” Mal sabia ele que a “bela” o levaria
para a “fera”!
Seria o começo da descida para o destino final que o
levaria às profundezas mais baixas da terra. Lá ele iniciou sua partida no
porto da desobediência. Seu roteiro não previa escala submarina para baldeação do
meio de transporte. Mas, ainda que façamos os nossos planos, quem os confirma
ou cancela é o Capitão do Universo!
Curioso observar que Jope é o mesmo lugar, onde cerca de
oitocentos anos depois o apóstolo Pedro tenta fugir do chamado de Deus para evangelizar
os gentios, ocasião em que sua xenofobia em relação a eles é mudada por Deus.
Esta sua primeira descida teimosa atrasou todo o itinerário
já definido previamente pelo Comandante da Vida.
Por isso precisamos estar atentos aos começos, quando nos
descuidamos e iniciamos nossos pequenos desvios de rota e, muitas vezes,
chegamos a nos perder tanto com os atalhos que não conseguimos mais voltar ao
bom, reto e seguro caminho sem a intervenção divina!
Descemos quando deveríamos subir! Viramos para a esquerda
quando deveríamos seguir para a direita. Retrocedemos quando deveríamos
prosseguir em frente.
2º. Desceu ao porão
do navio = Jonas 1:5
“Jonas, porém,
desceu ao porão do navio, e, tendo-se deitado, dormia um profundo sono.”
Não é difícil tentar imaginar que o tipo de embarcação que
Jonas estava viajando não era como um desses atuais navios “chics” de turismo e
nem a expectativa do profeta era se divertir saindo de férias em um Cruzeiro
Marítimo na cabine de luxo. Mas, dormir no porão também não é das melhores
opções para um servo de Deus! Aí é descer ao nível dos ratos! Porão dá a
impressão de lugar sujo e escuro, próprio mesmo para quem quer se esconder!
Aliás, se a tola intenção do profeta era “fugir para longe da presença de Deus”...
a onipresença do Senhor nada significava para Jonas! Talvez para ele Deus se limitasse
apenas à sua morada celestial, sendo assim, céu aberto para ele jamais! Estaria
“visível”! Se Deus habita nas alturas... a lógica é eu fugir para o sentido
oposto, descer ao ponto mais baixo de distância! E realmente, quanto mais longe
de Deus queremos ficar, mais sujos estaremos... mais nas trevas ficaremos...
mais dow nos sentiremos...
3º. Desceu ao mar =
Jonas 1:15
“E
levantaram a Jonas, e o lançaram ao mar, e cessou o mar da sua fúria.”
Veja como um abismo puxa outro!
A princípio, a decisão de Jonas era “fugir” para Jope, mas
não foi o suficiente. Vamos, então, para mais longe, com destino a Társis, como
vimos, na ponta do continente, na direção oposta do mapa. Era mesmo só mais um
pequeno deslize para escorregar no oceano! Alguns até definem Társis como o
“fim do mundo”!
Diz ainda no verso 3 que ele desceu para dentro do navio. Mas, como se não bastasse, desceu
ainda mais para baixo, desceu ao porão! Não deu certo apenas se “esconder” no
porão? Vamos além: vamos descer ao mar!
A intenção não era um mergulho para se refrescar, pelo
contexto fica claro que o intuito era se suicidar! “Se eu morrer acabou a
história”, ele devia pensar! Mas não teve coragem nem para se atirar ele mesmo,
mandou que o lançassem ao mar! Era alto mar e, para piorar, estava revolto e
agitado, pronto para levar ao naufrágio tudo e todos que pudesse! O declínio
desta vez foi violento, não foi simplesmente descer ao mar, foi ser lançado,
atirado, jogado para baixo!
Para ele já teria sido o fim, a última escala, o seu
destino final. Mas Deus estava com os olhos fitos em Jonas o tempo todo!
Quantas vezes também pensamos assim, que chegamos ao fundo do poço, ao fim da
linha, ao nível mais baixo! Lutamos tanto contra a vontade de Deus, batalhamos
tanto contra os planos divinos, que nos rendemos sem sucesso à morte dos nossos
sonhos!
Mas ainda não era o fim!
4º. Desceu no
ventre do peixe = Jonas 1:17
“Preparou, pois, o
Senhor um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e
três noites nas entranhas do peixe.”
Talvez o profeta estivesse tão vazio que nem no mar
afundava, mesmo sendo a carga mais pesada do navio! Ele queria descer mais
ainda, então... Deus preparou uma carona para dar essa ajudinha. Desceu goela
abaixo da baleia. E olha que além de vazio, o profeta deveria estar tão pequeno
que nem ficou entalado na garganta, mas conseguiu descer até ao ventre!
Como Deus ainda é misericordioso que parou por aí! Já
pensou descer mais ainda para o intestino!?
Lá dentro, no interior de uma criatura, ele ainda achava
que estava longe dos olhos do Criador quando disse “lançado estou de diante dos teus olhos” (2:4).
Que aperto! Que estreito literalmente Jonas havia se
metido! Quem diria? Quem poderia imaginar? Que mistério esconde esta passagem!?
Não é nada comum! Pelo contrário, é tão extraordinária que leva muitos a crer
numa fábula, numa parábola, duvidando que tenha sido literalmente um milagre da
criação!
Porém, foi também um meio de humilhar aquele que se
exaltava na tentativa de descer para longe de Deus!
Muito melhor que ser engolido por um peixe é
saborear a boa, agradável e perfeita vontade de Deus!
Muito melhor que ser pescado por uma baleia, é ser um
pescador de homens!
5º. Desceu à
sepultura = Jonas 2:6
“Eu desci até aos
fundamentos dos montes; a terra me encerrou para sempre com os seus ferrolhos;”
Foi assim mesmo que Jonas declarou estar dentro do peixe
quando orou a Deus. Algumas traduções ainda usam a palavra cova. Porque,
afinal, ele se suicidou! Até mesmo pela comparação que Jesus faz com sua morte
e ressurreição, não é descartada a possibilidade de, literalmente, Jonas ter
ressuscitado depois de 3 dias e 3 noites dentro do peixe! Barriga de peixe não
deve ser nada confortável para se viver, mas bem apropriado para se morrer!
Para fazer morrer toda desobediência e concupiscência! Para matar todas as
pretensões e rebeliões!
Contudo, por outro lado, o ventre era o lugar ideal para se
nascer, nascer de novo, no caso! Nascer uma nova criatura quebrantada e
transformada! Nascer uma nova chance com uma nova oportunidade!
O peixe devia ser muito grande mesmo, mas a paciência do
nosso Deus é enorme! Jonas desceu até a morte! Desceu até o máximo da queda
livre! Desceu com o declínio da própria vida!
Só aí então é que pôde começar a subir novamente!
Olha o que o próprio Jonas disse: “... contudo, fizeste subir da sepultura a minha vida, ó Senhor, meu
Deus!” (2:6). Só um Deus, como o nosso Deus, poderia fazer tal milagre!
Parece que ele estava com Jonas amarrado por uma
cordinha... e ia dando corda... ia dando corda... Jonas ia descendo... ia
descendo..., mas sempre seguro pela “cordinha”.
Muitas vezes nem sabemos até onde podemos ir, mas Deus certamente
sempre sabe até aonde nos deixará chegar! Na hora certa e da maneira que só Ele
sabe, a corda será puxada e, milagrosamente, ele
nos fará novamente subir! Deus está no controle de tudo e de todos!
Essa é a “miseri...corda” de Deus!
6º. Desceu orgulhoso
para subir humilde = Jonas 2:10
“Falou, pois, o
Senhor ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra seca.”
Que humilhante! Já pensou ser vomitado, cuspido de dentro
de um peixe! Podia ter ficado sem essa se houvesse feito uma conversão em
arrependimento, ainda lá trás, quando todo orgulhoso pagou a passagem do navio!
Não precisaria “pagar este mico”! Pagou a passagem com orgulho, mas pagou o
mico com humilhação! Agora terá que “pagar o pato” com as consequências que
pagou no peixe!
Não tendo mais para onde descer... que então comece o
processo de subida!
Se for para descer, que desçamos do nosso orgulho, do
pedestal que nos impede de nos humilhar em obediência às ordens divinas, do
salto alto que não aceita seguir os passos das humildes sandálias do Mestre.
E se for para subir, que subamos levantados pelo Senhor
nosso Deus, segundo a palavra do Senhor, de
acordo com a Sua vontade, no Seu tempo, do Seu modo!
“E
levantou-se Jonas, e foi a Nínive, segundo a palavra do Senhor.” (3:3)
REFLEXÕES EM JESUS:
Jesus aqui é, mais uma vez, um
reflexo invertido de Jonas!
Se, na sua arrogância, Jonas desceu
em rebelião a Deus... Jesus, na sua humildade, desceu da glória em obediência
ao Pai Celestial. E mesmo ainda quando menino, querendo continuar na “Casa do
Pai” ao ser encontrado “perdido” por seus pais terrenos, Ele “desceu com eles, e foi para Nazaré, e
era-lhes sujeito.” (Lucas 2:51)
Jesus também desceu a lugares sujos e escuros, mas nunca para se esconder, “desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e os ensinava nos sábados.” (Lucas 4:31) Só por curiosidade, olha a definição do dicionário do Google para esta palavra:
CAFARNAUM = 1.
Lugar em que há tumulto ou desordem;
2. Local onde objetos diversos são amontoados ou guardados desordenadamente; 3. p.ext. falta de ordem; confusão, mixórdia, miscelânea; 4. B lugar muito afastado; cafundó. 5. PE RN o diabo.
E mesmo aí Ele brilhou com seus ensinos, curas, milagres e
maravilhas!
Também ao contrário de Jonas, que serviu de comida para o
grande peixe por não fazer a vontade de Deus, Jesus bem declarou: “A minha comida consiste em fazer a vontade
daquele que me enviou e realizar a sua obra.” (João 4:34) E na sequência
Jesus fala sobre os campos que estavam adiante, prontos para a colheita, uma
clara referência à colheita de vidas.
Se Ele estivesse diante dos mares, bem poderia dizer que
estavam prontos para a pescaria. Logo, entendemos que, neste contexto, a
vontade do Pai que Jesus queria “comer” era ganhar almas perdidas, mas prontas
para salvar!
Por fim, acredito que, com respeito ao reflexo da descida e
da subida de Jesus, o melhor texto para refletirmos seja este:
“Por isso as
Escrituras dizem: ‘Quando ele subiu às alturas, levou muitos prisioneiros e
concedeu dádivas ao povo’.
Notem que diz que ‘ele
subiu’. Por certo, isso significa que Cristo também desceu ao mundo inferior.
E aquele que desceu
é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher consigo mesmo todas
as coisas.” (Efésios 4:8-10)
Jesus se esvaziou para encher tudo e
todos com a Sua Presença!
Ele desceu ao mundo
inferior para nos fazer subir ao nível mais superior das regiões celestiais
em Cristo!
Novamente o famoso texto escrito pelo Apóstolo Paulo aos Filipenses,
capítulo 2, versos 5 a 11, intitulado “A Humildade e a Exaltação de Cristo”,
reflete também perfeitamente este exemplo.
E quando Ele desceu
à sepultura, também não foi por causa dos seus erros, mas por causa dos nossos!
Não porque desobedeceu ao “Ide”, como Jonas, mas justamente porque veio para
isso mesmo, nasceu para morrer!
E de lá não foi vomitado humilhantemente, mas ressuscitado
gloriosa e triunfantemente! Não para uma segunda chance para Ele cumprir Sua
missão, porque já havia sido cumprida com excelência, mas para que nós, como
humanidade, tivéssemos uma segunda chance, já que a primeira foi frustrada em
Adão!
Como começamos o capítulo dizendo que “um futuro cheio de
esperança” espera por aqueles que optam por obedecer aos planos de paz que Deus
tem, em Cristo podemos ver também esta promessa cumprida! Ele terminou sua
missão em paz, deixando-nos esta Sua paz e “um futuro cheio de esperança” para
todos nós!
Quando, porém, uma ordem de Deus é contrariada, não
adianta, todo esforço em busca da paz é em vão. A calmaria só vem com o
abandono do pecado e o retorno à obediência!
E Jesus não precisou descer por apertos e estreitos para se
lembrar de orar a Deus, Ele regularmente subia ao monte para falar com o Pai, a
céus abertos, na sua quietude e solitude espiritual.
E é pra lá que eu vou agora buscar Sua luz para enxergar
meus reflexos refletidos nestas reflexões!
REFLEXÕES NA MARINA:
Enquanto eu estava
escrevendo este capítulo, lá no passado, quando ainda nem tinha ideia que se
transformaria em um livro, muito menos com estes espaços de reflexões pessoais,
eu já tinha inserido este parágrafo bem no miolo de tudo aquilo, mas agora
cortei de lá e colei aqui, no devido lugar:
“Confesso que
algumas vezes tenho vontade de fugir, de me esconder, pelo menos por alguns
momentos, de tudo e de todos, exceto de Deus, é claro, e procuro meu ‘porão’.
Na verdade, costumava chamar de minha ‘caverna’. Literalmente eu gostava de me ‘encavernar’,
mas o propósito sempre foi exatamente o contrário de Jonas, longe de mim me
esconder de Deus. O que eu queria era justamente ‘me esconder em Deus’! Até que
resolvi mudar o nome, de ‘caverna’ para ‘esconderijo do Altíssimo’, e lá
descansar à sua sombra! Bem diferente do sono profundo do profeta! Examinando a
minha motivação de querer ficar a sós, reconheço que a intenção do seu
esconderijo não é para descer em depressão humana, como na maioria dos casos o
isolamento é a opção, pelo contrário, é para subir na comunhão divina e me
preparar para o convívio social humano.”
Naquela época ainda
não conhecia o conceito do “eremitério”, agora entendo que o princípio é o
mesmo! E que bom que desta vez este meu reflexo está invertido diante do de
Jonas!
Com relação a
descer do meu ego, lembrando inclusive de Naamã, isso sempre tem me gerado
temor e me levado a vigiar e orar pedindo a Deus que jamais eu levante o meu
nariz em soberba, porque daí é um passo para tropeçar e cair em humilhante declínio!
Deus me livre e guarde!
“Aquele pois que
cuida estar em pé, olhe não caia.” (1 Coríntios 10:12)
É importante também
sempre conferir se nossos níveis de combustível espiritual não estão descendo,
o nível do óleo da unção não pode descer! Este é o tempo de fazer um autoexame
e controlar as taxas que deveriam estar altas e desceram e as que deveriam ter
descido e estão altas!
Acho que fui um
tanto superficial nesta minha autoavaliação! Confesso! Neste caso, preciso
descer mais fundo e sondar melhor as profundezas do meu coração. Vou rever
estes pontos mais tarde outra vez...
Agora é sua vez...
REFLEXÕES NA MINHA VIDA:
Capítulo 4
O VENTO
|
N |
estes
próximos três capítulos vamos seguir com algumas reflexões curiosas ao nosso raciocínio
(se é que isso é racional), de ver a natureza em obediência aos comandos do
Comandante do Universo.
Pois é, no livro de Jonas, lemos também sobre este
fenômeno: “Mas o Senhor mandou ao mar um grande vento, e fez-se no
mar uma grande tempestade...” (1:4).
Alguns versículos antes, o mesmo Senhor mandou Jonas ir
para Nínive, mas, como já sabemos, ele não foi! Será que ele não ouviu mesmo
com seus ouvidos fisicamente visíveis e sadios? Poderíamos acreditar que o vento
sabe ouvir a voz celestial melhor do que um “homem são” que ainda não aprendeu
a obedecê-la? E o que é pior ainda, Jonas foi em direção contrária à ordem do
Senhor! O vento, porém, não encontrou dificuldade em mudar de direção e,
sem resistência, soprar no sentido oposto com a força necessária para
desencadear uma tempestade no céu e uma agitação no mar. Isto, sim, é uma prova
de obediência incontestável.
A Bíblia descreve um tipo de “surdos orelhudos” quando diz:
“E neles se cumpre a profecia de Isaías (6:9), que diz: Ouvindo, ouvireis,
mas não compreendereis, e vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração
deste povo está endurecido, e ouviu de mau grado com seus ouvidos e fechou os
olhos, para que não veja com os olhos, e ouça com os ouvidos, e compreenda com
o coração, e se converta, e eu os cure. Mas bem-aventurados os vossos ouvidos,
porque ouvem, e os vossos olhos, porque veem.” (Mateus 13:14 a 16)
Jonas ouviu, sim, com seus ouvidos entupidos pelo sebo da ignorância, mas não compreendeu a urgência da
ordem de quem lhe falou.
Seus olhos embaçados pela covardia não o deixaram perceber
a autoridade de quem lhe falou.
Seu coração endurecido pela insensibilidade impediu que ele
sentisse a paixão de quem lhe falou!
O mesmo Senhor está falando aos nossos ouvidos aqui agora,
e seremos bem-aventurados se lhe dermos ouvidos, mesmo que tenhamos que ir para
direções que preferiríamos evitar, mesmo que tenhamos que soprar sobre mares
distantes.
Eu posso ouvir melhor que os ventos!
Jesus usou a ilustração do vento para comparar o que
acontece com todo aquele que é nascido do Espírito, porque o Espírito o assopra
para onde quer, mesmo que ele não saiba para onde vai e nem donde vem. Observe João
3:8:
“O vento sopra onde
quer, você ouve o barulho que ele faz, mas não sabe de onde ele vem, nem para
onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.”
Outra vez voltamos na conversa de Jesus com Nicodemos.
Anteriormente comentamos sobre a ilustração da serpente de bronze que foi
levantada no deserto. E agora, com a analogia do vento, parece que Jesus estava
usando de todas as habilidades lúdicas para desenhar as verdades do novo
nascimento. E ainda assim, o mestre da lei estava tendo dificuldades de
entender. Sendo um fariseu bem instruído na Palavra, ele bem devia conhecer o
hebraico da Torá e a conexão linguística que existia no seu idioma entre pneuma (vento e espírito) com a palavra ruach. Era o ruach de Deus que “pairava
por sobre as águas” na criação (Gênesis 1:2). O mesmo Espírito (vento) que
trouxe vida na criação do mundo também traz o novo nascimento às novas
criaturas.
Jonas devia estar ouvindo o barulho do vento, como diz o
verso acima, mas não sabia de onde ele vinha! Será que nem ventilava pela
cabeça do profeta que aquele vento vinha da parte do Espírito Santo de Deus
para movê-lo para onde Ele queria?
O vento que Deus enviou moveu as ondas do mar, mas Jonas
permanecia imóvel diante do soprar do Espírito na sua vida.
“O mar ia se
tornando cada vez mais tempestuoso” (1:11)
enquanto Jonas dormia escondido no porão. Imaginando esta cena, eu consigo ver
refletida uma outra imagem invertida, quando os discípulos estavam orando todos
juntos no mesmo lugar, clamando todos ao mesmo Deus, diferente de Jonas que nem
clamava, diferente dos marinheiros que “clamavam
cada um ao seu deus,” (1:5) lá em Jerusalém eles ouviram “do céu um som, como de um vento veemente e
impetuoso [que] encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas
por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um
deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar
noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.”(Atos 2:2-4)
Aquele não foi um vento tempestuoso, mas impetuoso que
causou uma grande agitação no mar de nações que estavam naquele lugar: “Partos e medos, elamitas e os que habitam
na Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto e Ásia, e Frígia e Panfília, Egito e partes
da Líbia, junto a
Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e
árabes, todos” eles ouviram em suas “próprias línguas falar das grandezas de
Deus.” (Atos 2:5-11).
Esta era a cena que Jonas deveria espelhar em Nínive se ele
fosse movido por este “vento veemente e
impetuoso” do Espírito Santo de Deus! Seria o capítulo 2 de Atos dos
Apóstolos refletido no capítulo 3 das Ações do Profeta! Porque, assim como o
vento do Espírito moveu Pedro a falar das grandezas de Deus “e, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu
coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens
irmãos?”(Atos 2:37) Assim também o mesmo vento do Espírito convenceu os
ninivitas do pecado, da justiça e do juízo porque “os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum, e
vestiram-se de saco, desde o maior até ao menor. (Jonas 3:5)
Se continuarmos a leitura do que ocorreu naquela fatídica
Festa de Pentecostes em Jerusalém, veremos ainda que Pedro prosseguiu pregando:
“Arrependei-vos, e cada um de vós seja
batizado em nome de Jesus Cristo, em remissão de pecados; e recebereis o dom do
Espírito Santo; (...) E com muitas outras palavras isto testificava, e os
exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa. De sorte que foram
batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia
agregaram-se quase três mil almas...” (Atos
2:38-41)
Que pesca maravilhosa! Três mil novos peixes renascidos
pelo batismo das águas e pelo vento do Espírito de uma só vez!
Mas por incrível que pareça, o capítulo 3 de Jonas também
relata uma pesca maravilhosa de “mais de
cento e vinte mil pessoas que não sabem discernir entre a sua mão direita e a
sua mão esquerda, e também muitos animais” dos quais Deus teve compaixão (Jonas
4:11) depois de ter visto que “o rei de
Nínive; levantou-se do seu trono, e tirou de si as suas vestes, e cobriu-se de
saco, e sentou-se sobre a cinza. E fez uma proclamação que se divulgou
em Nínive, pelo decreto
do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animais, nem bois, nem
ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê alimentos, nem bebam água; mas os
homens e os animais sejam cobertos de sacos, e clamem fortemente a Deus, e
convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há nas suas mãos. Quem sabe se se voltará Deus, e se
arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos? E
Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se
arrependeu do mal que tinha anunciado lhes faria, e não o fez.” (Jonas 3:6-10)
Que ventania santa foi esta que trouxe este turbilhão de
arrependimento e quebrantamento no meio dos ninivitas? E que vendaval foi este
que soprou para longe o furor da ira de Deus? Só mesmo o vento do Espírito
Santo!
O vento tem a sua ação visível mesmo que ele seja
invisível. Deus tem os seus agentes invisíveis, mas o seu agir é perceptível.
Uma lição que vem nos ensinar a confiar no que cremos, ainda que não o vemos!
O fato aqui é que o vento obedeceu ao comando do seu
Criador e executou sua missão específica para dois momentos distintos:
No
primeiro momento devia ser um vento muito frio, de um temporal intenso, em uma
noite escura, sobre um mar glacial, tentando congelar, paralisar aquela fuga frígida
de um ser com um nível de obediência abaixo de zero de tão negativo!
Mas no segundo momento, o mesmo Deus que enviou o vento
frio para congelar a desobediência do 1º capítulo, agora no último capítulo “Deus fez soprar um vento leste muito quente
[um vento calmoso oriental]. O sol bateu na cabeça de Jonas, de maneira que ele
quase desmaiou. Então pediu para morrer...” (Jonas 4:8)
Eu achava que este termo “vento calmoso” estava descrevendo
uma brisa fresca, calminha... e já tinha até formulado um verso poético com ele
como os demais que se seguem ao final deste capítulo. Porém, “algo” me
incomodou para ir pesquisar sobre este vento calmoso oriental, e para minha
surpresa eis que encontrei a seguinte informação:
O “vento calmoso
oriental” mencionado em Jonas 4:8 é um vento quente e seco, conhecido como
siroco, que sopra do deserto, trazendo calor extremo, tempestades de areia e
destruição. Foi este vento que secou as espigas no tempo de José no Egito.
Eitaaa!!! Então entendi que não foi “algo”, mas “Alguém”
que “soprou” nos meus ouvidos que a colocação do verso não estava de acordo.
Como é maravilhoso ter este Ruach
Divino ventilando no meu “pneuma” a
direção certa para o rumo que devo dar às palavras!
Assim, o Espírito Santo também me inspirou a acrescentar
mais um capítulo neste livro que não estava nos originais...
Quando eu considerei que Deus envia vento frio, mas vento
quente também... que Deus manda o peixe engolir, mas também vomitar... que Deus
levanta um profeta, mas também o faz descer... que Deus tem poder para
condenar, mas também tem amor para perdoar... que Deus faz uma árvore nascer
para mostrar seu cuidado por um homem, mas também faz um verme matá-la para
ilustrar sua compaixão por toda uma cidade.
Mas vamos deixar para refletir
sobre isso no capítulo apropriado!
Concluiremos, por agora, com os versinhos que já estavam na sequência, mas foram interrompidos por uma brisa suave que passou!
Que sejamos como este vento que sopra no mover do Espírito nesta nossa missão de
evangelização, ainda que seja preciso provocar uma tempestade durante a
navegação para que os que estiverem no barco reconheçam “Aquele que até o
vento e o mar lhe obedecem”
(Marcos 4:41).
Que sejamos como este vento que assopre a semente do amor de Deus em terras férteis para
transformá-las em Jardins do Senhor, que de tão perfumados, espalharão o bom
cheiro de Cristo em brisas suaves (2 Coríntios 2:15).
Que sejamos um vento restaurador que acalme as águas do dilúvio que tem afogado
os pecadores neste mundo cruel (Gênesis 8:1).
Que sejamos um vento impetuoso que
levante as águas do mar da vida para um povo vitorioso passar sobre terra firme
(Êxodo 15:10).
Que sejamos um vento
provedor que traga alimento para uma multidão faminta se fartar e nunca
mais murmurar diante do Jeová-Jireh (Números 9:31).
Que sejamos um vento
revigorador que assopre dos quatro cantos da terra sobre um vale de
ossos secos e os transforme em um grande e poderoso exército sob o comando do
nosso General, saqueando, assim, o inferno e povoando o céu (Ezequiel 37:9)!
Que sejamos como um vento em movimento, não um ar parado, pesado em seu ambiente fechado. Que as velas do nosso barquinho sejam movidas pelo vento do Espírito Santo de Deus para que possamos navegar nas direções indicadas pelo, pois, com certeza, Ele nos deslocará!
REFLEXÕES EM JESUS:
Alguns reflexos de Jesus com relação ao vento já foram
mencionados ao longo dos capítulos, tais como:
Quando Ele acalma o vento e a tempestade junto aos seus
discípulos, tanto dentro como fora do barco, vemos “Aquele que até o vento e o mar lhe obedecem” (Marcos 4:41). Mais um reflexo
invertido de Jonas que precisou passar por um vendaval para levá-lo novamente a
obedecer.
Também já comentamos o teor da conversa “evangelística” de
Jesus com Nicodemos, exemplificando o agir do Espírito Santo com a ilustração
do vento que “sopra onde quer, você ouve
o barulho que ele faz, mas não sabe de onde ele vem, nem para onde vai; assim é
todo o que é nascido do Espírito.”
E embora já tenhamos também passado algumas reflexões sobre
o “vento veemente e impetuoso [que]
encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas
repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos
foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o
Espírito lhes concedia
que falassem.” de Atos 2:2-4, eu gostaria de
refletir, aqui agora, mais um pouquinho sobre esta passagem:
“E Jesus lhes disse
outra vez: Que a paz esteja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu também
envio vocês. E, havendo dito isso, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebam o
Espírito Santo.” (João 20:21-22)
Este não foi um vento para trazer turbulência, mas para
trazer paz! Não foi um vento para repreender quem não queria ir e pregar, mas
para capacitar e acompanhar os enviados para missões. Não foi um vento frio
para paralisar, mas um sopro caloroso para acolher ao mesmo tempo em que
impulsionar em um movimento fervoroso!
Quando Jesus disse isso, Ele já tinha morrido, ressuscitado
e estava prestes a subir para o Pai, contudo não os deixou órfãos, mas sobrou
sobre eles parte da sua essência, o “Pneuma
hagion”.
Fui pesquisar o texto no original e encontrei esta
explicação sobre o Lábete Pneûma Hágion:
Aqui está a divisão:
Λάβετε (Lábete): Recebei / Tomai.
Πνεῦμα (Pneûma): Espírito / Sopro / Vento.
Ἅγιον (Hágion):
Santo.
O Verbo de Ação: “Lábete” é um
imperativo que indica uma ação imediata e definitiva.
E esta ação de soprar sobre eles nos lembra da ação de Deus
soprando a vida em Gênesis 2:7! Não mais a vida humana, mas agora, uma vida
divina, espiritual, sobrenatural, não só o sopro de uma vida, mas de uma vida
em abundância!
Eu acredito que esta ação se repete em todos que “nascem de
novo”! Eu nasci de novo, logo, recebi este sopro, este vento santo, este ar
quente que enche o “balão” do meu coração e faz com que eu flutue voando na
direção da perfeita e soberana vontade de Deus! É o mesmo princípio físico que
faz o navio também flutuar na água! Deus já
o aplicava muito antes, desde a Criação
até às novas criaturas.
O Senhor quer nos ver subindo, não descendo! Jesus quer nos
ver voando alto, não nos afundando na lama! Mas esta subida, este voo, não é
com nossas próprias forças para que ninguém se glorie, é por meio d’Ele, da Sua
energia, do Seu gás, do seu poder!
Cabe a nós manter esta combustão! Manter nosso balão cheio
enchendo-nos do Espírito Santo! Cabe a nós sermos firmes e resistentes às
pressões da atmosfera fria e pesada que nos cerca para não estourarmos e
perdermos o equilíbrio!
O importante é acreditar e confiar que não estamos sós! Deus
Pai é Onipresente! Jesus prometeu estar conosco todos os dias até a consumação
dos séculos! E o Espírito Santo, este vento divino, já foi soprado para dentro
de nós, está em nós e é por nós!
Bora voar nas asas do vento, do vento do Espírito!
Qualquer hora, a qualquer momento, de repente, nos
encontraremos nas nuvens!
REFLEXÕES NA MARINA:
Em se tratando de vento, o que muito
me vem à tona para refletir na minha vida é justamente esta questão de vento a
favor e vento contrário.
Honestamente,
se há uma coisa que muito eu desejo na minha vida, é ser guiada e movida pelo
vento do Espírito Santo! Porém, muito honestamente também confesso que tenho
dificuldade, muitas vezes, em discernir para onde ele está soprando e se, de
fato, está soprando! Tenho muito temor de me precipitar em voo livre pela
direção que meu livre arbítrio desejar soprar ou, de certa forma, resistir ao
vento do Espírito me agarrando às minhas próprias estacas com medo de me soltar
sem saber para onde ir e de onde vir!
A
grande razão disso deve ser porque o vento, como o próprio Espírito Santo, é
invisível, impalpável, muitas vezes até inaudível, e o pior, imprevisível! E
isso confunde a compreensão pelos nossos sentidos naturais, ficando evidente a
necessidade de um real discernimento espiritual e uma boa medida de fé para
distingui-lo e segui-lo sem medo de errar! É nessas horas que às vezes me
pergunto: Por que complicar se poderia facilitar!
Mas
este é o grande desafio de viver pela fé com uma sintonia afinadíssima com as
ondas invisíveis do vento do Espírito! Estou em treinamento intensivo nesta
matéria! Chego lá!
Outro
reflexo que me vem à mente quando reflito sobre o vento é uma imagem que usei
certa vez para ilustração de uma postagem. Tente imaginar: eu estava sentada
entre as capas de um livro aberto voando por um céu estrelado de letrinhas. Era
a representação perfeita do meu sonho realizado exatamente desse jeito, ou
seja, conseguir voar, impulsionada pelo vento do Espírito, por meio das páginas
dos meus livros, como asas abertas em uma imensidão de letras, levando a
celestial Palavra de Deus pelos ares de todo o planeta!
Acredito
que também ainda estou em treinamento intensivo para o exercício desta matéria!
É tentador querer dar um “empurrãozinho” para a decolagem ser mais rápida! É
desafiador saber esperar com paciência o tempo e o modo perfeito do Vento
soprar e levantar meus livros para movimentá-los por aí! Mas, pela fé, eu creio
que, de repente, eles emergirão do ventre do meu Grande Peixe e seguirão viagem
de corona com o Pombo Correio dos céus, com a Pomba do Espírito que leva a
Mensagem para os respectivos destinatários desta terra.
REFLEXÕES NA MINHA VIDA:
Capítulo 5
PEIXE
|
U |
m dos
termos simbólicos usados na evangelização para designar os novos-convertidos é
o “peixe”! Isto porque Jesus também nos identifica como “pescadores”
de homens neste imenso “mar” de gente no qual temos lançado nossas “redes”.
É comum, como ilustrei nas reflexões
anteriores, a utilização divina de elementos da natureza para propósitos
espirituais.
Nesta reflexão quero chamar a
atenção para o papel do “peixe” em algumas cenas bíblicas para
extrairmos mais algumas lições.
No livro de Jonas, quando ele foi
jogado ao mar, diz que “o Senhor deparou um grande peixe” (1:17).
Fiquei pensando: Qual seria o verdadeiro propósito deste peixe? Engolir o
profeta e fazer dele pedacinhos de comida consumidos pelos sucos gástricos do
seu estomago sentenciando, assim, com pena de morte, a desobediência de Jonas?
Ou seria um “peixe
salva-vidas” vindo da parte de Deus para oferecer uma carona até uma
praia, um porto seguro, distante o bastante para dar tempo suficiente para o
profeta refletir, se arrepender e atender ao chamado do Senhor?
Como nosso Deus é criativo!
Incríveis são as maneiras que Ele
inventa para salvar os seus servos, e olha que até os desobedientes não ficam
isentos de suas “escoltas naturais”, porém utilizadas, muitas vezes, de modos
sobrenaturais!
É... um fato como este acontecido com Jonas, é digno de ser
considerado por muita gente como “estórias de pescador”. Confesso que se não
estivesse na Bíblia eu mesma iria catalogar isto como lenda ou fábula de muita
imaginação! Mas, como dizem, se a Bíblia afirmasse que Jonas engoliu uma
baleia, deveríamos acreditar do mesmo jeito porque está na Bíblia autenticado e
canonizado pelo Espírito Santo!
Bom, para nós pode parecer difícil o cumprimento deste
“acidente”, mas para Deus, o que é “deparar” um grande peixe no oceano? Para
Ele, seria como achar um peixinho num pequeno aquário. Afinal, foi Ele mesmo quem
criou todos os peixes no quinto dia da criação. Nada difícil para o Criador
achar uma de suas criaturas por mais escondida que ela estivesse. Não duvido que
aquele peixe tivesse até um nome que só Seu Criador e ele conheciam para que,
quando fosse chamado para uma missão especial, ouvisse lá do céu a ordem de
salvamento e obedecesse pronta e eficazmente. Se você ainda duvida, Jonas 2:10
é bastante claro: “Falou, pois, o Senhor ao peixe...” E não é só
com peixes que Ele fala, não, já li que Ele falou também com uma figueira! Se
fosse eu, você me chamaria de louca, né? Mas, como é o Senhor... Confira: “E, avistando uma figueira perto do caminho,
dirigiu-se a ela, e não achou nela senão somente folhas. E disse-lhe: Nunca
mais nasça fruto de ti, para sempre. E a figueira secou imediatamente.” Mateus
21:19
Outra alternativa, não querendo especular ao extremo, mas
há uma grande probabilidade na hipótese de que Deus tenha criado este grande
peixe justamente naquela hora, naquele lugar e para aquela única finalidade. No
dicionário, a palavra “deparou” significa fazer aparecer de repente (Michaelis).
Eu creio até que Deus chama à existência as coisas que não existem para a
realização dos Seus desígnios em prol do seu reino e dos seus filhos.
O mesmo se aplica a ocasião em que Jesus mandou Pedro tirar
uma moeda da boca do primeiro peixe que pegasse o seu anzol. Quer especular?
Quando e como será que Deus colocou a moeda bem na boca daquele peixe, bem
naquela hora e naquele lugar? Ou será que Ele já criou aquele peixe “cheio da
grana” para ser o caixa eletrônico a prova d’água daquela época? Acho que era
mais um outro peixe daqueles nomeados e chamados exclusivamente para o
cumprimento de uma missão especial? Quer conferir também? Vamos lá: “...vai ao mar, lança o anzol, tira o
primeiro peixe que subir, e abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o,
e dá-o por mim e por ti.” Mateus 17:27
Quer mais ainda?
Sim, tem muito mais que um peixe com uma moeda na boca para ajudar
Pedro a pagar seus impostos! O que dizer de um cardume enorme mandado, sob
encomenda, ao lado direito do seu barco para abençoar milagrosamente a sua
“microempresa de pesca” ajudando-o a pagar todas as suas dívidas e ainda poder
dividir com os colegas de trabalho? Também não é história de pescador! É fato
narrado em Lucas 5 e em João 21, para quem quiser comprovar!
E estamos refletindo até agora em tudo isso sobre peixes
porque o fato em questão no nosso livro fala de um peixe com um homem na barriga, mas o
que dizer de uma multiplicação de peixes para encher a barriga de uma multidão
de homens, mulheres e crianças? O Deus da provisão dá ao seu povo o seu
alimento preferido e em abundância de uma forma sobrenaturalmente maravilhosa!
Se precisar conferir esta história também, ela está registrada nos 4
Evangelhos: em Mateus 14:14-21; em Marcos 6:30-44; em Lucas 9:10-17 e em João 6:1-15.
Este é o nosso Deus! O mesmo Deus que nos ordena ir ao
encontro de “peixes humanos” para encher o reino dos céus com vidas salvas do
pecado e do inferno, é o mesmo que faz vir ao nosso encontro os “peixes provisões”
para encher as nossas vidas de experiências extraordinárias que alimentam a
nossa fé e a nossa fome pelo agir sobrenatural de Deus.
Diante do exemplo de Jonas que temos examinado, podemos
concluir que ele não é um caso isolado, até porque, inclusive, temos reconhecido
que muitos reflexos da sua história refletem-se também na nossa vida, mesmo que
de modo diferente e em tempos distintos.
O fato é que as imagens estão refletidas aí, diante de
nossa imaginação, para justamente visualizarmos a nossa realidade como que por
um espelho, a fim de identificar as distorções a serem corrigidas e as belezas
a serem realçadas. E o importante ressaltar é que não estamos sozinhos nesta
tarefa! Notou que as reflexões partem de JONAS, refletem em JESUS, avançam com
reflexo na MARINA e se completam com as SUAS contribuições reflexivas. Ou seja,
você não está só! Eu estou com você! Nós estamos com Jesus! E o Jonas segue com
a gente nos servindo de pretexto para analisar o contexto dentro do texto das
Escrituras. Mais essa, estamos ainda com a Luz da Palavra de Deus, pois sem ela
seria impossível enxergar estes reflexos!
Dito isto, vamos então agora refletir sobre algumas
reflexões que o “peixe” nos traz como reflexos do agir de Deus na execução da
nossa missão como pescadores:
O mesmo princípio de “espelhamento invertido” aplicado nos
dois capítulos anteriores, quando o tempo e o modo perfeitos de Deus são rejeitados
e substituídos por Jonas pelo seu tempo atrasado ou precipitado e seu modo
imperfeito e indevido, bem como o levantar em obediência que o Senhor esperava
de Jonas foi trocado pelo seu levantar rebelde em direção oposta, assim também
o peixe, bem serviria de um agente de juízo e condenação servindo como a
sepultura do transgressor ou, pelo contrário, como bem serviu de um lugar de
“castigo para pensar” preparado pelo Pai que quer corrigir a teimosia do filho que ama, a fim de livrá-lo de
consequências mais graves e
irreversíveis por meio de um sincero arrependimento!
Tenho certeza que, durante o nosso tempo pessoal de
reflexões, encontraremos o reflexo desta estratégia paterna aplicada divinamente
também na nossa indisciplina para com Deus! Vamos lá pensar e reconhecer rapidinho onde falhamos para
sair logo do castigo.
Mas nem sempre os “peixes” enviados pelo Senhor são para
nossa punição. Vimos em muitos casos refletidos na vida de Jesus e seus
discípulos, que os peixes serviram de provisão, como recursos que o Pai
disponibiliza para suprir nossas necessidades no exercício da nossa
missão. Um detalhe que pode ter passado despercebido
no texto é que “para fugir da presença do
Senhor, para Társis,” Jonas pagou a passagem do navio (1:3), mas para se
levantar e ir a Nínive, segundo a palavra do Senhor, ele só foi, não consta
nenhum pagamento! (3:3)
Também tenho certeza que, durante o nosso tempo pessoal de
reflexões, encontraremos o reflexo desta provisão divina, deste investimento
celestial financiando nossas embarcações com pensão completa, com suprimento
abundante!
E falando em “suprimento abundante”, até a multiplicação
dos pães e peixes foi um reflexo do alimento espiritual, da verdadeira comida,
uma manifestação do verdadeiro Pão Vivo que desceu do céu! Naquele encontro foi
oferecido o pão que a terra produz para nutrir o corpo, mas antes, em primeiro
lugar, Jesus serviu o Banquete Divino com a sua Palavra. Porque “nem só de pão viverá o homem, mas de toda a
Palavra que sai da boca de Deus!” (Mateus 4:4)
E aqui eu quero me deter um pouco mais!
Voltando ao título deste nosso capítulo, estamos falando em
“peixes”. E em algum lugar, já nem sei se lá para trás ou para frente, eu
escrevi que melhor é pescar que ser pescado. Agora eu diria: melhor é consumir
um peixe como alimento do que ser consumido como alimento para um peixe! Mais
um reflexo invertido!
Jonas não queria levar a Palavra de Deus para os ninivitas
comerem dela, logo, ele próprio acabou sendo comido!
Por eu ter criado a DIETA DO CORDEIRO, tenho ensinado e
incentivado o povo de Deus a “comer” de Jesus, comer do Cordeiro como o próprio
Jesus instruiu seus discípulos a fazerem em sua última ceia com eles antes de
ser “imolado”.
Observe neste texto a relação de Jesus com o pão e carne: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se
alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne,
que eu darei pela vida do mundo. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo:
Como nos pode dar este a sua carne a comer? Jesus, pois, lhes disse: Na
verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem,
e não beberdes o seu
sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e
bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque
a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come
a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.” (João 6:51-56)
Lembram que a “carne” da Ceia, antes da morte de Jesus, era
do Cordeiro Pascal, mas a “carne” da Ceia, depois da ressurreição de Jesus, era
o peixe! Tanto para os 12 em Jerusalém: “Tendes
aqui alguma coisa que comer? Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo
de mel; o que ele tomou, e comeu diante deles.” (Lucas 24:41-43) Quanto para os 7 a beira do Mar de
Tiberíades: “Chegou, pois,
Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. E já era a terceira vez
que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado
dentre os mortos.” (João 21:13,14) Interessante, além de
muito curioso, não acham?
Faz sentido, porque o símbolo do Cordeiro tem todo o
reflexo em sombras nos sacrifícios do Antigo Testamento apontando para o
Messias que viria como o sacrifício definitivo. Mas a partir da morte e
ressurreição do Cordeiro de Deus, a Nova Aliança não precisa mais de cordeiros,
Ele agora só voltará glorioso na Redenção final. Pode ser por isso que a Igreja
primitiva começou a usar o peixe como símbolo do cristianismo e não mais o
cordeiro.
Além disso, o peixe era o alimento básico dos pobres na
Galileia. Mais um reflexo que representa, portanto, a simplicidade, a humildade
e a presença de Cristo entre os mais simples.
Qual o reflexo que lhe vem quando você participa da Ceia do
Senhor? Pode fazê-lo em memória do Cordeiro imolado que foi morto para seu
espírito reviver e pode fazê-lo em memória do Peixe assado que ressuscitou para
sua carne morrer! Só tem comunhão à mesa com o Peixe da ressurreição, quem já
teve antes comunhão à mesa com o Cordeiro da expiação!
Enfim, quer Cordeiro, quer Peixe, comamos de Jesus!
Quer pão, quer Palavra, alimentemos nosso corpo, alma e
espírito com o Livro Sagrado, como fez Jeremias (16:16), Ezequiel (3:1-4) e
João em Apocalipse (10:8-11): “Toma-o, e
come-o, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel.”
Compreendo que assim é o Evangelho, tal qual o peixe para
Jonas e tal qual a mensagem para os ninivitas: ou serviria de condenação amarga
se não houvesse arrependimento profundo, ou serviria de nutrição doce havendo
conversão verdadeira!
Isto é perfeitamente esclarecido quando consideramos a
bondade e a severidade de Deus de acordo com Romanos 11:22-23:
“Considera, pois, a
bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para
contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira
também tu serás cortado. E também eles, se não permanecerem na incredulidade,
serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar.”
Vamos ver com mais detalhes adiante que, para os ninivitas,
a Palavra de Deus que vinha servida para o ventre deles, como um “peixe amargo”
de condenação, se transformou em um “pão doce” em seus corações quebrantados,
porque “não permanecerem na incredulidade”!
Interessante que na antiga língua assíria, o nome da cidade (Nínive) era
escrito com um símbolo que representava “um peixe dentro de uma casa”. Mais uma
curiosidade misteriosa!
Sabemos que o peixe é um símbolo cristão, representando o
próprio Senhor Jesus Cristo. Conhecido como Ichthys
(ΙΧΘΥΣ = peixe em grego), a palavra funciona como um acrônimo para a frase:
"Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador". Assim:
Iesous (Jesus)
CHristos (Cristo)
THeou (de Deus)
Yios (Filho)
Soter (Salvador)
Portanto, faz sentido pensar que o Grande Peixe enviado por
Deus, ao encontro de Jonas, tenha sido um reflexo de Jesus Cristo, filho de
Deus, para ser seu Salvador naquele momento.
Consideremos aqui a grande bondade de Deus que nos persegue
mesmo no nível mais profundo da nossa obstinação!
“Se tomar as asas
da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me
susterá.” (Salmos 139:9,10)
E falando em perseguição lembrei-me de uma história do
tempo em que a igreja primitiva era perseguida que dizia, segundo a tradição, que
quando dois cristãos se encontravam, um desenhava um arco no chão; se o outro
completasse o desenho formando um peixe, ambos se reconheciam como irmãos na
fé. Era como um “logo” de identidade
dos primeiros fiéis, primeiros pescadores de homens!
Aliás, a Pesca no Mar Morto, narrada por Ezequiel (47:8-11)
numa visão profética, reflete o que está por vir ao mostrar um rio que sai do
templo e purifica as águas do Mar Morto, tornando-o capaz de sustentar peixes,
que ficam tão abundantes quanto no Mediterrâneo. Que reflexão maravilhosa! Eu
creio que estas águas que fluem do trono de Deus, que jorram da Fonte de Águas
Vivas, são mesmo poderosas para dar vida até ao que já está morto e sustentar
até o que está desfalecido nas profundezas do pecado!
Nós temos o Cordeiro, nós
conhecemos o Peixe, nós experimentamos o Pão da Vida, nós comemos da sua carne
e bebemos do seu sangue, então vamos dar de comer nós mesmos a estes peixes
famintos, antes que eles nos devorem!
Bom, de fato, o Senhor nos deu aqui uma “pescada
maravilhosa”! Você, como eu, também pescou novos reflexos? Eu pesquei muitos!
Realmente o assunto “peixe” rendeu até demais! Quase que meu capítulo foi a
pique devido ao excesso de carga reflexiva!
Isto é um sinal, uma prova de que o Senhor também tem abençoado e multiplicado
esses nossos poucos peixinhos!
Já já eu vou chamar você (e os outros pescadores de outros
barquinhos) para compartilhar desta pescaria maravilhosa e para me ajudar a
limpar nossas redes no momento da
reflexão pessoal!
Até lá, vamos agora ver mais alguns
reflexos de Jonas em Jesus relacionados a este
tema. Será que ainda faltou algum além dos muitos que já incluímos no miolo do próprio
capítulo? Vamos conferir:
REFLEXÕES EM JESUS:
Fazendo um checklist do que já vimos, aproveite para recapitular:
1º) O que o peixe estava para Jonas, a sepultura estava
para Jesus. Logo, o peixe está explicitamente relacionado ao “sinal de Jonas”,
reflexo do que aconteceu com Jesus: “Pois
assim como Jonas esteve por três dias e três noites dentro do grande peixe,
assim também o Filho do Homem estará no fundo da terra por três dias e três
noites.” (Mateus 12:40)
O
reflexo invertido é que Jesus não foi engolido pela sepultura, ao invés disso,
Ele foi quem tragou a morte pela vitória! Jesus também não foi vomitado pelo
túmulo, Ele foi ressuscitado pelo poder da glória de Deus! O castigo para Ele
não foi ficar dentro de um peixe, foi ficar sobre uma cruz! Não por causa das
suas transgressões, porque elas nem existiam, mas por causa dos seus
transgressores que não acreditaram no peixe
Ichthys, no Jesus (Iesous) Cristo (CHristos) de Deus (THeou) Filho (Yios) o
Salvador (Soter)!
2º) Vimos também que Jesus é o peixe que veio trazer a
provisão para as nossas necessidades! Ele é o nosso alimento, Ele é o nosso
sustento até no deserto, até quando o mar não está pra peixe, até quando o
próprio mar está morto! E toda esta provisão tão abundantemente generosa está a
nossa disposição sem precisarmos pagar nada por ela, é pura graça,
superabundante graça, abençoada e multiplicada em muitos cestos cheios
distribuídos a cada um de nós para termos o que compartilhar com os famintos,
sempre mantendo a comunhão da ceia na mesa com a verdadeira comida!
3º) O peixe foi uma segunda chance para Jonas voltar e
levar a mensagem para Nínive. A mensagem da cruz é a última chance que Jesus concede
para nos levar de volta ao Pai. Jesus não precisou de um peixe para corrigir a
sua rota, Ele precisou de uma cruz para abrir um novo e vivo caminho da terra
para o céu, uma ponte religando o homem a
Deus! O peixe foi o transporte para voltar
a Deus!
Enfim, está aqui quem é maior que Jonas, quem é maior que o
peixe que engoliu Jonas, está aqui JESUS, nosso peixe, nosso Ichthys, Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador!
REFLEXÕES NA MARINA:
Quando lancei o meu livro com os 5
volumes da série “O CORDEIRO Marinado em Porções” em uma só coleção, eu já
tinha publicado também os 2 primeiros volumes da série Poemas Temáticos, então,
certo dia, quando estava orando por eles, veio em minha mente o seguinte
pensamento: “Aqui estão os seus 5 pães e os seus 2 peixinhos que Eu abençoei e
multipliquei para você mesma dar de comer às multidões famintas!
E assim eu tenho
feito! Como sementes lançadas ao solo, tenho plantado a Palavra de Deus, crendo
que no tempo e no modo de Deus os frutos serão colhidos! Tenho me levantado e
trabalhado na minha missão, fazendo a minha parte, mesmo que ainda não vejo se
levantar uma grande e abundante colheita. Vejo os pães e os peixes em minhas
mãos, enxergo a bênção e a multiplicação transbordando de unção inspiradora no
meu coração. Mas a visão das grandes multidões, por enquanto, ainda está apenas
nos olhos da fé, acreditando nas coisas que não vejo, mas creio, mesmo não
podendo olhar para o invisível!
Aliás, você está
aí, se alimentando do meu Banquete Espiritual, e não é porque eu não estou te
vendo que você não existe! Você pode não ser a multidão, mas vale mais que
muita gente! Obrigada por estar aí junto comigo! Quando terminar esta página,
por favor, ore agradecendo por este alimento que tenho oferecido, faça isso
sempre antes de começar uma nova refeição aqui, peça para que ela se mantenha
sempre como uma bênção pura, sem mistura, uma palavra agradável, temperada com
sal, como a receita de Colossenses 4:6, marinada no azeite no Espírito Santo
para nutrir a todos com saúde, força e vigor espiritual.
E além de lançar as
sementes na terra, tenho também lançado as redes ao mar como ensina a parábola
de Mateus 13:47, dizendo:
“O Reino dos céus
pode ser ilustrado por pescadores que lançam a rede na água e juntam peixes de
todas as qualidades, bons e ruins. Quando a rede está cheia, eles a arrastam
para a praia, sentam-se e separam nos cestos os que servem para comer, e jogam
fora os ruins. É assim que será no fim dos tempos.”
Às vezes podemos
pescar com varas, em um evangelismo pessoal com iscas exclusivas para cada
espécie, ou com as redes alcançando os “cardumes” em massa com a pregação
generalizada das Boas Novas.
Aliás, hoje as
“redes sociais” tem sido um bom instrumento de pesca! Eu e meu WhatsApp
servimos ao Senhor! Minha conta no Youtube tem sido literalmente um “canal” de
evangelização e discipulado com meu áudio-livro. Sempre apresentei meu Facebook
como uma página de um livro virtual que mostra a Face do Senhor! Tenho todo o
conteúdo dos meus livros disponível no meu site “Mina de Palavras”. E cada
story no meu Instagram está contando de alguma maneira a História de Jesus ou o
reflexo que ela tem na minha história.
Outro reflexo muito
peculiar que o peixe transmite para mim é um lugar de quietude e solitude onde
eu posso dar vazão às minhas reflexões com liberdade, exclusividade e
privacidade! Ah... como gosto deste lugar! Pode parecer fúnebre, mas depende do
ponto de vista! Se você ainda não conhecia este meu lado ermitão, muito prazer,
eu amo esse tipo de refúgio que promove a contemplação e o distanciamento da
agitação da vida urbana. Não é sem razão que escolhi morar numa ilha,
não chega a ser deserta, mas fora de temporada, é uma tranquilidade perfeita!
Se para Jonas o
peixe serviu como um cemitério, para mim serviria como um eremitério! Confesso
que nem conhecia esta palavra até então! É que fui pesquisar um bom adjetivo
que definisse uma pessoa que gosta de quietude e solitude para me apresentar
aqui de uma maneira mais positiva, e então apareceu o “eremita” como um deles e me
chamou a atenção o nome do seu lugar: eremitério!
Não
teve como não associar com “cemitério”! E então, quando perguntei para o Google
qual a associação de cemitério com eremitério, ele me trouxe uma explicação que
nuuooooosaaaaa, acabei gostando ainda mais desse tal lugar, veja:
“A palavra ‘eremitério’ tem uma sonoridade que rima com
‘cemitério’, o que contribui para a associação poética de que ambos os lugares
são antídotos para a agitação da vida moderna. Ambos os locais representam, na
tradição cristã, um elo entre o mundo terreno dos vivos e as moradas celestiais
da vida eterna. O eremita, vivendo no eremitério, isola-se do mundo para focar
na vida espiritual, na busca de Deus e na contemplação, o que inclui a
aceitação da própria morte (finitude).
Em resumo, a conexão é que o eremitério é onde se prepara a
alma para o fim, enquanto o cemitério é onde se repousa o corpo após o fim.”
Tudo a ver com as
minhas expectativas quando me retiro para a minha “tenda do encontro” (nome que
costumo dar para este cômodo da minha casa) e que aqui se refletiu na barriga
do grande peixe de Jonas, o meu peixe Jesus!
E penso que o peixe
na vida de Jonas teve exatamente estas finalidades! Foi lá que ele teve um novo
encontro do Deus, orou, clamou, se quebrantou e se aquietou da sua fuga insana.
Foi lá que ele deve ter reconhecido sua pequenez diante da grandeza do seu
Deus. Foi de lá que, pelo arrependimento do seu interior, ele saiu em
livramento para o seu exterior.
E são também estes
reflexos que eu desejo obter no meu tempo a sós dentro do meu “peixe secreto”!
O melhor lugar para se estar é “em Cristo” , onde estas reflexões borbulham na
minha mais íntima, solitária e silenciosa comunhão com Deus! Quer seja “para o
ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para
que o homem de Deus [e eu também como mulher
de Deus] seja apto e plenamente preparado para toda boa obra”
2 Timóteo 3:16-17
*
Bem, eu já tinha
encerrado minhas reflexões pessoais por aqui*, mas...
Algo muito especial
aconteceu nesse ínterim, ou seja, de ontem para hoje, que eu quero compartilhar
com você.
Ontem eu terminei
de escrever este capítulo até aqui* na noite anterior e fui deitar, mas, antes
de dormir, eu gravei um áudio para o Davi, meu filho, contando estas minhas
reflexões sobre o peixe, em especial a do “eremitério” do “eremita”, até porque
ele também tem vivido relativamente assim, e achei que iria se interessar...
Dormi sem a
visualização dele. No dia seguinte (que para mim é hoje), ele me responde que
ontem à noite, antes de dormir, estava lendo um livro e o capítulo tratava
exatamente do peixe como símbolo do cristianismo!!! Não é muita
sincronicidade??? Achei demais!!
Considero como
sinais divinos estas “coincidências”, como se estivéssemos sendo ministrados
pelo mesmo Espírito, a respeito de um mesmo tema, no mesmo momento. Mais um
sinal que o “peixe” está vivo! E mais, se movendo no oceano do Espírito! Desta
vez eu fui no profundo, hein!!
Então, agora é sua
vez, bora mergulhar nas profundezas do oceano do Espírito Santo, entrar para o
interior do Grande Peixe e refletir nos múltiplos reflexos que todas estas
reflexões estão produzindo dentro de você!
REFLEXÕES NA MINHA VIDA:
Capítulo 6
A ABOBOREIRA E O BICHO
|
T |
emos
visto a soberania de Deus agir na criatura humana e em toda a criação divina
revelando lições de vida que edificam e trazem discernimento espiritual para
lidar com nossas experiências diárias.
Só nesta mínima porção da Palavra de
Deus encontrada nos 4 únicos capítulos do pequeno Livro de Jonas, deu para
notar como o desejo de Deus é diferente da
vontade humana, como os pensamentos de Deus são mais elevados que os
nossos pensamentos e como os sentimentos do
Senhor são mais nobres do que as nossas pobres emoções.
Já vimos
também, quando Jonas disse temer “o Deus
do céu, que fez o mar e a terra” (1:9), que nosso Deus é Deus do céu, do mar
e da terra! Diferente de nós que, por enquanto, só somos da terra. Por isso Ele
tem domínio sobre o céu, o mar e a terra!
Refletimos
sobre o vento, Seu agente do céu em Jonas 1!
Refletimos sobre o peixe, Seu agente
do mar em Jonas 2!
E aqui
refletiremos sobre a planta e o verme em Jonas 4, ou como é também traduzido em outras versões, a
aboboreira e o bicho, agora como Seus agentes da terra, além do vento que
reaparece neste episódio, agora
não mais acompanhado da chuva fria, mas do sol quente!
Estas reflexões, entre outras curiosidades, nos revelaram
como estas forças da natureza, estas criaturas submissas da criação, estão
muito mais dispostas e disponíveis para obedecer ao Criador do que o próprio
ser humano! Por isso tentei tantas vezes me espelhar no reflexo destes “agentes
divinos” durante meus momentos de reflexões! Porém, eu reconhecia minhas
diferenças gritantes! E vou descrevê-las aqui e não lá porque imagino que sejam
comuns a todos nós, a todos que tem em comum este dom privilegiado do “livre
arbítrio”, esta liberdade de decisão que foi negada a estes elementos da
natureza.
Suponhamos que, como o vento,
estivéssemos soprando uma brisa suave em um dia de clima ameno... quem dentre
nós gostaria de obedecer a ordem de se lançar no mar como um tufão e colocar
toda uma embarcação no olho do furacão? Já iríamos nos contrapor a esta
estratégia violenta do Criador e procuraríamos, como Jonas, fugir por algum dos
outros quatro ventos da terra! Mas o vento não questionou, o vento simplesmente
obedeceu (1:4).
Imagine agora ser um mar calmo e tranquilo servindo de base
segura para os navios em uma tarde de pôr do sol encantador... e de repente
perceber que teu Criador que dar uma agitada nas suas águas e provocar um
maremoto junto com o ciclone que já está girando a mil por hora! Quem de nós
desejaria deixar a calmaria do oceano para virar um tsunami com ondas
gigantescas para o terror dos marinheiros? Diga-me, cá entre nós, se não resistiríamos
ao Criador apresentando as mais razoáveis razões para manter nosso sossego de
maré mansa. Só que não, o mar seguiu os comandos do seu Criador e “ia se tornando cada vez mais tempestuoso
contra eles” (1:11 e 13)!
O Senhor
ordenou ao peixe e ele engoliu (1:17)! O Senhor ordenou de novo e o peixe
vomitou (2:10). O Senhor fez crescer uma planta e ela cumpriu o propósito de
oferecer sombra (4:6). Igualmente o Senhor enviou um verme e ele cumpriu o
propósito de atacar a planta (4:7). Novamente Deus fez o vento quente soprar e
o sol escaldante esquentar, e ambos cumpriram seus propósitos (4:8). Não há
registros de desacato a autoridade por parte de nenhum deles!
Após esta recapitulação, mostrando com exemplos positivos
da própria natureza o que deveria ser nosso reflexo natural diante dos
propósitos divinos para as nossas vidas, vamos agora voltar nosso foco
novamente para esta criaturinha temperamental da nossa história e examinar mais
de perto o exemplo negativo registrado no último capítulo desta narrativa!
Se preferir, aconselho reler o capítulo 4 do livro de Jonas
antes de prosseguir, lembrando que ele está na íntegra nas primeiras páginas
deste livro. Vai lá... te espero aqui para continuarmos juntos!
Pois bem! Fico imaginando a cena...
O profeta emburrado saiu da cidade e
construiu um abrigo para sentar-se à sua sombra e ver o que aconteceria com a
cidade. Não me pergunte quanto tempo isso levou, porque o texto não diz! Não me
pergunte o que aconteceu com a cabana que ele construiu, porque a Bíblia não
fala! Mas eu me perguntei, porque alguma coisa aconteceu, ou muito tempo se
passou, entre o verso 5 e o verso 6, porque no 5 Jonas está abrigado na sombra
que construiu, mas no verso 6 diz que “o
Senhor Deus fez crescer uma planta por cima de Jonas, para que fizesse sombra
sobre a sua cabeça, a fim de o livrar do seu desconforto.”
Ora, isto me fez pensar que a “obra
de construção” de Jonas não foi muito eficaz, ou duradoura. Em outras versões
diz que era “uma enramada” (ARA), ou
seja, uma cobertura feita com ramos, folhagens ou galhos de árvores. Será que “desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e
caiu, e foi grande a sua queda” conforme a parábola de Mateus 7:27, revelando
o homem insensato que foi Jonas quando ouviu
as palavras do Senhor, e não as cumpriu?
Porque se a sua cabaninha estivesse
firme e forte, não haveria necessidade de outra, concorda? Então, podemos
concluir que a mão de obra de Jonas foi passageira e que a obra de suas mãos
não prevaleceu! Mas não sou eu quem poderá julgar, “se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras
preciosas, madeira, feno ou palha, a obra de cada um se tornará manifesta, pois
o Dia a demonstrará. Porque será revelada pelo fogo, e o fogo provará qual é a
obra de cada um.
Se aquilo que alguém edificou sobre o
fundamento permanecer, esse receberá recompensa. Se a obra de alguém se queimar, esse
sofrerá dano.”
É o que está dito em 1 Coríntios 3:12-15!
Talvez você possa achar que eu estou refletindo demais, pra
não dizer “viajando demais na maionese”, ou especulando além do normal,
enfim... eu posso até admitir que sim! Mas, não esqueça, esta sempre foi nossa
proposta original, mergulhar no profundo, cavar os tesouros escondidos, extrair
as pérolas mais raras e caras da Palavra! E, especificamente, este último
capítulo de Jonas, onde consta esta narrativa, o Senhor usa de uma pedagogia
lúdica muito surpreendente para ensinar lições valiosas para seu servo depois
das provas aplicadas.
Sendo assim, é muito estimulante dobrar a atenção e captar
bem aqui, neste último feedback, o
máximo de “sinais em Jonas” que nos ensinem
a acertar nossas questões aprendendo com os seus erros!
Sabe, já notei que, muitas vezes, não aprendemos só com a
teoria da sala de aula, não assimilamos tudo somente ouvindo os sermões na
igreja sem que haja uma experiência própria no nosso laboratório de vivências
pessoais. E, dependendo do nosso nível de cognição, discernimento, sensibilidade
e disposição em aprender, algumas vezes, nem isso basta, é necessário
“desenhar”, passar a matéria a limpo sinalizando os erros da prova em vermelho
para chamar a atenção e evitar que se passe despercebido ou desconsiderado
qualquer desentendimento.
Creio que Deus estava fazendo isso com Jonas naquela
revisão após tarefa cumprida! E é muito importante que cada um de nós tenha
esses momentos de avaliação diante do Mestre a cada prova submetida, de
preferência com um coração vulnerável, um espírito ensinável e uma mente
dilatada.
Percebemos que não era bem esse o estado emocional que
Jonas se encontrava. O capítulo inicia com uma descrição nada agradável: “Jonas ficou muito aborrecido e com raiva.”
(4:1) E o pior de tudo são os motivos da raiva! Aborrecido ela confessa em
oração:
“Ah! Senhor! Não
foi isso que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei,
fugindo para Társis, pois sabia que tu és Deus bondoso e compassivo, tardio em
irar-se e grande em misericórdia, e que mudas de ideia quanto ao mal que
anunciaste. Agora, Senhor, peço que me tires a vida, porque para mim é melhor
morrer do que viver.” (Jonas 4:2,3)
E foi por causa desta absurda resposta que o Senhor lhe faz
a devolutiva: “Você acha que é razoável
essa sua raiva?” (4:4)
Como pode alguém ficar emburrado com a misericórdia de
Deus? Como ter raiva da bondade do Pai? Ficar irado porque Deus foi compassivo,
como assim? Pois é esse o título que aparece no cabeçalho deste capítulo na
minha Bíblia: “A raiva de Jonas e a misericórdia de Deus”. De fato, aí está o
grande contraste da vingativa natureza humana e da compassiva natureza divina.
Muito provavelmente veremos nossos reflexos nestes sentimentos tóxicos quando
pararmos para refletir diante do espelho.
Tão zangado ele devia estar que nem respondeu ao Senhor! Dá
a impressão que ele virou as costas, deixou Deus falando sozinho “saiu da cidade e sentou-se num lugar a
leste da mesma. Ali construiu um abrigo, sentou-se na sombra, para ver o que
aconteceria com a cidade.” (4:5)
Penso que se fizéssemos uma enquete para descobrir o que
Jonas queria ver acontecer com a cidade, não duvido que a grande maioria das
opiniões afirmasse, sem medo de errar, que ele queria ver a destruição dela! Pelo
visto, esta era a sua esperança, afinal, a pregação dele em 3:4 profetizava exatamente
isso: “Ainda quarenta dias, e Nínive será
destruída.”
Por isso ele não foi embora antes de vencer o prazo dos 40
dias! Ah... e agora ficou explicado também porque a cabaninha não durou todo
este tempo. Aliás, ele bem que poderia ter usado este tempo para “ver o que
aconteceu com ele”, para primeiro se olhar no espelho e tirar a trave de
maldade que estava no seu próprio olho antes de querer apontar o cisco de
violência no olho do seu inimigo! Mas a sua Lei mosaica não dizia isso, ele era
do tempo do “olho por olho, dente por
dente”! Talvez ele tenha até participado de muitos apedrejamentos em
adúlteros por não conhecer Aquele que disse:
“Aquele que não tem
pecado, que atire a primeira pedra.”
No entanto, ainda que não conhecesse Jesus, nem a Lei da
Nova Aliança, ele sabia que Deus era
bondoso e compassivo, tardio em irar-se e grande em misericórdia, e que muda de
ideia quanto ao mal que anuncia. E assim como hoje queremos imitar a Jesus,
ele também, no passado, deveria querer ter um coração segundo o coração de
Deus!
O problema era que, literalmente, Jonas estava na sombra,
uma sombra mal assombrada, para um profeta mal humorado, uma sombra desprovida
de luz que lhe iluminasse o entendimento, uma sombra destituída de calor que
lhe aquecesse o coração, uma sombra popularizada na psicologia analítica por
Carl Jung, como a parte oculta e inconsciente da personalidade que inclui
características que a pessoa esconde ou rejeita em si mesma com sentimentos
reprimidos.
Diante deste estado, Jonas precisava de cura espiritual, ele
precisava ser tratado na sua alma, precisava passar por uma sessão terapêutica
com o seu Criador, Autor e Consumador da sua fé que estava logo ali
observando... E na hora marcada... com as “técnicas” eficazes que só Pai
Celestial sabe usar para disciplinar e corrigir seus filhos, Deus começa a agir
e faz “crescer uma planta por cima de
Jonas, para que fizesse sombra sobre a sua cabeça, a fim de o livrar do seu
desconforto. E Jonas ficou muito contente por causa da planta.” (4:6)
Bom... pelo menos o seu emocional já aparentou uma melhora
significativa “ficou muito contente”!
Também o bem estar físico foi recuperado ficando livre do seu desconforto! Mas não era só com o corpo e com a alma
que Deus estava querendo mexer! O processo ainda estava só começando!
“No dia seguinte,
ao amanhecer, Deus enviou um verme, que atacou a planta, e ela secou.
Quando o sol nasceu,
Deus fez soprar um vento leste muito quente. O sol bateu na cabeça de Jonas, de
maneira que ele quase desmaiou. Então pediu para morrer, dizendo: — Para mim é
melhor morrer do que viver!” (4:7,8)
Oh não! Que bipolaridade complicada esse Jonas estava
vivendo nestes picos altos e baixos de emoções desequilibradas!
Ora depressivo a
ponto de desejar morrer diante da compaixão divina pelos seus inimigos, ora
eufórico demais com um conforto e um alívio temporário, e novamente descontente
e irritado por tão pouco! Sintomas inegáveis de uma depressão com alterações
extremas no humor e nas reações comportamentais!
Por três vezes seguidas, só neste capítulo, ele preferiu a
morte a continuar vivo vendo a salvação dos ninivitas. Ao contrário de Paulo
que, embora preferisse estar com Cristo, o que era incom-paravelmente melhor,
escolheu viver para ainda poder “fazer
algum trabalho frutífero” em prol do progresso da fé dos filipenses
(1:22-25)
“Então Deus perguntou a
Jonas: Você acha que é razoável essa sua raiva por causa da planta? Jonas respondeu: É tão razoável que até quero morrer!” (4:9)
Seria de se espantar uma resposta desta vindo de um homem
de Deus, profeta do Senhor, se hoje também não presenciássemos tanta inversão
de valores tal como esta. Li recentemente um artigo que descrevia a nossa
geração como a de “pais que colocam filhos na creche, os pais no asilo e vão passear
com seus cachorrinhos!”
É o mesmo que ter dó de uma plantinha que secou, mas não
ter compaixão de uma cidade inteira que poderia ser subvertida.
E então a conversa entre o compassivo Ser Divino e o
impiedoso ser humano, para não dizer desumano, alcança o ápice da lição de
moral quando o Senhor encerra a história com suas últimas palavras nos versos
10 e 11 deste último capítulo:
“Você tem compaixão
da planta que não lhe custou nenhum trabalho. Você não a fez crescer. Numa
noite ela nasceu e na noite seguinte desapareceu.
E você não acha que
eu deveria ter muito mais compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais
de cento e vinte mil pessoas, que não sabem distinguir entre a mão direita e a
mão esquerda, e também muitos animais?”
Vale observar que não há problema em se preocupar com os
animais nem com as plantas, vemos aqui que o Senhor fez questão de expor a
extensão da sua compaixão inclusiva até aos animais! A questão é priorizar cada
coisa, ou melhor, cada ser, no seu devido lugar na nossa escala de valores, não
só teóricos, mas práticos!
A mudança no desfecho da história que a bondade de Deus
escolheu dar ao enredo da redenção de Nínive era motivo suficiente para que o
livro de Jonas terminasse em efusivo “Final Feliz.” E graças a Deus que aquela
geração de ninivitas pôde celebrar um Happy
End espetacular estando destinados à destruição! Acredito que também houve
festa no céu por aquelas mais de cento e
vinte mil pessoas que se arrependeram do
que pelo único “justo” do elenco que achava não precisar de arrependimento, mas
carecia de salvação tanto quanto!
Como profeta, Jonas pode até ter previsto a misericórdia de
Deus pelo arrependimento da cidade, por isso fugiu! Não queria participar de
uma história que não concordava com o final feliz. Talvez preferisse mais o
estilo de finais onde o bandido morre e o herói é reconhecido!
Lamentável Jonas ter perdido esta festa! Como é triste
alguém não se alegrar com a salvação dos pecadores, não se regozijar por novas
inscrições no livro da vida!
Sabemos o final feliz dos ninivitas e dos marinheiros, mas
não sabemos o final de Jonas, ao que parece, o seu final foi querendo dar um
fim na sua própria vida.
Jesus disse: “alegrai-vos, antes, por estar
o vosso nome escrito nos céus” (Lc. 10:20). Com isto Jesus estava querendo
ensinar que, antes de tudo, acima de tudo, o nosso gozo só seria completo
quando nos alegrássemos primeiro por ter nossos nomes escritos no céu. E por
que não também com os nomes de nossos amigos e até inimigos?
Daqui a pouco vamos ter a
oportunidade de também sermos tratados no divã do Senhor e compreender as
ilustrações que Ele fará surgir na nossa cabeça, não para sombra, mas para
iluminação do nosso entendimento. Não para nosso conforto, mas para nosso
confronto. Não para nos refrescar, mas para nos levar a refletir sobre nossa
saúde emocional e espiritual.
Não vamos deixar o Senhor falando sozinho, esperando com
perguntas que não querem calar! Talvez seja até por isso que o livro acaba na
expectativa de respostas, não só de Jonas, mas de cada um de nós! Vamos
cooperar com nosso “Final Feliz” neste capítulo.
REFLEXÕES EM JESUS:
Antes de começar a expor as
reflexões que me vieram à mente ao refletir sobre os reflexos de Jonas em Jesus
com relação à planta e ao bicho, eu sinto que devo novamente esclarecer que o
meu critério de estudo pessoal pelo livro de Jonas não se limita apenas ao
aspecto textual, expositivo e temático. É certo que existe uma história real,
em um cenário geopolítico verídico, com uma temática peculiar bem definida.
Entretanto, ainda que haja quem a interprete como ficção, alegoria ou parábola,
não podemos descartar a possibilidade de que toda essa realidade concreta também
possa oferecer uma interpretação espiritual mais profunda durante a experiência
devocional no particular de cada um, sem ferir a legitimidade da hermenêutica
ou da exegese dos mais conservadores.
Eu, particularmente, acredito muito na
existência dos “tesouros escondidos” da Palavra de Deus, e, sinceramente, eu os
procuro com muito mais diligência do que propriamente o sentido literal do
texto, ou mesmo o alusivo superficial que caracterize uma homilética impecável.
Feita esta introdução preventiva, eu
já me sinto mais à vontade para compartilhar o reflexo que brilhou diante dos
meus olhos quando eu vi a cena de Jonas, fora da cidade, pedindo a morte,
esperando para ver o que aconteceria com a cidade, enquanto uma árvore era
levantada e um verme a atacava!
Uma
realidade paralela se abriu na janela da minha imaginação. Vi Jesus sendo morto fora da cidade de Jerusalém,
trazendo esperança de salvação para
um mundo destinado a destruição! Vi a Raiz de Davi, a Videira Verdadeira,
a Árvore da Vida, ser ferida no calcanhar pela serpente e morrer, a cena era
sombria, mas em pleno calor da luz do meio dia houve trevas sobre toda a terra
até as três horas da tarde!
Verdadeiramente um reflexo invertido
de Jonas em Jesus. Enquanto Jonas quis morrer porque a cidade foi poupada do
castigo previsto, Jesus quis dar a Sua vida pelo mundo para este ser redimido
da condenação profética.
Eu vejo nitidamente neste reflexo um
“sinal” de Jonas indicando o que aconteceria com Jesus na cruz sobre a terra, e
não só nos três dias e três noites debaixo da terra.
O grande diferencial está no fato de
que, enquanto Jonas emburrado desapareceu de cena, Jesus ressuscitado reaparece
vitorioso porque pisou a cabeça da serpente e o Renovo voltou a florescer,
trazendo sombra e refrigério para todos que junto a Ele se aproximam!
Indo
mais além, podemos tomar também por reflexo invertido o próprio Adão que
diante de uma árvore foi igualmente atacado por um “verme” e morreu. Sim, Adão
foi outro que também tentou fugir da presença de Deus e se escondeu nas moitas
da vergonha e da culpa. Porém, quando Deus lhe fez as perguntas, ele não deixou
o Senhor sem respostas, ele confessou seu pecado e sofreu a consequência,
levando toda a humanidade junto para fora do jardim.
Diante destas imagens de Jonas, Adão
e Jesus... qual o reflexo que desejamos espelhar?
Que já fomos todos “mordidos” pela
serpente não há como contestar! O antídoto agora é olhar firmemente para o
Autor e Consumador da nossa fé, olhar para o madeiro da Árvore da Vida
levantado para nos curar, tal qual o sinal de Moisés levantando a serpente de
bronze no deserto!
Tudo aponta para Jesus! Tudo sinaliza para a mensagem do
Evangelho! E o Evangelho tem a hora de sombra na crucificação, tem a hora de
trevas no sepultamento, mas tem a hora da alvorada na ressurreição, ou seja,
tem a hora de se entristecer, mas tem a hora de se alegrar, o choro pode ter
durado só uma noite (ou quando muito três), mas a alegria veio ao amanhecer de
uma eternidade!
Os discípulos estavam também todos sentados à sombra de
temores e tristezas esperando para ver o que aconteceria na cidade, mas Lucas
nos conta que “Jesus os levou para fora da cidade, até Betânia. E,
erguendo as mãos, os abençoou. Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se
retirando deles, sendo elevado para o céu. Então eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém cheios de alegria.” (24:50-52) Alegre-se com a Videira
Verdadeira!
REFLEXÕES NA MARINA:
Quando escrevi
sobre o tema deste capítulo, há mais de 20 anos, não me lembro bem agora o que
estava se passando comigo naquela época, mas quase todo o manuscrito original
constava mais sobre o reflexo da aboboreira e do bicho nas circunstâncias que
eu estava vivendo, do que propriamente sobre Jonas.
Quando eu recortei
de lá e copiei aqui, não sobrou quase nada lá daquele tempo, quase tudo que
abordei foi desta versão mais recente.
Então seguem abaixo
as reflexões na Marina de vinte anos atrás:
É difícil
confessar, mas já me senti tão aborrecida quanto Jonas. Chorei, chorei muito
porque uma das “aboboreiras” que
o Senhor fez nascer para mim e que tanto me fazia bem tinha morrido! Estava
zangada com o “bicho” que a
comeu, com o Senhor que mandou o bicho
comer, com o sol que estava me deixando de cabeça quente, com o vento quente e
abafado que estava me sufocando... e com isso... e com aquilo... (4:4 a 9).
Como
é fácil assistir com olhos críticos a ira de Jonas. Como é simples condenar seu
descontentamento por causa da perda de uma planta. Percebi que o Senhor não
quis dar uma lição só para Jonas com o incidente da aboboreira.
Ele quis me ensinar
também e não só na teoria, mas na experiência própria. Eu poderia, como já
tenho feito aqui, escrever sobre “As
lições de vida do livro de Jonas”, mas o Senhor quis mais que isso, quis
que eu vivesse, quis que eu provasse e sentisse na pele.
E sabem a que
conclusão eu cheguei? Eu sou igualzinha a Jonas! E, a essa altura, você também
já deve ter notado que também tem suas semelhanças!
Pense
bem: Vivemos muitas vezes na mediocridade de sentimentos regidos por valores
transitórios. Como Jonas se alegrou em extremo com a sombra da árvore (4:6),
nós também potencializamos uma felicidade passageira e deixamos de nos alegrar
com a eterna.
Quando eu chorava
as perdas das minhas “aboboreiras”,
o Senhor falou bem forte no meu coração: “É
razoável este teu ressentimento?” (4:4). Bastante contrariada, ainda
quis argumentar, minhas razões e emoções humanas defendiam a minha causa, mas
os pensamentos e os sentimentos divinos me condenavam quando, pela segunda vez,
o Senhor me confrontou: “É acaso
razoável que assim te enfades por causa da aboboreira?” (4:9).
Foi como se aquele
sol quente que me incomodava, agora começasse a “fritar” meus valores
invertidos iluminando os sentimentos desequilibrados do meu coração. Eu me
derreti na presença do Todo-poderoso e deixei que Ele refrigerasse a minha
alma. Era como se eu também pudesse ouvi-Lo dizer: “Marina, você está triste por
suas perdas materiais, emocionais, artificiais, temporais que existem ou deixam
de existir por minha vontade e não por sua causa e não hei de eu estar triste
pelas muitas almas que se perdem contra a minha vontade, mas por causa da sua
omissão em levar-lhes a minha salvação?” (4:10) Isto, sim, foi mais que uma
mordida, foi um puxão de orelha que me levou a chorar ainda mais, desta vez,
levada por uma paixão nobre pelas almas.
E não parou por aí,
ele continuou: “Marina, você se alegra com as bênçãos que eu faço nascerem em
sua vida, benefícios que começam ou acabam conforme minha determinação e não de
acordo com a sua condição e não hei eu de fazer festa aqui no céu quando um
pecador se arrepende determinado a mudar de condição?” (4:11)
É verdade, Senhor!
Foi aí que eu me calei e dispus no meu coração estabilizar minhas emoções, sentimentos e valores medíocres nos parâmetros divinos e não mais na escala de valores oscilante que minha mentalidade carnal estava priorizando!
Passados esses mais
de 20 anos, de fato, muitas aboboreiras continuaram nascendo e me trazendo
refrigério e prazer. Da mesma maneira, os vermes assassinos também continuam a
atacar! No entanto, devo confessar, agora com alegria, que não estou chorando
tanto! Mas me alegrando mais! Não tanto com as boas aboboreiras e nem tanto com
os bichos maldosos, mas me alegrando sempre no Senhor, me regozijando outra vez
em Deus, em ter meu nome escrito no Livro da Vida! E que eu só me entristeça
mesmo por tantos nomes que poderiam também lá estar e não estão! Isto sim é
triste e lamentável!
Entendi que uma boa
tática para acabar com a tristeza é levar aos perdidos a verdadeira razão da
nossa alegria!
E sejam quais forem
as nossas “aboboreiras”, podemos nos alegrar com os benefícios que elas
oferecem, mas elas não são eternas, não são duradouras, não é o motivo
principal e condicional da nossa alegria, porque mesmo que elas morram, nossa
alegria não vai morrer com elas, antes, vai perdurar!
No decorrer da nossa vida
desfrutaremos de muitas “aboboreiras”, mas elas vêm e vão, da mesma maneira que
nascem, morrem. Da mesma forma, enquanto estivermos neste mundo iremos
constantemente ter que superar as “mordidas infernais” que são enviadas para
matar, roubar e destruir.
Neste ciclo de
ganhos e perdas, não podemos ser levados por lágrimas e sorrisos como crianças
inconstantes. Temos que ter a convicção de que este “bicho” só pode matar o que
já está destinado à morte e, assim, poderemos conservar a nossa alegria
eternamente.
Como Jonas desmaiou e desejou a
morte quando sentiu o calor do sol (4:8), nós também desfalecemos e desejamos
desistir de tudo quando sentimos a “coisa esquentar”. Subestimamos a estrutura
que Deus confiou em nossa nova natureza e concluímos que não poderemos
suportar, que chegou ao nosso limite! Que nada! Foi só mais uma mordidinha do
bicho dos infernos! Não se aflija com os seus ataques! Ele pode morder e matar
nossas “aboboreiras”, mas jamais ele poderá morder a nossa Videira Verdadeira e
nunca poderá matar a vida e a alegria que Ela nos oferece!
* O tema deste capítulo é bastante oportuno para reforçar meu posicionamento na capa: a pena em forma de ramo ligado a Videira... sem ela nada posso fazer!
No meu rascunho o ramo da árvore
tomava o formato de uma caneta de pena escrevendo o livro. Meu designer gráfico
não conseguiu manter esta proeza ao passar a limpo nas devidas medidas e
proporções. Mas deu para captar a mensagem!
REFLEXÕES NA MINHA VIDA:
Capítulo 7
ORAÇÃO!
|
O |
assunto em foco desta vez será “oração”.
É
estranho ter que admitir, mas... parece que nosso profeta aqui não era lá muito
de oração.
De cara, no primeiro capítulo, Deus fala com Jonas, mas não
há registro de que Jonas falou com Deus. Sabemos que oração é um diálogo entre Deus e o homem, e o interessante é que
nesta passagem quem “puxa conversa” com o homem é o próprio Senhor. No entanto,
Jonas não responde e, o pior, não obedece e ainda foge do “papo”! Literalmente
ele deixou Deus falando sozinho porque preferiu “fugir de diante da face do
Senhor!”
Lamentavelmente faltou mais oração nos capítulos da vida de
Jonas, por isto, este capítulo aqui do meu livro sobre oração está sendo também
o menor.
Gostaria de poder ter reflexões sobre a oração de Jonas
quando Deus falou com ele para ir e pregar... Se ao menos ele respondesse com
uma breve, mas predisposta oração do tipo: “Eis-me aqui, Senhor, envia-me a
mim!” Já daria mais uns bons parágrafos para refletirmos...
Certamente, depois dessa, ele registraria outra oração de
intercessão pelo povo que ouviria a sua pregação, pediria proteção pela viagem e
buscaria direção e unção para ministrar
com mais poder.
Agora, mesmo não tendo feito estas primeiras orações em
linha com a vontade de Deus, ele bem poderia ter orado confessando sua
indisposição, abrindo seu coração ao Pai, pedindo até que, se fosse possível,
Ele passasse dele este “cálice”, ou que o ajudasse nessa sua fraqueza e dureza
de coração... poderia ter sido diferente...
Já seria diferente, eu creio, se ele tivesse orado ainda
dentro do navio, orado pelos marinheiros, orado para a tempestade se acalmar,
orado pedindo perdão por estar causando toda aquela mudança de tempo, não só no
clima da meteorologia, mas também na atmosfera espiritual daquele ambiente!
Faltou oração aí também!
Jonas, que dizia conhecer o Deus do céu (1:9), não orou nem
na hora da provação, nem na hora em que todos no barco “clamavam cada um ao
seu deus” (1:5), nem na hora em que o mais incrédulo dos homens disse “ora
que melhora”, o que, em outras palavras, foi exatamente isso que os
marinheiros aconselharam Jonas e, nem assim, este homem de Deus ousou usar a oração!
Só então, no fim do capítulo que se é feita uma oração ao “Deus que fez o mar”,
muito embora por homens que não O conheciam, mas que, porém, ao constatarem o
resultado de suas orações “estes homens temeram ao Senhor e com grande temor
ofereceram sacrifícios e fizeram votos ao Senhor” (1:16). Quantas vezes, em
meio às nossas lutas, tentamos de tudo, apelamos para todas as armas, até que finalmente
conquistamos a vitória apenas quando nos lançamos de joelhos em orações e
súplicas.
Ainda que muito atrasado, Jonas, enfim, começa o segundo
capítulo em oração: “E orou
Jonas ao Senhor, seu Deus, das entranhas do peixe” (2:1). Isto me fez
lembrar aquela outra passagem que diz “o Senhor espera para ter misericórdia
de nós”. Quase que tarde demais, o Senhor ainda estava esperando para ouvir
a oração de Jonas e, por sua
infinita misericórdia, respondê-la.
Se não oramos na bênção em concordância com a vontade de
Deus, mais cedo ou mais tarde, estaremos orando na maldição em arrependimento
da nossa desobediência. Não obstante, ainda assim, mesmo lá “do ventre do
inferno” podemos gritar e o Senhor ouvirá a nossa voz (2:2). Melhor seria
não demorar tanto como Jonas que apenas “lembrou do Senhor quando desfalecia
sua alma” (2:7).
A sua oração trouxe resposta sim. O profeta foi salvo do
castigo, mas o castigo não salvou o profeta. Jonas tomou um banho em águas
profundas, mas este batismo não purificou os seus maus sentimentos. Até a
baleia, adoecida pelos sentimentos tóxicos do profeta, não conseguiu digerir
uma carne tão amarga e um coração tão azedo provocando as ânsias de vômito! Entretanto,
o próprio Jonas não conseguiu vomitar todo o ressentimento preconceituoso
impregnado em suas entranhas contra os ninivitas. O corpo dele se livrou se salvou, mas sua alma ainda estava
perdida no poço do rancor.
Tudo bem, ele teve uma segunda chance, ouviu novamente a
ordem do Senhor, mesmo sem pronunciar de novo qualquer resposta em oração,
desta vez ele foi para onde deveria ir, falar o que deveria falar. Sim, seus
pés foram, mas seu coração não! Sua boca se abriu para falar, mas seu coração
ainda estava fechado para amar.
Foi, mas sem vontade! Fez, mas sem oração! Falou, mas sem
unção! Foi frio, fez feio e falou frustrado. E ainda assim, frutificou!
Como pode? O terceiro capítulo explica como pôde:
Pôde porque neste terceiro capítulo houve oração eficaz!
Foi a vez do público alvo da nossa minissérie orar ao único
Deus capaz de mudar a história de toda uma nação! “Desde o maior até o
menor”, tanto “homens como animais estarão cobertos de pano de saco
(sinal de arrependimento e humildade), clamarão fortemente a Deus (oração fervorosa e sincera), e se
converterão (resultado da oração)”
(3:8).
Mais uma vez Deus esperou para ter misericórdia, agora, da
cidade de Nínive. Mais uma vez Deus ouviu a oração. Mais uma vez Deus respondeu e salvou o homem da destruição.
Bendito seja Deus que não rejeita a oração
sincera do aflito e quebrantado!
Refletiremos mais detalhadamente sobre o terceiro capítulo de
Jonas nos próximos capítulos aqui deste livro.
Mas ainda tem o quarto capítulo,
embora as orações de Jonas no fim da história não mereciam nem comentários, contudo
já fizemos algumas
reflexões sobre elas no capítulo anterior e foram decepcionantes!
Agora, é uma pena que o livro também não acabe com uma
oração de quebrantamento por parte do profeta, mas acabe com uma interrogação
solitária da parte de Deus.
Mais uma vez Jonas deve ter fugido de diante da face do
Senhor! Quem dera que tenha sido por constrangimento ou por vergonha! E ainda
assim, melhor seria, mesmo coberto de vergonha e culpa, se voltar para Deus em
oração de arrependimento. Só que não! Porque não há registro de uma resposta
corretiva do profeta para acreditarmos que ele tenha se arrependido e aceitado o digno tratamento que o Senhor lhe aplicou por
meio de uma representação tão elucidativa como a didática da aboboreira
e do verme!
Será que ele se escondeu novamente? Não temos mais como
saber! E o pior não é nos ter deixado sem saber, é ter deixado o Senhor sem
respostas, mesmo que Ele saiba de todas as coisas sendo Onisciente, mesmo que
Ele saiba para onde foi Jonas desta vez sendo Onipresente, Ele não pode fazer o
que só caberia a Jonas fazer, mesmo sendo Onipotente!
Jonas termina o quarto e último capítulo da mesma forma que
começa o primeiro: calado, em absurdo silêncio diante das
incontestáveis indagações do seu Deus! Isso é razoável??!! Nem um pouco!
O Senhor tenta ainda conscientizá-lo de tamanha
incoerência, mas a tentativa de diálogo que se segue é inútil.
Que este silêncio agora sirva para nos provocar a uma
reflexão antes de responder, mas que de maneira alguma deixemos de orar em
resposta ao que este reflexo de Jonas produziu em cada um de nós!
A Oração que Jesus nos ensinou cabe bem aqui como um prumo para a análise das orações feitas e não
feitas no livro de Jonas e um molde para
a oração agora de cada um de nós!
Siga em Mateus 6:9
Ela inicia identificando Deus como nosso Pai, nosso Rei, títulos
que apontam para Sua Autoridade e Poder tanto nos céus como na terra, cuja
vontade soberana e perfeita deve ser cumprida! Conscientes disto, nossa
submissão e obediência às Suas ordens são inegociáveis e ponto final. Ou então,
não o consideramos como de fato o chamamos: Deus, Pai, Rei e Senhor, se não
fizermos o que Ele nos manda. Concorda?
Jonas conhecia o Deus que servia, mas não servia a Deus
como conhecia. Talvez, só conhecesse de ouvir falar, só conhecesse com a mente,
não com o coração. Talvez conhecesse só pela teoria das Escrituras, mas não
pela prática de sua própria experiência pessoal, até então!
A oração prossegue pedindo o Pão Nosso ao Pai Nosso. Agora me
permita aqui contextualizar o sentido para o Pão da Vida ao invés de focar no
pão para viver, já que nem só deste pão viverá o homem, mas de toda a Palavra
que procede da boca de Deus! A trama toda da nossa história está entrelaçada
justamente no “partir” deste Pão, ou seja, no compartilhar desta Palavra, que
não é “minha”, é de Deus, e quando Ele nos dá, continua não sendo “minha”, é
“nossa”, é para ser distribuída às multidões famintas com uma oração de
gratidão pedindo a bênção da multiplicação!
Jonas tinha este Pão, recebeu a Palavra, mas recusou
compartilhá-la. Não houve gratidão por ela, houve rebelião. Não houve prazer na
bênção, mas haveria contentamento na maldição!
E então vem o clímax da oração quanto ela aborda o perdão
por meio da confissão dos pecados! Como esta porção tem estado tão escassa nas
orações de hoje em dia! Não porque não existam pecados para serem confessados e
perdoados, muito pelo contrário, não existe mais a humildade para admiti-los, a
consciência para reconhecê-los, o temor para abandoná-los! Sem esta parte da
oração, o todo fica partido e não dá a liga para alcançar o Santo, porque o
pecado é o que nos separa de Deus. Quando o confessamos com profundo e sincero
arrependimento, propiciamos o perdão que nos reconcilia com o Pai.
Os marinheiros temeram pecar contra sangue inocente ao
lançarem Jonas ao mar e, de antemão oraram por perdão!
Os ninivitas foram tomados por uma tal convicção de pecado
que rasgaram suas vestes em sinal de humilhação e em jejum e oração clamaram a
Deus pelo perdão e foram reconciliados, como ensinado também em 2 Crônicas 7:14
assim: “E se o meu povo, que se chama
pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos
seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e
sararei a sua terra.”
Estes são os acompanhamentos da oração: antes de
propriamente orar, eles primeiro ouviram (1); creram (2); se humilharam (3);
buscaram a Deus (4) e se converteram (5).
Isto também confirma que os ouvidos do Senhor estão atentos
não só ao “seu povo”, mas a todos os
povos que cumprirem este passo a passo da oração, até os mais indignos e
improváveis, até aos piores pecadores!
Pense em Manassés, considerado o pior de todos os reis de
Judá, reconstruiu altares pagãos e sacrificou os próprios filhos. Mas, após ser
levado com correntes de ferro pelos assírios, sim, os cruéis assírios da nossa
história, humilhou-se profundamente diante de Deus, sendo perdoado e
restaurado!
O que dizer de Acabe, o pior rei de Israel, famoso pela
maldade e por instituir a adoração a Baal influenciado por sua esposa Jezabel.
Ele teve seu pior momento de humilhação ao ser repreendido pelo profeta Elias,
andando cabisbaixo e vestindo panos de saco em sinal de luto e arrependimento.
E Deus viu isso, como viu as mesmas atitudes dos ninivitas. E sabe o que Deus
disse para Elias? “Não viste que Acabe
se humilha perante mim? Por isso, porquanto se humilha perante mim, não trarei este mal
nos seus dias...” (1 Reis 21:28,29)
Mas Jonas... Olha, eu tenho mergulhado
de cabeça nas páginas destas narrativas e, por mais que me
esforce, não consigo achar uma confissão de pecados autêntica e um
arrependimento sincero nas palavras de Jonas. Eu que agora peço perdão se estou
sendo injusta. Mas, sinto dizer que sua
oração no ventre do peixe não me convenceu!
Por isso ainda continuo na expectativa de um dia saber se
Jonas de verdade reconheceu seus erros, confessou-os a Deus com humildade e
arrependimento para ser perdoado. Se você sabe disso, por favor, me conte e me
informe a fonte!
Digo isto porque
esses dias assisti um filme de Jonas com um final feliz, com o profeta voltando
para Nínive todo satisfeito com a salvação e transformação daquele povo, adorando
e glorificando a Deus em um desfecho completamente desconhecido.
Verdade é que a conclusão do enredo ficou muito mais
agradável de se ver, mas a Bíblia não nos autoriza acrescentar, alterar ou
excluir nada do que foi escrito! Aliás, a Bíblia nunca omitiu os pecados nem
dos seus grandes heróis, em vez disso adota
uma postura de extrema transparência, até mesmo para reforçar que ninguém é
perfeito, todos temos falhas!
Justamente por isso, a oração em análise termina pedindo para
Deus não nos deixar cair em tentações, mas livrar-nos do mal!
Este era um bom pedido que Jonas deveria ter feito se
quisesse mesmo um final feliz, longe da tentação de fugir para longe da face do
Senhor e livre de sofrer todo mal que sofreu desde que caiu nesta tentação.
Estas são apenas algumas razões para orarmos!
Note que após o “amém” da oração, o Senhor volta a tratar
exatamente do ponto central de toda a oração? Ele retoma o assunto acentuando
que “se perdoarem aos outros as ofensas
deles, também o Pai de vocês, que está no céu, perdoará vocês; se, porém, não perdoarem aos
outros as ofensas deles, também o Pai de vocês não perdoará as ofensas de vocês.” (14-15)
REFLEXÕES EM JESUS:
Vamos voltar ao reflexo paralelo com Jesus e ver como ele
orou ao Pai em João 12:27-28 diante de um momento, literalmente crucial, da sua
vida: “Pai, salva-me desta hora; mas para isso vim a esta hora. Pai,
glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado
e outra vez o glorificarei.”
O início desta oração
prova que, humanamente, Jesus também não queria provar o cálice amargo da
vontade do Pai. Ele não omitiu isto ao Pai, mas logo imediatamente, reconheceu
que foi para isso mesmo que ele veio.
Como aconteceu com Jesus, aconteceu com Jonas e acontece
conosco. Recebemos uma missão do Pai que, por motivos pessoais e variados,
muitas vezes, desejamos nos salvar destas incumbências, mas quando isso não é
possível não adianta fugir, temos que orar como Jesus desejando que o nome de
Deus seja glorificado por nossa obediência. Certamente ouviremos novamente o
Pai expressar com voz de trovão a Sua satisfação.
E mesmo depois desta oração, passando por todos os maus
tratos, açoites, escárnios, insultos, e tanta violência sofrida na pele e na
alma, nem assim ele demonstrou raiva ou aborrecimento para com seus algozes,
pelo contrário, como Pedro descreve, sendo testemunha ocular dos fatos, “quando insultado, não revidava com
insultos; quando maltratado, não fazia ameaças, mas se entregava àquele que
julga retamente” (1 Pedro 2:23) E ainda orava assim: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lucas 23:34)
Este era mesmo Filho de Deus, um coração igualmente “bondoso
e compassivo, tardio em irar-se e grande em misericórdia...” (Jonas 4:2)
Estas foram as duas orações que mais refletiram no meu coração ao relacionar Jesus com este tema de
Jonas. Mas, de um modo geral, a vida de oração de Jesus é
incomparável com a de qualquer outra pessoa. Ele é o Filho que nos ensinou a
orar ao Pai Nosso! Ele é o Sumo Sacerdote que intercede por cada um de nós! E
nós, quando oramos, oramos em nome d’Ele, em nome de Jesus, amém!
REFLEXÕES NA MARINA:
Cada reflexão
desta, nas quais eu vou desmascarando pouco a pouco este mascarado profeta, também
me envergonho ao olhar-me neste espelho e ver meu reflexo desfigurado.
Fico imaginando
quantas vezes o Senhor também me pediu coisas, falando bem suavemente no meu
espírito, e eu nem me dei o capricho de responder! Quantas vezes Ele deve ter
ficado esperando ouvir minha voz enquanto eu continuava entretida nas minhas
ocupações preferenciais! Quantas vezes Ele falou ao meu coração e eu fiz de
conta que não era comigo, ou tentava me enganar achando que não era de Deus! Isto,
é claro, quando se trata de uma revelação da vontade de Deus na minha vida com
a qual eu não esteja muito de acordo ou muito disposta a atender. Mas, nem por
isso eu, Jonas e, quem sabe, também você, deveríamos omitir nossa oração responsiva ao Senhor. No
mínimo, isto já seria uma tremenda falta de respeito! Perdoa-me, Senhor,
perdoa-me!
Por outro lado,
devo admitir que uma das fases em que mais orei intensamente foi quando ouvi o
Senhor dizer “levante-se e vá a cidade do Guarujá”. Como? Quando? Onde? O que?
Por que? Foram questionamentos sempre presentes nas minhas orações por um longo
período. E foi mesmo ao longo deste período que o Senhor foi me dando as
respostas à medida que eu avançava, a cada passo, por cada etapa!
Lembro-me bem que
uma oração que acabou ficando bastante repetitiva era: “Senhor, toma-me pela
tua mão direita e me conduza para onde, como e quando o Senhor quiser, para
fazer o que o Senhor quiser, porque eu sei que a tua vontade é boa, agradável e
perfeita!” Sim, eu só queria obedecer! Eu só queria ficar longe de errar o
caminho, de entrar por portas erradas. E o nosso Bondoso Pai cuidadosamente nos
conduziu para um lugar alto e seguro sobre a rocha, uma boa escolha que, além
de agradável, foi perfeita!
Mesmo firmando
nossas estacas no lugar determinado por Deus, as orações não pararam. Todos os
dias eu me apresento aos pés do Senhor e repito outra frase: “Eis aqui a tua
serva, cumpra-se em mim a tua palavra!”
E os melhores
momentos dos meus dias são exatamente estes iniciais, em Oração e Palavra!
Aprendi desde cedo
que a oração é tão necessária para vida espiritual quanto a respiração para a
vida natural, e que a Palavra de Deus é tão essencial para a saúde do espírito
quanto a alimentação para a saúde do corpo.
E, claro, tudo isso
exige movimento, a oração é composta pela equação combinada de orar + ação, uma
soma que traz resultados satisfatórios tanto quanto a teoria da Palavra somada à
experiência na prática produz o efeito desejado, não menos importante que o
exercício físico equilibrado com o merecido descanso de todo nosso ser
integral: corpo, alma e espírito!
Já percebi que sou
tendenciosa a preferir mais ouvir a Deus falando comigo pela Palavra do que
falar com Ele pela Oração. Noto que isso é relativo de acordo com o dom que o
próprio Espírito Santo repartiu a cada um. Uns tem o dom da Palavra e outros da
Oração, uns são chamados para o ministério de mestres outros para o ministério
de intercessores. Contudo, as duas coisas andam juntas e são fundamentais para
nosso êxito na caminhada cristã. Ainda que uma prática seja mais prazerosa que
a outra para alguns e menos para outros, ambas precisam fazer parte da nossa
base como alicerces vitais de sustentação de toda nossa estrutura.
Vou ter que te
contar uma “coincidência” que acabei agora de constatar: Enquanto estou
escrevendo este capítulo sobre ORAÇÃO aqui neste livro, paralelamente estou
publicando a gravação, no meu Canal do Youtube, A Dieta do Cordeiro, de um
capítulo por dia do meu livro “O CORDEIRO Marinado em Porções”, e o capítulo de
hoje tratou exatamente da Oração do Pai Nosso! Não é demais essa
sincronicidade? O vídeo já estava gravado e agendado a publicação para hoje sem
eu ter planejado no mesmo dia escrever sobre isso aqui!
Voltei aqui no dia
seguinte para compartilhar mais uma “coincidência”. Hoje comecei a ler o livro
de Neemias no meu tempo devocional e não é que o tema das duas notas de estudo
na minha Bíblia destacava a oração na vida dele!
Para mim isto é
mais um reflexo brilhante da parte do Senhor provando que todas as reflexões
estão refletidas em um único enredo dirigido pelo Autor da nossa história!
Subindo a Ti agora
mesmo uma oração de gratidão por mais este sinal de Jonas, de Jesus, de
Neemias, de tudo e de todos aqui nas minhas reflexões!
Obrigada!
REFLEXÕES NA MINHA VIDA:
Capítulo 8
O PLANO DA SALVAÇÃO
|
S |
e eu
tivesse que escolher uma “palavra-chave” do livro de Jonas, para mim seria
esta: SALVAÇÃO!
Ela,
inclusive, em minha opinião, indica o tema central de toda a narrativa, tema
este que também escolhi aqui para este capítulo: O PLANO DA SALVAÇÃO, ou o enredo da salvação, ou o processo da
salvação... como preferir!
E se a palavra indicou o tema, o tema aponta para um
versículo, na verdade, uma frase, seria a “parte c” do verso 9 do capítulo 2: “AO SENHOR PERTENCE A SALVAÇÃO” (ARA),
ou se preferir “A salvação vem do Senhor” (NVI), ou “só o Senhor é capaz de me
salvar” (NBV-P)... como preferir!
Desde a queda da humanidade no pecado original já lá no
terceiro capítulo da nossa História, todo ser humano ficou perdido na vida como
morto, dependendo desesperadamente de um SALVADOR para achar o caminho de volta
para Deus, sua fonte de vida, de vida em abundância, de vida plena, de vida
eterna!
E isso é bem retratado em todos os 4 capítulos do livro de
Jonas, para os quais passaremos agora um checklist
do passo a passo do Plano da Salvação e
seus respectivos resultados em cada um:
Capítulo 1º: Salvação dos passageiros do navio!
Como homens, ainda mais pela má fama de marinheiros, todos
naturalmente estavam perdidos em seus delitos e pecados, a tempestade em alto
mar serviu, neste caso também, apenas de pano de fundo para o cenário de perigo
que todo ser humano enfrenta no mar da vida, sem o socorro de um “salva-vidas”
que o conduza novamente ao Porto Seguro de Origem!
Eles reconheceram que não podiam se salvar sozinhos, nem da
tempestade, muito menos da calamidade pública que desgraçou todo planeta!
Entretanto, nem todos se dão conta desta fatalidade e das proporções
catastróficas que esta tragédia pode acarretar! Alguns estão “dormindo” no
porão, desavisados do perigo. Outros tentam despertá-los, alguns mais
preocupados em achar um culpado do que um salvador, outros para pedir reforço
na busca de ajuda.
E é quando o fracasso fica evidente e o risco de naufrágio
iminente, reconhecendo a real condição de “perdido perecível”, que se começa a
ficar “com medo e clamar cada um ao seu
deus.” (Jonas 1:5)
Até que... “Então
clamam ao Senhor: Ah! Senhor! Rogamos-te que não nos deixes perecer...” (Jonas
1:14) E Deus ouve! E o Espírito Santo começa a convencer cada um do pecado,
como sendo uma carga pesada que precisa ser lançada nas profundezas do mar do
esquecimento e começar a se convencer da justiça e do juízo que Deus oferece
(João 16:8)!
Só assim então “a
fúria do mar se acalmou” (Jonas 1:15) e a tripulação foi SALVA!
A partir daí “esses
homens temeram muito o Senhor; ofereceram sacrifícios ao Senhor e fizeram
votos.” (Jonas 1:16) Isto significa vida nova! Uma vida de temor e amor ao
Senhor! Uma vida de sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor! Uma vida
devotada a Deus, aliançada com Cristo e dirigida, não mais pelos vendavais
violentos sobre marés agitadas, mas conduzida pelo sopro suave do Espírito
Santo em águas tranquilas. Esta novidade de vida está disponível para quem
reconhece em Deus o Senhor e Salvador da sua tormenta e acredita que “A
salvação vem do Senhor”!
Capítulo 2º: Salvação de Jonas!
Não considero como efetiva a “salvação” de Jonas no 1º capítulo.
Na melhor das hipóteses, pode ter sido um “livramento” circunstancial, um
adiamento da perdição para que fosse possível continuar no processo com uma
nova chance de salvação verdadeira.
A verdade é que ele não buscou salvação em nenhum momento
durante a navegação perigosa em que estava metido. Talvez ele ainda não tivesse
reconhecido sua culpa, não sentisse a consciência pesar sobre o travesseiro
quando dormente no porão, porque não esboçou sequer uma prece, nem mesmo quando
convocado oficialmente a fazê-la! Ele não tinha um deus qualquer como os
marinheiros, como bem confessou, ele tinha “o
Deus do céu, que fez o mar e a terra” para pedir salvação do céu, no mar,
para a terra!
Como ele não apelou para o seu Deus, eles apelaram para a
sorte, e para seu azar, o sorteado que ganhou o ônus da causa foi ele!
Agora sim ele parecia convencido do seu pecado e do juízo
que estava caindo sobre todos por causa dele. Porém, não se deixou ser convencido
da justiça pelo Espírito Santo, mas convencido por um espírito de morte, achou
que seria justo se perder de vez!
Tragicamente ele foi
lançado no mar do esquecimento junto com o peso do seu pecado, que o empurrava
cada vez mais para baixo! Como dizem, jogaram o bebê junto com a água do banho!
Uma vez que Jonas não correspondeu com as atitudes devidas
para alcançar a sua salvação, como bem fizeram seus pagãos companheiros de
bordo, em última análise, podemos concluir descartada a sua salvação neste 1º
capítulo, afinal o que se pode esperar que acontecesse com alguém jogado ao
mar, e pior, engolido por um grande peixe? Morte na certa!
Feito este esclarecimento, necessário para se compreender
como é possível, infelizmente, adiarmos nossa salvação, passemos então para o
2º capítulo para compreendermos também, entre outras coisas, como é possível
Deus não desistir de nós, mesmo quando procuramos fugir de Sua presença!
Conhecendo o conteúdo completo da história, fica mais fácil
enxergar todo o longo e dificultoso percurso que o perdido pecador em foco
optou escolher para a sua salvação!
Mas vamos lá... ela tá chegando... tá perto!
Haja vista que o capítulo 2 já começa bem... começa com
Jonas orando de dentro do peixe... tá melhorando!
A tempestade não foi suficiente para anunciar o perigo? O
naufrágio não bastou para denunciar a trágica consequência? Deus então vai
apertando o cerco, o nível de dificuldade neste “jogo da vida” alcançou agora o
ponto máximo, tensão extrema!
“Não vem por amor, vem pela dor”. Ouviu isso alguma vez?
Não precisava chegar a este ponto... desnecessário passar
por este nível! Mas enfim, o passo a passo estava sendo dado...
Para ficar mais didático, sem querer parecer simplista, embora o Evangelho puro seja mesmo simples, vou enumerar os passos do Plano da Salvação que precisamos conhecer e tornar conhecido:
1. Deus é Bom, Ele nos ama e deseja ter comunhão conosco
Por isso devemos buscá-lo e querer também nos achegar a Ele
“Jonas orou ao
Senhor, seu Deus” (2:1)
2. Mas somos pecadores e,
sem Deus, perdidos e condenados
O pecado nos separa da presença santa de Deus, Ele é Santo
“Estou excluído da
tua presença” (2:4)
3. Deus abriu um novo e vivo caminho, um meio de acesso
Certamente o Peixe teve que morrer para Jonas viver (*)
“E o Senhor falou
ao peixe, e este vomitou Jonas na terra.” (2:10)
4. Uma vez salvo, é
necessário um compromisso de
obediência
A evidência de um novo capítulo, vida
separada e transformada
“Jonas
se levantou e foi a Nínive, segundo a palavra do Senhor.” (3:3)
Teria ainda um 5º ponto, mas este será analisado no final.
Capítulo 3º: Salvação dos ninivitas!
Tendo agora o passo a passo bem definido, podemos segui-lo à risca para identificar o Plano de Salvação cumprido em Nínive.
1. Deus foi bondoso e
compassivo com a cidade e seus cidadãos
Tanto que deu um prazo de 40 dias de
alerta antes de destruí-la
“Nínive era uma
cidade muito importante diante de Deus;” (3:3)
2. Eles confessaram o mau caminho e a violência das mãos(8)
Estavam cientes da sentença que já lhes fora imposta,
mas...
“Talvez Deus...
afaste do furor da sua ira, para que não pereçamos.”(9)
3. Deus lhes enviou um profeta menor como sinal do Maior
A fé vem pelo ouvir, e eles ouviram e
creram na Palavra de Deus
“E
Deus mudou de ideia quanto ao mal que lhes faria e não o fez.” (10)
4. Os ninivitas deram provas de arrependimento verdadeiro
Experimentaram a eficácia da oração,
do jejum e da humildade
“Deus
viu o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho” (10)
Há algo para o que quero chamar a atenção: A pregação que
salvou toda uma cidade não foi com ênfase no amor de Deus para com o pecador,
mas sobre a justiça divina diante do pecado!
Hoje, com medo de perder o público acostumado ao discurso
“Nutella”, quase não se prega mais sobre o pecado, sobre a “raiz” da condenação!
Como então os perdidos entenderão a necessidade de salvação e o valor da graça
e do perdão? Não se pode pular do primeiro passo para o terceiro e quarto sem
passar pelo segundo!
Interessante notar que a palavra profética usada em algumas traduções diz que Nínive seria “subvertida”! E a profecia se cumpriu, porém, no sentido positivo da definição: “completamente alterada, transtornada ou virada do avesso” e “um sistema ou valores originais derrubados ou radicalmente invertidos”! Sim ela foi convertida! Salva!
Capítulo 4º: Salvação do Plano da Salvação!
Achou estranho o título? Pois vou tentar elucidar...
Ao longo do desenrolar desta tumultuada viagem missionária,
ficou claro que o plano divino de salvação estava sofrendo tentativas de
sabotagem o tempo todo!
Quero crer que a “salvação” dos navegantes do 1º capítulo
não tenha colapsado depois da bonança, nem que “o Deus do céu, que fez o mar e a terra” não tenha sido apenas
“mais um” incluído na lista de outros deuses daqueles marinheiros! Não há
registros, que eu saiba, para afirmar nem que sim e nem que não! Tomara que os
encontremos sãos e salvos na eternidade para tirar mais esta dúvida e
testificar que neste 1º caso houve salvação do Plano de Salvação!
Quanto ao 2º caso, a “salvação de Jonas”, sinto dizer que,
pelos registros deste 4º capítulo, que eu saiba, ele não mostrou bons frutos de
arrependimento, não me pareceu apresentar um testemunho de um santo homem de Deus, nem nas palavras emitidas (e omitidas),
nem nos sentimentos e comportamentos! Se é pelo amor e pelos frutos que
conhecemos os filhos de Deus... Jonas está irreconhecível!
Não sou ninguém para julgá-lo, só Deus sabe, e da mesma
forma espero poder vê-lo na Glória Eterna, mas ao que tudo indica, justamente o
personagem mais indicado ao título de “são e salvo”, só deu provas de
insanidade e perdição, carente de salvação tanto quanto os outros %
Gostaria de estar equivocada, mas para mim, Jonas vacilou!
Pelo menos é o que revela até o 4º capítulo! E, como diz o autor da carta aos
Hebreus: “como escaparemos nós, se
negligenciarmos tão grande salvação?” (Hebreus 2:3) É possível que ele
tenha escapado provando uma conversão real e uma salvação genuína não contada nos
registros bíblicos. Faltou um epílogo em seu livro, o que deixou no ar uma
esperança de um final feliz para alguém tão descontente!
O pior é que, no caso da grande cidade de Nínive, aquele Plano de Salvação que se “salvou” tão surpreendentemente em Jonas 3, se perdeu completamente em
Naum 3, cerca de 150 anos depois!
“Não há cura para a
sua chaga; a sua ferida é mortal.” (Naum
3:19)
Prometi que trataria de um 5º passo neste tópico, não
esqueci!
Aliás, quando apresento este Plano da Salvação para as
crianças, geralmente ilustro com os 5 dedos da mão, desta forma fica muito mais
fácil para elas assimilarem e não esquecerem.
O polegar, dedão para cima, é o sinal de like (no meu tempo era só “joinha”),
indica que Deus é bom, Ele te ama!
O indicador normalmente aponta o erro, o pecado, alguém
apontando o dedo para o culpado!
O médio, na verdade é o maior dedo, por isso representa
Jesus Cristo que foi levantado na Cruz para nos salvar!
O dedo anelar é o da aliança, símbolo do nosso compromisso
ao demonstrar nosso arrependimento e fé.
O dedinho, mindinho, o menor dedo nos lembra da Vida Eterna
no Reino dos Céus, semelhante ao grão de mostarda, começa pequeno, mas cresce e
se desenvolve perseverando até a maturidade!
Este 5º ponto salienta a importância da perseverança, a
qual comprova que o Plano da Salvação se cumpriu do começo ao fim, não foi
negligenciado, mas completado plenamente!
Jesus é a Porta, o Caminho e a Vida! Muitos entram pela
porta, mas não seguem o caminho inteiro até a vida eterna! Desistem no meio da
jornada, se desviam do caminho, e não alcançam a Vida!
Mateus registrou estas palavras de Jesus: “Mas aquele que perseverar até o fim será
salvo.” (24:13)
Vencedor não é aquele que sai na largada da corrida, mas
aquele que completa a carreira e guarda a fé combatendo o bom combate! Não é
fácil, por isso é luta, uma batalha contra inimigos que querem sabotar a nossa
salvação, a nossa perseverança!
A salvação em Cristo não é passageira, temporária, é
eterna!
Não é salvação da tempestade de uma noite, nem só de um
grande predador, nem só de uma eventual destruição com validade de 150 anos!
Sabemos que é muito mais que isso!
Por isso: “Nós,
porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que creem e são
salvos.” (Hebreus 10:35-39) Amém? Amém!
REFLEXÕES EM JESUS:
Jesus é o Protagonista de todo o Plano da Salvação!
O
Seu reflexo está em cada um dos 5 passos aqui apresentados.
Com o gabarito em vista, confira cada ponto nesta pequena porção de Romanos 5:8 a 11, onde Paulo expõe com perfeita clareza o Plano da Salvação, fiz questão de destacar os reflexos de Jesus Cristo em letras garrafais:
“Mas Deus prova o
seu amor para conosco (1), em que CRISTO morreu por nós (3), sendo nós ainda
pecadores. (2)
Logo muito mais
agora, tendo sido justificados pelo SEU sangue (4), seremos por ELE salvos da ira. (5)
Porque se nós, sendo inimigos (2), fomos
reconciliados com Deus pela morte de seu FILHO (3), muito mais, tendo sido já reconciliados (4), seremos salvos
pela SUA vida. (5)
E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus (1) por nosso SENHOR JESUS CRISTO (3), pelo QUAL agora alcançamos a reconciliação.” (4-5)
E isto não acontece só nestes poucos quatro versos de uma
carta paulina, posso garantir que, se fizermos este exercício de capa a capa
das Escrituras, gabaritaremos a Bíblia inteira!
O Livro Sagrado é o próprio Enredo da Salvação e o roteiro
não foge a estes temas principais. Ele está todo permeado com o Amor de Deus (1), manchado com o nosso pecado (2) (exceto nos dois primeiros e
nos dois últimos capítulos), ilustrado com as imagens de Jesus (3) (em reflexos veterotestamentários no período a.C., em realidade
nos seus 33 anos de vida terrena e em reflexos neotestamentários no período
d.C.), impregnado de lições de vida
cristã (4) em exemplos práticos
e teóricos como uma Constituição do Reino e recheado de promessas, premissas e
princípios para se perseverar crescendo
(5) na construção, manutenção e conclusão do Plano da Salvação.
REFLEXÕES NA MARINA:
Sou muito grata por ter tido acesso ao
conhecimento do Plano de Salvação divino para minha vida e vê-lo
cumprido desde a minha infância quando Deus me atraiu com seu Amor Eterno.
Mas
ainda eu era muito novinha para ter consciência real do meu pecado. Acredito
que, só por volta dos meus 13 anos de idade, isto foi ficando mais claro para
mim. Foi nesta fase que me lembro de ter renovado um compromisso de entrega,
consagração e santificação mais real com o Senhor.
Infelizmente
não tenho registrado em cartório a minha Certidão de Segundo Nascimento com
data e localização específicas de quando isto aconteceu de fato, mas posso
certificar, sem sombra de dúvidas, que aconteceu!
Estou
viva de corpo, alma e espírito como uma nova criatura em Cristo!
E,
tendo entrado por esta Porta,
prossigo perseverantemente neste Caminho,
crescendo e me desenvolvendo na Verdade
até ser completa e perfeitamente redimida na glória da Vida Eterna reconhecendo e proclamando que JESUS é a Porta, o Caminho, a Verdade e a Vida e que ninguém se
reconcilia com o Pai, senão por meio do Filho, senão pelo cumprimento total
deste maravilhoso Plano da Salvação! (João 10:9 e 14:6)
Agora,
neste espacinho que ainda resta nesta página, tomarei a liberdade de esclarecer
uma citação questionável que eu fiz na 5ª página anterior a esta, já que lá não
sobrou espaço para eu explicar.
Então
se as suas sobrancelhas se elevaram em sinal de ressalvas quando leu a frase: “Certamente
o Peixe teve que morrer para Jonas viver (*)”, segura aí a polêmica que já vou
contar o que aconteceu para eu chegar a esta opinião.
Não
sei você, mas eu estou me envolvendo tanto com esta aventura que, de repente,
eu me imaginei naquela praia, no exato momento em que Jonas foi vomitado pelo
grande peixe! Na minha visão, era como se uma baleia se aproximasse tanto da
praia, de modo que pudesse despejar Jonas na areia, que depois ela não
conseguisse mais voltar às águas profundas... e eu via ela se debatendo, se
esforçando para retornar, nadando, nadando... até morrer na praia. Como se,
literalmente, a semelhança do PEIXE (Ichthys, Jesus Cristo, Filho de Deus, o
Salvador) ela tivesse que morrer para Jonas viver, dando sua própria vida por
aquele que quis salvar! Fez sentido agora?
REFLEXÕES NA MINHA VIDA:
Capítulo 9
O JONAS DO LIVRO
|
N |
as
primeiras páginas deste livro eu dediquei um espaço para transcrever o Livro de
Jonas na íntegra. Nestas intermediárias, entretanto, eu quero dedicar este
espaço para descrever o Jonas do Livro ainda mais integralmente, refletindo por
outros ângulos, que serão mais bem compreendidos com as informações a seguir:
Em 2018 me propus a refletir sobre a vida de Jesus
estudando os 4 Evangelhos. Inicialmente, escrevi 52 reflexões sobre as suas
obras, seus milagres, uma a cada sábado daquele ano. Continuei neste propósito
por mais quatro anos, o que me rendeu um total de 260 reflexões divididas em
cinco reflexos de Jesus:
1º
O QUE ELE FEZ: milagres, obras...
2º
O QUE ELE FALOU: ensinos, sermões...
3º
O QUE ELE É: títulos, atributos...
4º
O QUE ELE DEU: legado, virtudes...
5º
O QUE ELE COMPLETOU: tudo isso junto
Todo este conteúdo acabou sendo
publicado em 2025 em uma única coleção chamada “O CORDEIRO Marinado em Porções”, em cinco volumes, dentro destas
cinco temáticas.
E agora quero aplicá-las, não mais
ao Cordeiro (Jesus), mas ao Pombo (Jonas). O nome Jonas tem origem no hebraico Yonah (יוֹנָה) e significa
“pomba”.
Li certa vez um comentário sobre isso que apresentava a
ironia do significado do seu nome, uma vez que seu perfil era caracterizado por
sua militância, enquanto seu nome lembrava um pássaro que os antigos israelitas
associavam à paz, esperança e renovação espiritual.
A associação que eu faço ainda é que
este pássaro também nos remete ao Pombo Correio, aquele incumbido de levar uma mensagem
a um destinatário específico. Mas, ironicamente, ele não combinou com seu nome
nestes quesitos.
Só aí já fica evidenciado a
correlação com os cinco temas propostos: Ele não FEZ o que deveria fazer. Não FALOU
o que deveria falar. Não FOI o que
deveria ser (profeta, pombo mensageiro). Não DEU o que tinha recebido para dar. Logo, não COMPLETOU a sua missão satisfatoriamente como deveria.
Fazer, falar, ser e dar são ações
que fazem parte da vida de todos nós, não só de Jonas especificamente. E são ações
que precisam ser completadas com perseverança e integridade!
Interessante que esses são classificados como verbos
irregulares. Isso significa que, ao serem conjugados em diferentes tempos e
pessoas, eles sofrem alterações em seus radicais ou em suas terminações e não
seguem o modelo padrão de conjugação. Esta gramática parece refletir
perfeitamente o que estamos fazendo desde o princípio de nossas reflexões,
provando as alterações irregulares que cada uma destas ações sofrem nas
práticas diferentes de cada pessoa em tempos distintos, quando deveríamos
seguir um padrão radical de obediência do nosso modelo Jesus Cristo, o Verbo
Vivo!
Estes cinco verbos vão servir de trilho para nos guiar na
observação destas ações na vida de Jonas e, posteriormente, como sempre, nos
ajudarão a enxergar o nosso próprio reflexo em cada uma, sobretudo,
ajustando-as ao molde perfeito refletido por Jesus.
Vamos explorando assim diversas estratégias e estruturas de
aprendizado. E mesmo que eu pareça repetitiva, não vou nem me importar, pois ao
reforçar os ensinamentos estou trazendo mais clareza ao entendimento espiritual
dos meus leitores, como bem afirmou o apóstolo Paulo, faço minhas as suas
palavras na carta aos filipenses: “Escrever
de novo as mesmas coisas não é um problema para mim e é segurança para vocês.”
(3:1)
Vale ressaltar que cada verbo implica uma ação ou reação, e
muitas vezes também em omissão. Da mesma forma, estas ações podem tanto ser
avaliadas como positivas quanto negativas.
Vamos exemplificar usando nosso exemplo nada exemplar!
Em relação ao FAZER e FALAR, Jonas, ainda em terra, não fez
o que era certo indo para Nínive falar o que Deus mandou, mas fez o que era
errado indo para Társis, falando em fugir da presença de Deus. Ele se omitiu de
cumprir uma ação ordenada por Deus tendo uma reação absurdamente indevida!
Depois, estando sobre as águas, Jonas não fez o que era
certo falando em oração com seu Deus, mas fez o que era errado sugestionando um
homicídio doloso contra ele. Ele se omitiu de aproveitar aquela oportunidade
para dar um bom testemunho aos marinheiros tendo uma reação tragicamente
insana!
Já no ventre do peixe, a fala na oração de Jonas, para mim,
está mais para uma reação diante de uma provocação extrema, do que uma boa ação
voluntária e espontânea! Portanto, ainda que uma boa reação, não a classifico
como de boa qualidade, por ser atrasada, forçada e incompleta. Faltou fazer
confissões mais objetivas dos seus pecados seguidas de pedidos de perdão. Essa
fica a critério do Senhor considerar o feito, ainda que não perfeito.
Finalmente, então em Nínive, Jonas faz o que deveria já ter
feito antes e não fez, omitindo-se. Novamente não entrarei no mérito se o feito
foi perfeito ou não! O fato é que deu muito mais resultado do que muita
pregação mais perfeitamente elaborada. Deu muito mais fruto do que a pregação
de muitos outros profetas aparentemente com muito menos defeitos e muito mais
acertos.
E teve uma repercussão muito maior e melhor do que muitos outros feitos missionários regados por intercessão
e paixão por almas!
Isto também pode bem ser uma boa prova de que quem faz a
“coisa” dar certo, na verdade, é o Senhor, o único perfeito! Não é quem faz a
perfeita vontade de Deus, mesmo que ainda de maneira imperfeita, porque todos
nós temos nossos defeitos, mas, se é certo dar certo, é certo que foi Deus que
fez, não nós!
“Não a nós, Senhor,
nenhuma glória para nós, mas sim ao teu nome, por teu amor e por tua
fidelidade!” (Salmos 115:1)
Agora, nos últimos momentos, Jonas fez uma oração, essa me
pareceu mais espontânea, e sincera até demais! O conteúdo é verdadeiro, mas o
sentimento de raiva que a motivou não foi nada razoável! Poderia ter omitido a
última fala: “Senhor, peço que me tires a
vida, porque para mim é melhor morrer do que viver.” (Jonas 4:3)
Tendo seu pedido recusado, Jonas se levanta com uma
sequência de ações reativas e revoltantes: Ele sai da cidade, constrói
um abrigo, senta-se na sombra e fica esperando
para ver o que aconteceria com a cidade.
Não era o que deveria fazer, óbvio! Deveria entrar na cidade, construir ali um núcleo de discipulado, sentar-se a Luz das
Escrituras e ficar ensinando os
cidadãos até ver o amadurecimento
acontecer!
Como ele não fez nada pelos outros, só para si mesmo...
Então os outros começaram a fazer algo por ele! Deus fez crescer a planta, a
planta fez nascer a sombra e Jonas pôde ter uma reação de felicidade! Mas Deus
queria ensinar-lhe que nosso bem estar depende da nossa boa ação e nosso mal
estar depende da nossa má reação. Para isso Deus fez aparecer um verme, o verme
fez a planta secar. Para reforçar, Deus ainda fez o vento quente soprar, o sol
fez o calor esquentar e Jonas teve uma reação de desconforto falando novamente o que não deveria falar: “Para mim é melhor morrer do que viver”.
Jonas não queria ver a cidade
feliz, queria a felicidade só
para ele. Preferia ver a cidade torrar e secar no calor do fogo onde os vermes
não morrem, mas por ironia do destino, teve a infelicidade de ver justamente
isso acontecer no seu próprio inferno interior!
Jonas já deveria ter aprendido esta lição muito antes nas
aulas teóricas da escola de profetas, mas não praticou em suas ações e reações
vivenciadas na sua tumultuada viagem missionária. Deus agiu o tempo todo
tentando relembrá-lo da matéria anteriormente ministrada por meio das provas de
recuperação, porém seu aluno foi reprovado na primeira fase de múltiplas
escolhas (capítulo 1). Na prova de redação do capítulo 2 conseguiu melhores
pontuações. Porém, na última fase, deixou muitas questões em branco e outras
muitas respostas erradas e incompletas.
Misericordioso, o Mestre ainda propôs uma segunda chamada,
e mesmo no mais bem elaborado e ilustrado teste de auto- conhecimento e
conhecimento do Alto, o profeta bombou feio!
Profeta? Este era mesmo um título que bem o representava?
Partindo agora para o SER... como identificaríamos as características da
personalidade de Jonas? Se ele era realmente assim como o vemos nestes 4
capítulos da sua vida, eu já não sei, de repente, eles não retratem a sua
melhor versão, entretanto, é o que temos para análise no momento e que veio a
ser público!
Aliás, os marinheiros também estavam interessados em saber
quem era ele com as principais perguntas: “Qual
é a sua ocupação? De onde você vem? Qual a sua terra? E de que povo você é?
Jonas respondeu: Eu sou hebreu e temo o Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e
a terra. Então os homens ficaram com muito medo e lhe perguntaram: O que
é isso que você fez?” (Jonas 1:8-10)
Por este diálogo vemos como o que “falamos” que “somos”
está intimamente vinculado ao que “fazemos”, por isso o espanto dos marinheiros
ao notarem que não havia coerência entre a declaração de identidade e a
demonstração de atividade. O adjetivo do sujeito não estava compatível ao verbo
da ação.
De quatro perguntas que lhe foram feitas, ele só esboçou
duas respostas: Sou hebreu. Sim esta foi a “qualificação” que ele destacou em
primeiro e quase único lugar! A sua consideração pela sua origem terrena estava
acima do seu valor como cidadão celestial. Como hebreu, a carta aos Hebreus bem
lhe seria proveitosa ao dizer:
“Mas, agora,
desejam uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se
envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porque lhes preparou uma cidade.” (Hebreus 11:16) Falando com respeito aos heróis da fé, o
nome de Jonas não está na lista. Pode ser que ele não estava tão consciente que
“este mundo não é nossa pátria; nós
estamos aguardando a nossa pátria eterna no céu.” (Hebreus 13:14)
Ele era um hebreu inimigo dos que eram assírios. Uma
inimizade antiga hostilidade entre judeus e gentios que só foi desfeita na cruz
como explicado em Efésios 2:13-18. Vale a pena reler aplicando ao nosso
contexto:
“Mas agora, em
Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados pelo sangue de
Cristo.
Porque ele é a nossa paz. De
dois povos ele fez um só e, na sua carne, derrubou a parede de separação que
estava no meio, a inimizade.
Cristo aboliu a lei
dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse em si
mesmo uma nova humanidade, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo
com Deus, por meio da cruz, destruindo a inimizade por meio dela.
E, quando veio,
Cristo evangelizou paz a vocês que estavam longe e paz também aos que estavam
perto; porque, por meio dele, ambos temos acesso ao Pai em um só Espírito.”
Esta não é uma nova visão do Novo Testamento! Mas “As Escrituras previram esse tempo em que
Deus declararia os gentios justos por meio da fé. Ele anunciou essas boas-novas
a Abraão há muito tempo, quando disse: ‘Todas as nações da terra serão
abençoadas por seu intermédio’.” (Gálatas 3:8)
A eleição do povo de Israel não foi para exclusão, pelo
contrário, para inclusão, sendo ele um canal de bênção e conhecimento de Deus
para todos os povos!
Jonas foi privilegiadamente escolhido como o único profeta
hebreu, até onde sabemos, a ser comissionado para ir pessoalmente a uma capital
gentia pregar o arrependimento dos pecados, não por um Deus regional, mas
Universal, antecipando, assim, a expansão da graça e da reconciliação a todos
os povos, o que foi feito efetivamente depois por Jesus Cristo, como já lemos e
bem sabemos.
Talvez esta seja, inclusive, uma outra faceta do sinal de
Jonas, revelando o desejo divino de reconciliação para além das fronteiras de
Israel, mostrando que a graça e o perdão se estendem a todos os povos que se
arrependem, inclusive no Antigo Testamento!
No entanto, devido a esse forte viés nacionalista, Jonas se
identificava mais como sendo um comprometido representante profético do Reino
do Norte de Israel, do que como um embaixador fiel do Reino dos Céus. Sendo assim, ele acabou fazendo com que sua fala evangelística não fosse dada
de maneira completa.
Aliás, como profeta, sua principal atribuição era
transmitir a mensagem do Deus dos céus para os homens da terra. A palavra profeta
vem do grego prophétes, que significa
“aquele que fala em nome de outro como um porta-voz”.
Logo, a voz profética era o bem mais precioso que Jonas
tinha recebido para dar! Tocando agora no aspecto DAR, eu seria muito prolixa
se novamente catalogasse agora cada uma das falas de Jonas, mas só de imaginar
um catálogo separando as positivas das negativas, é possível enxergar duas
listas bastante desproporcionais.
O dom da Palavra é um presente divino que não pode ficar
retido apenas com o seu portador, e nem oferecido com favoritismo em acepção de
pessoas! A ordem sempre foi proclamar não só em Jerusalém, na Judeia e em
Samaria, mas até os confins da terra.
Mas... voltando às duas respostas de Jonas, não esqueci da
segunda: “Sou temente a Deus!”
Hummm... Temia tanto que até fugiu dele, tanto no início quanto no final!
E falando em final, só para finalizar, como já bem dizia o
sábio Salomão: “Terminar algo é melhor
que começar; a paciência é melhor que o orgulho.” (Eclesiastes 7:8)
Comparando o comportamento reprovado de Jonas do começo ao fim, com as fases
depressivas e repreensivas dos demais profetas em crise, como Elias, Jeremias,
Habacuque e até mesmo Moisés, vemos que todos eles, ao final, se recuperaram de
suas ideias suicidas e rebeldes, até porque isto pode ser até considerado
normal do ser humano. Jonas, no entanto, até reeditou seu começo, mas não
editou um final feliz para si mesmo.
Faltou mudar, não a essência do que ele sempre foi, mas o
comportamento circunstancial (desobediente, covarde, ignorante, religioso,
inconsequente, medíocre, decadente...), o sentimento ocasional (medo, descontentamento, desgosto, ressentimento raiva...) o
pensamento momentâneo (suicida, egoísta, racista, vingativo...)! E essa
mudança só acontece pela metamorfose do arrependimento! Aliás, mesmo muito
conhecida a etimologia desta palavra, faço questão
de registrar aqui sua definição, em
especial por se tratar de uma palavra chave de todo o nosso roteiro em
questão:
No Grego Antigo: O contexto bíblico e clássico traduz a
palavra frequentemente de metánoia (de metá = mudança, e noéin = pensar/mente). A essência
etimológica é “mudança de mente” ou “transformação de perspectiva”.
No Hebraico: O conceito correlato mais próximo do Antigo
Testamento é que significa “retornar” ou “dar meia volta”.
Esta metanoia aconteceu com todos os personagens do nosso
elenco, inclusive com o próprio Deus que “quando
viu o que fizeram e como deixaram
seus maus caminhos (arrependidos, convertidos), voltou atrás (mudou de ideia)
e não os destruiu como havia ameaçado.” (3:10)
Vamos então rever o FAZER, FALAR, SER e DAR também nas
ações dos ninivitas para bem COMPLETAR a análise?
“o rei de Nínive; (FEZ) levantou-se do seu
trono (reação inicial de destronamento do
ego), e tirou de si as suas vestes, e
cobriu-se de saco (mudança de orgulho para humildade), e sentou-se sobre a cinza (arrependimento real). E fez uma proclamação que se divulgou
em Nínive, pelo decreto
do rei e dos seus grandes, dizendo (DEU ordem!): Nem homens, nem
animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê alimentos,
nem bebam água; mas os homens e os animais sejam cobertos de sacos, e clamem
fortemente a Deus (FALARAM), e convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há nas suas mãos.” (deixaram de SER de
um jeito para SER de outro! Processo COMPLETO)
De fato, o que tanto faltou Jonas FAZER, FALAR, SER e DAR
para bem COMPLETAR a sua história foram ações de arrependimento!
REFLEXÕES EM JESUS:
Este é um espaço oportuno para eu te
convidar a ler (ou reler) todas as
minhas reflexões do que Jesus FEZ, FALOU, É e DEU,
por COMPLETO, no meu livro “O CORDEIRO Marinado em Porções”.
Resumidamente, Jesus fez
toda a vontade do Pai, além disso, ou dentro disso, “Jesus fez também muitas outras coisas. Se cada uma delas fosse
escrita, penso que nem mesmo no mundo inteiro haveria espaço suficiente para os
livros que seriam escritos.” (João 21:24,25) Eu fiz minha parte escrevendo um destes livros para contar o que Ele
fez, então faça você agora a leitura
dele!
Quanto ao que Ele falou...
Ah... “Ninguém jamais falou da maneira
como esse homem fala.” (João 7:46) Que aprendamos com Ele por meio de suas parábolas, sermões e
instruções cheias de sabedoria!
No meu livro eu refleti em apenas 52
títulos atribuídos a quem Ele é e, ao fim deles, cheguei à
conclusão que a melhor designação mesmo é que Ele é o grande EU SOU, como o
próprio se autodenominou: “Estou lhes dizendo
antes que aconteça, a fim de que, quando acontecer, vocês creiam que Eu Sou.”(João
13:19) Lembrando que Jesus significa Salvador, um dos seus títulos mais
pertinentes!
Igualmente, como todas as cinco
partes abordam cinquenta e dois capítulos, também inventariei 52 bênçãos que
Ele nos deu como legado desta riquíssima herança, pois “se somos filhos, então, também somos
herdeiros; herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, se realmente participamos
dos seus sofrimentos para que, da mesma maneira, participemos da sua glória.” (Romanos
8:17)
E concluindo com um reflexo de Jesus
contrário ao de Jonas, encerro com uma das últimas palavras que o Filho falou
ao seu Pai, não zangado por ter que sofrer tudo que sofreu, mas satisfeito em
poder dar um feedback de
missão cumprida: “Eu* te glorifiquei na
terra, completando a obra que me
deste para fazer.” (João 17:14)
(*)Jesus, O Profeta Maior em viagem missionária, mesmo
sendo judeu, estendeu seus braços na cruz a todos os gentios que eram hostis ao
povo da Antiga Aliança, promovendo paz e perdão!
REFLEXÕES NA MARINA:
Já vimos a origem
dos nomes Jonas e Jesus para identificá-los com seus significados. Será que o meu
teria também alguma relação? Vejamos
o que encontrei:
Na tradução do
latim “Marinus”, o nome Marina surge com o significado de “pertencente ao mar”.
Através dessa conexão com o mar, o nome é geralmente conectado a ideias de
beleza, serenidade, profundidade e tranquilidade.
Tenho que admitir,
agora contemplando o mar mais de perto e com mais frequência, que nem todo dia
ele está calmo, sereno e tranquilo. Eu também, de vez em quando, confesso,
avanço um pouco nos meus limites quando me encontro agitada e resolvo levantar umas ondas perigosas em
meus dias de ressaca!
Mas, realmente, posso
confirmar a minha paixão pelo mar! Por isso acabou sendo meu destino vir morar
à beira mar e fazer desta minha praia meu campo missionário! Talvez aqui eu
deva ter meu reflexo mais em João, não exilada, mas cativa, não na ilha de
Patmos, mas na ilha do Guarujá, não escrevendo sobre o que vai acontecer, mas
sobre o que já aconteceu.
Como ele, eu também
tenho ouvido uma voz do céu que me diz: “O que você vê, escreve-o num livro e
envia-o...!” (Apocalipse 1:11 e 14:13)
Assim, por outro
lado, gostei da conexão com a profundidade porque tenho mesmo mergulhado
fundo nestas reflexões da Palavra, como que afogada nestas águas como estava
Jonas: “Nas profundezas do oceano me
lançaste, e afundei até o coração do mar.
As águas me envolveram; fui
encoberto por tuas tempestuosas ondas.”
(2:3) Totalmente batizada para me santificar, me purificar com a lavagem da
água, Tua pela palavra. (Efésios 5:26 diz isso)
E falando em
Palavra, considero-me uma “Mina de Palavra”. Este foi o nome que escolhi para o
blog que criei muitos anos atrás. Nele eu explico que desejo ser citada como
uma “mina” de palavra, no sentido: “Uma Mulher de Palavra”, não só que cumpre o
que fala, mas fala o que se deve cumprir.
Outro motivo da
escolha deste nome é porque desejava que minhas palavras brotassem mesmo como
de uma mina a fluir, como rios da Fonte Espiritual que desce do céu. Entre
outras razões ainda, Mina também é a própria grafite de uma lapiseira, um
instrumento para se escrever, e escrever, e escrever... até gastar... Portanto,
aqui estou para “minar as palavras”... Para conjugar o Verbo Vivo em todos os
tempos e em todas as pessoas!
Eu, Marina,
verbalizando Jesus em palavras, diria que é o mesmo que “MARINAR” as palavras
em JESUS.
Chama-me a atenção
quando leio: “A palavra do Senhor veio a Jonas” (Jonas 1:1e 3:1) A mesmíssima
expressão é usada para com Samuel, Natã, Salomão, Isaías, Jeremias, Ezequiel,
Zacarias, Ageu, Elias dentre os poucos que pesquisei. É curioso que não diz “O
Senhor veio a... e falou...!” Mas quem vem diretamente é a Palavra. Fico
pensando se é um padrão literário da linguística hebraica, ou se de fato a
Palavra é Viva, a Palavra que vem seja Jesus personificado, seja o Verbo Vivo!
Eu posso dizer que
tenho experienciado isso quando busco o Senhor em oração, de repente, a Palavra
vem a mim, como que caindo do céu e entrando em meu coração, em minha mente, em
meu espírito, não sei bem dizer para onde ela vai, mas não duvido que venha do
alto céu, do Pai das luzes porque “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do
alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de
variação”. (Tiago 1:17)
E se, porventura, ainda
não tenha ficado claro o meu FAZER, FALAR, SER e DAR, eu COMPLETO com a frase
que eu fiz, falando quem sou e o que tenho a dar:
Sou uma pena nas
mãos de um hábil Escritor e o que faço é escrever sobre o que Deus falou e falar
sobre o que Deus escreveu, dando para os outros o que recebi como dom do
Espírito. Esta é minha missão que vou completando a cada palavra dita e a cada
letra escrita.
Além disso, espero também ser uma boa Marina que ofereça acolhimento, abastecimento e
manutenção a outros barcos navegantes deste mesmo oceano espiritual que fazemos
parte.
Muito prazer, esta
sou eu!
Pode contar comigo
e com tudo que eu possa fazer para te falar da Palavra! É o que de melhor eu
tenho para te dar...
A propósito, você
já possui todos os meus outros cinco livros?
Junto com este
também lancei “PRESENTES PROFÉTICOS Marinados em Poemas”, o Volume 4
completando a Série Poemas Temáticos!
E não conte para
ninguém, só para todo mundo, mas já tenho o título do próximo lançamento de
2027, se Deus assim permitir!
Aguarde em oração!
REFLEXÕES NA MINHA VIDA:
Capítulo 10
A BONDADE E A SEVERIDADE
DE DEUS
|
A |
gora eu gostaria de refletir com você,
ainda um pouco mais profundamente, sobre a razão do “sinal de Jonas”, sobre os
dois vieses centrais da história relatada no livro de Jonas e em todo o Livro
Sagrado. Focaremos aqui em um personagem invisível, mas que tem seu reflexo
brilhante em cada capítulo da história de Jonas, dos marinheiros, dos ninivitas
e de cada um de nós!
Diante
deste protagonista todos os demais personagens são apenas coadjuvantes! Ele
está por trás de tudo, ou seria melhor dizer que está à frente de todos! Sim, Ele está por todos os lados, ao lado de
cada lado!
Ele é
DEUS! O Eterno!
Não vou
começar do início porque Ele não tem princípio, e também porque nunca chegaríamos
ao seu fim, não há meios para isso!
Então,
convido você apenas a considerar a bondade e a severidade de Deus, aceitando
este mesmo convite já feito pelo apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos,
capítulo 11, verso 22, onde ele diz: “Considere
a bondade e a severidade de Deus.”
É
simples, fácil e agradável a todos nós admitirmos o amor, a misericórdia e bondade de Deus pelo homem, mas é
impossível dimensionar cada um deles. É comum atribuirmos a Deus o título de
Misericordioso e Compassivo, porém é muito difícil enumerar as infinitas provas
e manifestações destes atributos em nossa vida! Como é natural para nós pregar
com nossos lábios este gigantesco amor
de Deus, esta infinita bondade e esta misericórdia que dura para sempre,
mas como é sobrenatural experimentar e transmitir tudo isso na prática do nosso
viver diário!
Nínive,
no livro de Jonas, é o 1o alvo do amor de Deus e de sua bondade. Se formos buscar na história razões
pelas quais ela merecesse atrair o amor e a atenção de Deus jamais poderíamos
encontrar um motivo racional. Nínive, como relata Naum 3:1, era uma cidade
sanguinária, daquelas que praticavam as maiores atrocidades com seus inimigos e
cativos, incluindo nesta categoria o próprio povo de Israel, o que explica a
revolta do comprometido patriota Jonas em ter que levar a mensagem de Deus para
esta indigna e cruel opressora. Seria como enviar um missionário judeu para pregar
aos nazistas de 1942 lá na Alemanha!
Temos
explicações e argumentos para negar o nosso amor ao nosso inimigo, ainda que
ele seja o nosso próximo, no entanto, Deus ama sem argumentos e sem
explicações. Deus ama não pelo que somos, fazemos ou temos, mas Ele nos ama
pelo que Ele é! Deus ama porque Ele é amor. E só um amor assim perfeito poderia
constranger toda uma cidade maligna a se arrepender, “crer em Deus, proclamar
um jejum, vestir-se de pano de saco, clamar fortemente a Deus e se converter
cada um dos seus maus caminhos e da violência que havia em suas mãos.”
(3:5,8). Só um amor assim perfeito poderia ver, considerar e perdoar toda uma
cidade, anulando, por meio de sua infinita misericórdia, o devido castigo já
determinado e motivado por sua justa severidade diante do pecado.
Portanto,
este incondicional amor de Deus
nos ensina a não subestimar a sua compaixão e nem a conversão verdadeira dos
mais rebeldes pecadores.
Nínive
teve a oportunidade de experimentar e provar o misericordioso amor de um Deus bondoso e compassivo,
mas não perseverou. Passado cerca de 150 anos, ela voltou às mesmas práticas
abomináveis de outrora. Naum, outro profeta, é levantado agora para, desta vez,
apenas anunciar a definitiva e total destruição da cidade, quando, então, já
não havia mais arrependimento.
Veja
como Naum encerra a sentença contra Nínive no último versículo do seu livro: “Não há cura para a sua chaga; a sua ferida
é mortal. Quem ouve notícias a seu respeito bate palmas pela sua queda, pois,
quem não sofreu a sua crueldade sem limites?” (Naum 3:19)
Reparei
agora, inclusive, no título dado ao primeiro capítulo de Naum (na minha Bíblia
NAA): A ira e a misericórdia de Deus. Seriam equivalentes: A bondade e a
severidade de Deus / O perdão e a justiça de Deus / O amor e a disciplina de
Deus... e por aí vai...
O amor de Deus não anula a sua justiça,
mesmo que a graça pareça injusta! A bondade e a severidade de Deus não são
opostas entre si, mas paralelas! Há quem considere equivocadamente a existência
de um Deus Severo no Antigo Testamento e outro Deus Bondoso no Novo Testamento!
Nem se trata de um mesmo Deus bipolar! Longe disso! Acabamos de constatar uma
prova de ambas as manifestações relatadas no tempo veterotestamentário. E bem
poderia enumerar dezenas, se não centenas delas, mas não o farei aqui e agora
porque este é tema para reflexões do meu próximo livro. Lançamento previsto
para 2027. O esqueleto com 52 reflexões já está formado, faltando apenas
encorpar, formatar e publicar! Pensa em um tema que me fascina! É este vasto
ofício de considerar a bondade e a severidade de Deus! Aguarde, uma grande obra vem aí!
Só para
despertar o interesse, sem dar maiores detalhes, já pensou em refletir desde
Adão e Eva, considerando a bondade do Criador em oferecer todo um planeta
sustentável e formidável para o casal e depois expulsá-los dali em severo e
justo juízo?
O verso
explica isso na sua continuação de Romanos 11:22:
“...severidade para com aqueles que caíram, mas bondade
para com você, desde que permaneça na bondade dele. De outra forma, você também
será cortado.”
Deus
usou de bondade com Nínive, mas ela não permaneceu na bondade dele, desta
forma, foi severamente cortada!
Jesus
até cita esta ocorrência em Mateus 12:40-41 quando exclama aos ouvidos daquela
má geração: “Os homens de Nínive se
levantarão contra esta nação no Juízo e a condenarão. Pois quando Jonas lhes
pregou, todos se arrependeram, e se voltaram dos seus maus caminhos para Deus.
Agora, aqui está quem é maior do que Jonas, e vocês se recusam a crer nele.”
Deus também
usou de bondade para com Noé e sua família, mas de severidade com todos que não
se arrependeram diante do pregador da justiça, como é chamado Noé em 2 Pedro
2:5.
Considere
ainda a bondade de Deus para com Ló e a severidade de Deus para com Sodoma e
Gomorra? Diferente de Jonas, Abraão ainda intercedeu por até, no mínimo, dez
justos que houvesse naquelas cidades a fim de poupá-las. Mas só havia um justo
Ló, como também é assim chamado em 2 Pedro 2:7.
E ainda,
se voltarmos ao elenco aqui da nossa película, veremos também, no primeiro
capítulo de Jonas, o amor de Deus
demonstrado aos inocentes marinheiros que enfrentavam a revolta do mar contra
apenas um culpado. Um culpado que assumiu a culpa e até a consequência dela por
considerar a severidade de Deus, mas não considerou a bondade de Deus o
suficiente para assumir sua necessidade de perdão. Hesitando em lançar Jonas ao
mar, eles demonstraram mais temor a Deus do que o típico religioso profeta.
Eles tinham dúvidas se Deus se lembraria deles, não os deixando perecer, mas
Jonas tinha esta certeza, ele disse que “sabia
que tu és Deus bondoso e compassivo, tardio em irar-se e grande em
misericórdia, e que mudas de ideia quanto ao mal que anunciaste.” (4:2) Contrariados
por suas ações, eles clamaram ao Senhor: “Ah! Senhor! Nós te rogamos! Não
pereçamos por causa da vida deste homem, e não ponhas sobre nós o sangue
inocente, porque tu, Senhor, fizeste como te aprouve.” (1:14). Deus teve
misericórdia daqueles atribulados navegantes e ofereceu socorro bem presente
salvando aquelas vidas do naufrágio.
A
iniciativa de procurar saber a causa das nossas tempestades já é de extrema
importância para se alcançar a bonança.
Este
comovente amor de Deus nos
ensina a crer no poder da oração sincera e no pronto interesse divino no
bem-estar da humanidade. A tripulação teve a chance de experimentar e provar o
compassivo amor de Deus, “ofereceram
sacrifícios ao Senhor e fizeram votos” (1:16). Não sabemos se iremos
encontrar com eles na eternidade, mas a infidelidade dos homens não altera o
valor caríssimo do amor de Deus.
E o que
dizer do longânimo amor de Deus
pelo impaciente Jonas? Praticante de uma lista repugnante de provocações à
paciência do Senhor, ele poderia ser considerado mais réu de juízo do que a
cidade cruel em questão ou os marinheiros idólatras!
Desobediente
à ordem divina (1:2), tem ainda uma nova chance como resultado da paciência
divina (3:2).
Covarde
diante do inimigo (1:3), ainda recebe sustento e provisão do Senhor pelo
caminho de 3 dias, ao fim dos quais Deus lhe assegura um destino promissor
(3:4).
Ignorante
em relação à onipresença de Deus (1:3), ainda é alvo dos olhos celestiais mesmo
em direção contrária (1:4).
Apático
frente às manifestações da natureza (1:5), ainda é conservado em vida pela
soberania divina, mesmo sendo lançado nas profundezas dos mares (1:15).
Incrédulo
com respeito ao perdão de Deus (1:6), ainda lhe é concedida mais uma chance de
arrependimento (2:2).
Hipócrita
ao confessar sua fé (1:9), ainda foi preservado em nome da unção de profeta e
do chamado divino (1:17).
Inconsequente
pelas decisões escolhidas (1:12), obteve consequência
favorável porque ainda não era chegada a sua hora (1:10).
Incoerente
nas negociações de sua fria oração por socorro (2:9), ainda foi ouvido e atendido por
um Deus que se mantém fiel e verdadeiro (3:1).
Temperamental
ao extravasar seus descontentamentos e ressentimentos pela salvação dos seus
adversários (4:1), foi ainda considerado merecedor de aprender mais uma lição
do Mestre (4:4).
Insensível
e egoísta ao tentar manipular a graça e a piedade divina negando-as aos
verdadeiros necessitados (4:2), provou imerecidamente
o cuidado providencial do Criador do Universo (4:6).
Incompatível
e ingrato com o dom da vida que o Senhor lhe havia restituído (4:3), ainda
assistiu gratuitamente uma simulação encenada pela própria natureza sobre o
valor da salvação (4:7).
Obstinado
em seu péssimo mau humor, sustentou e persistiu em sua teologia exclusivista
até o fim (4:9), mesmo ainda depois de sofrer a sábia disciplina do Senhor
(4:10).
Jonas
provou e experimentou o imensurável amor
de Deus, apesar do seu reprovado comportamento.
Este
inesgotável amor de Deus nos
ensina que não basta ser profeta do Deus de amor, é preciso ter o amor do Deus
da profecia.
Este
ativo amor de Deus nos prova que
o verdadeiro amor não se expressa passivamente, permanecendo acomodadamente em
nossa zona de conforto.
Este
universal amor de Deus nos
sinaliza que seu alcance mapeia toda a humanidade independente de raças,
tribos, línguas, povos e nações. Um amor transcultural e interdenominacional.
Este
irresistível amor de Deus nos
convence e nos cativa, não por sermões longos e eloquentes, mas por uma aliança
eterna que constrange e atrai toda criatura desde o 6º dia da criação.
Este incomparável amor de Deus nos revela a
diferença entre julgar e amar, condenar e perdoar, punir e salvar.
Este maravilhoso amor de Deus nos assegura
que somos amados não pelo que fazemos, mas pelo que Ele é! Que somos amados não
pelo que temos, mas pelo que Ele é! Que somos amados não pelo que somos, mas
pelo que Ele é! Porque Ele é amor!
Consideremos
a bondade de Deus e a severidade de Jonas:
Deus
amou o mundo! Jonas odiou a cidade!
Deus
deu seu Filho! Jonas negou sua voz!
Deus
ofereceu seu perdão! Jonas quis reter sua pregação!
Deus
proporcionou salvação! Jonas sentenciou a maldição!
Deus
manifestou sua bondade! Jonas a sua severidade!
Diante
destas deformidades de caráter encontradas em Jonas, e honestamente, em muitos
de nós também muitas vezes, podemos suspirar aliviados como Jeremias e dizer: “As misericórdias do Senhor são a causa de
não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se
cada manhã. Grande é a tua fidelidade.” (Lamentações 3:22,23)
Jonas
estava literalmente nas mãos de Deus dentro do peixe. Esta condição me fez
lembrar aquela famosa estorinha do pássaro vivo ou morto, quando um discípulo
maldoso tenta desafiar a sabedoria do seu mestre perguntando se o pássaro que
ele tinha nas mãos estava vivo ou morto. O plano do rapaz era uma armadilha: Se
o mestre dissesse que estava vivo, ele esmagaria a ave. Se dissesse que estava
morto, ele abriria as mãos e a deixaria voar. Em ambas as situações, o mestre
erraria. No entanto, ao ser questionado, o sábio respondeu para o jovem: “A
vida do pássaro está em suas mãos.”
A moral desta história, geralmente, é aplicada no sentido
de ensinar que o nosso futuro, nossas conquistas e a solução para nossos
problemas dependem fundamentalmente de nossas próprias escolhas.
Isto tem uma parcela de verdade,
concordo. Porém, a verdade absoluta é que nossa vida está nas mãos de Deus, de acordo
com sua bondade e sua severidade, da mesma forma, dependentes da nossa humilde
sujeição a Ele ou da nossa orgulhosa dureza de coração, porque “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos
humildes.” (1 Pedro 5:5)
Posso
ver as mãos de Deus apertando aquele homem na barriga daquele animal, prestes a
matá-lo por justa causa, porém, ao mínimo clamor de socorro, em reconhecida
dependência divina, o Pai bondoso abriu sua mão e devolveu-lhe a vida.
“Assim, o Senhor sabe livrar da
provação os piedosos [bondade] e manter os injustos sob castigo, para o Dia do Juízo [severidade].” (2
Pedro 2:9)
Esta
premissa, confirmada aqui em um único verso por um apóstolo da nova Aliança, é amplamente exposta por,
no mínimo, dois grandes profetas do
Antigo Testamento: Jeremias no capítulo 18 e Ezequiel nos seus capítulos 18 e 33.
Querendo se aprofundar neste princípio, não deixe de estudar estas referências
básicas. Vale aqui citar, ao menos, dois versos com declarações do próprio
Deus:
“Vocês pensam que eu tenho prazer na
morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não desejo eu muito mais que ele se converta
dos seus caminhos e viva?”
As
respostas para estas perguntas retóricas estão no contexto, tanto do último
texto de Jonas, quanto no de Ezequiel:
“Mas, se o ímpio se converter de todos
os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que é
justo e reto, certamente viverá; não será morto. De todas as transgressões que
cometeu, nenhuma será lembrada contra ele; pela justiça que praticou, viverá.
Mas, se o justo se desviar da sua
justiça e fizer maldade,
fazendo as mesmas abominações que o ímpio faz, será que ele viverá? De todos os atos de justiça que
praticou, nenhum será lembrado; na sua transgressão com que transgrediu e no
seu pecado que cometeu, neles morrerá.” (Ezequiel
18:21-24)
E não
foi exatamente esta teoria do livro de Ezequiel que se cumpriu na prática no
Livro de Jonas? O que Deus falou por intermédio de um profeta, Ele fez
acontecer na experiência de outro.
Os
ímpios ninivitas já estavam destinados ao castigo,
para o Dia do Juízo, mas como Deus não tinha prazer na morte deles, mandou recado com seu justo profeta, o qual se desviou da sua justiça e fez maldade transgredindo a ordem do seu Senhor. Entretanto, aqueles se converteram de todos os pecados que
cometeram e por esta justiça que
praticaram, viveram.
A
sequência do processo funciona apenas de duas maneiras:
1 -
Ordem => Obediência => Justiça => Salvação
2 -
Ordem => Desobediência => Pecado => Condenação
Deus se manteve justo deste o princípio em sua bondade e em sua severidade. Quem mudou foi o ímpio e o justo. Um para o bem outro para o mal. Deus começou, sim, irado com a maldade da cidade, mas acabou tendo compaixão dela diante do arrependimento. Jonas, no entanto, se apegou a sua raiva e ressentimento. Sua fúria e indignação, seu sentimento de vingança e aborrecimento, refletiam um contraste incompatível com a graça e a misericórdia, o amor e o perdão do seu Senhor. Era como se ele pudesse dizer: “Se não vai matá-los, mate a mim.”
Se a
maldade de Nínive tinha subido à presença de Deus, a raiva de Jonas também. Se
a oração e o jejum de Nínive subiram à presença de Deus, o ressentimento e a
mágoa de Jonas também o fizeram sentir “excluído
da tua presença” (Jonas 2:4). Mesmo sendo isto o que ele tanto queria, “fugir da presença do Senhor”, longe
dela ele implora desesperado por ela. Mesmo tendo desejado por três vezes a morte, diante dela ele clama por vida! Seus
valores, além de contrários aos de Deus, estavam em conflito e confusão
com ele mesmo!
Nisto
vemos que os ninivitas pecadores daquela geração, e até os marinheiros pagãos
daquela embarcação, consideraram mais e melhor a bondade e a severidade de Deus do que o profeta da santa
nação que as desprezou. A falida religiosidade não compra o incalculável amor de Deus!
O amor
de Deus é bem maior que o seu furor, “porque
a sua ira dura só um momento, mas o seu favor dura a vida inteira” e é por
isso que o nosso “choro pode durar uma
noite, mas a alegria vem pela manhã.” (Salmos 30:5).
Aliás,
o nosso Deus é grande, e tudo o que faz é grandioso! Confira no texto que o
vento que Ele lançou no mar era grande (1:4); a tempestade que Ele formou era
grande (1:12); o peixe que Ele deparou era grande (1:17). Grande é a sua
misericórdia! (4:2)
E
porque Ele é grande, maior que tudo e que todos, Ele pode mandar em tudo e em
todos como fez diante da pequenez de Jonas. Ele é o Deus que também nos ordena
uma Grande Comissão!
Tão grande é nosso Deus que podemos reconhecer a Trindade toda em cada um dos quatro capítulos de Jonas. Vemos, no
primeiro capítulo, o Deus único e verdadeiro se manifestar como o Todo-Poderoso
para aqueles marinheiros! No segundo capítulo, reflexos nítidos Jesus, o Deus Filho,
se revelam a Jonas na prefiguração do Grande Peixe. Os ninivitas, por sua vez,
são convencidos do pecado, da justiça e do juízo pelo Deus Espírito Santo no
terceiro capítulo. E no quarto capítulo, é
como se fosse possível discernir a ação completa da Trindade nos conselhos
instrutivos de Deus Pai, na representação de Jesus naquela árvore e no ruach (vento) caloroso do Espírito Santo.
Enfim, creio que todos nós, a
semelhança de Jonas, sabemos o que o próprio Deus também proclamou a Moisés em Êxodo
34:6,7 por ocasião da segunda chance, com as segundas tábuas da lei, para um
povo que o Senhor também queria destruir após ter se corrompido com o bezerro
de ouro.
Mas, mais uma vez, a bondade de Deus se comprovou
ser maior que sua severidade quando mudou de ideia quanto ao mal que anunciou
que faria ao povo e não fez, antes declarou: “O Senhor Deus compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em
misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a maldade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocente o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos
filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração!”
Sim, este é o Deus que ordena pregar
contra, mas também oferece perdão. Que manda ventos e tempestades, mas também
bonança e calmaria. Que fala para o peixe engolir, mas fala também para
vomitar. Ele é o Deus que faz a planta crescer para confortar, mas também faz o
bicho atacar para desfalecer.
Nossa teologia sobre o nosso Deus
precisa ser equilibrada. Ele não é só bondade e nem só severidade.
Portanto, considere a bondade e a
severidade de Deus, com sabedoria dos céus e com prática na terra.
O que, às vezes, parece não considerarmos também é
que não devemos querer esta misericórdia só para nossos pecados, e para o
pecado do outro desejar a penalidade merecida. Precisamos aprender com Deus e
sermos parecidos com o nosso Pai, tendo nossa bondade e nossa severidade justa
e imparcial, tanto para com os nossos como para com todos os outros.
Eu não disse que este tema me encanta!? Acabou
ficando o capítulo mais extenso do livro! Não é a toa que vou dedicar um livro
inteirinho só sobre isso!
Vamos agora considerar a bondade e a severidade
refletidas em Jesus, depois em mim... e você vem nesta sequência!
REFLEXÕES EM JESUS:
É nítida e incontestável a bondade
de Jesus! Creio mesmo que todos nós já sabemos “o que aconteceu em toda a Judéia, começando na Galileia, depois do
batismo que João pregou, como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder,
e como ele andou por toda parte fazendo
o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele.”
(Atos 10:37,38)
Porém, paralelamente a isso, Ele
também manifestou em algumas ocasiões a sua severidade, como por exemplo,
quando virou a mesa dos cambistas e colocou ordem no Templo. A mesma severidade
se percebe em seu duro discurso dos “ais” contra a raça de víboras dos fariseus
hipócritas. Entre outras que você pode bem pesquisar.
No entanto, um reflexo extravagante da bondade e da severidade de Deus é visto na cruz! Ela anuncia o grande amor de Deus
por nós na propiciação em favor do perdão dos nossos pecados, mas nela se
revela, ao mesmo tempo, a severidade de Deus na sentença crucial aplicada sobre
Jesus como pagamento da nossa dívida.
O cenário do Calvário exibe, sim, a
Paixão de Cristo, mas por outro lado, expõe escandalosamente o furor da ira de
Deus sendo derramado sobre o Cordeiro Pascal.
E agora, diante do que Cristo
representa para cada um, ficará definida a posição ou a oposição da Pedra
Principal, de acordo com 1 Pedro 2:6-8, pois assim é dito na Escritura: “Eis que ponho em
Sião uma pedra
angular, escolhida e preciosa, e aquele que nela confia jamais será
envergonhado. Portanto, para vocês, os que creem, esta pedra é preciosa; mas para os que não creem, ‘a pedra que os
construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular’, e ‘pedra de tropeço e rocha
que faz cair’. Os que não creem tropeçam, porque desobedecem à mensagem; para o
que também foram destinados.”
Não há meio termo, ou Jesus é a
Pedra Preciosa sobre a qual permaneceremos inabaláveis mediante a sua bondade,
ou Jesus é a pedra rejeitada que servirá de severo tropeço para a queda
daqueles que não crerem nela.
REFLEXÕES NA MARINA:
Como
já disse, a bondade e a severidade de Deus me intrigam bastante! Venho de uma
época, no início da minha conversão, onde nos era apresentado o mais o perfil
severo de Deus, e de forma tão enfática que despertava muito maior temor ao
Justo Juiz de toda a Terra do que o amor ao benigno Pai Celestial.
Já
o que vemos hoje, no meu ponto de vista, é a propaganda de uma exagerada e
superabundante graça que parece banir qualquer presunção de severidade por
parte do Senhor.
É
este desequilíbrio que me incomoda!
Francamente,
se é para desequilibrar, eu preferia que o peso fosse maior para o lado do
temor do que para o lado do amor. Estou ciente que com esta postura tenho sido
taxada, equivocadamente, de legalista, entretanto, nada me convence do
contrário, pelo menos, por enquanto.
Uma
prova irrefutável dos resultados está no tratamento e na educação que os pais oferecem
para os filhos. No passado, quando chamados de “senhor e senhora”, os pais
impunham mais respeito porque os filhos temiam a autoridade e o poder que os
mesmos tinham sobre eles para corrigir e disciplinar os maus comportamentos.
Hoje bem sabemos que os pais é que estão temendo os filhos rebeldes e perdendo
todo o controle da boa formação desta geração.
Eu
estou certa que Deus me ama e seu amor por mim é incondicional, tanto quanto
desejo que o meu por Ele também seja. Contudo, eu não me satisfaço em somente
ouvir do meu Senhor: “Esta é a minha filha amada”. Eu quero ouvir a segunda
parte também: “que me dá prazer!”
Eu sei que nada que
eu fizer, ou deixar de fazer, vai alterar este amor, por isso o nosso amor não
está ameaçado. Já o prazer ou o desgosto que o Pai sentirá a meu respeito,
depende, sim, do meu temor em desagradá-lo.
Convenhamos, nem
sempre só o amor será suficiente para vivermos na extrema obediência e santidade que nos são requeridas. O amor garante o
perdão, mas o temor a santificação! Termino com as conclusões do sábio
Salomão:
“Pela misericórdia e verdade a
iniquidade é perdoada [curativo], e pelo temor do Senhor os homens se
desviam do pecado [preventivo].” Provérbios 16:6
“De
tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos;
porque isto é o dever de todo o homem.” Eclesiastes 12:13
REFLEXÕES NA MINHA VIDA:
Capítulo 11
MAPEANDO NOSSA VIDA
|
M |
uitas
vezes, as áreas geográficas que vivemos podem simbolizar áreas de nossas vidas
que denunciam nossas verdadeiras realizações.
Alguns desses lugares são destinos
divinamente traçados na jornada da nossa vida. Outras localidades já fazem
parte de roteiros humanos levados por meio de atalhos em rotas desconhecidas.
Como refletimos, ainda nas primeiras
páginas, todos nós saímos diariamente de um ponto de partida rumo a um ponto de
chegada, em alguns somos passageiros, em outros estrangeiros, mas em alguns
somos residentes, ainda que peregrinos e forasteiros!
Se
imaginarmos como cada um do livro de
Jonas começou o seu dia, poderíamos
supor que:
Os MARINHEIROS saíram normalmente para mais um dia de trabalho e mal sabiam que seriam os veículos do
mensageiro de Deus!
O JONAS saiu fugindo do seu trabalho de profeta e bem sabia que ele era o veículo da mensagem de Deus para além do seu mapa.
Os NINIVITAS saíram para mais um dia de perversidades e violência, mal sabendo que eram os destinatários da mensagem de Deus!
Mas... ao longo do dia, surgiram imprevistos no trajeto de cada um:
Os MARINHEIROS, diante da adversidade, procuraram a causa,
se livraram do mal, temeram e adoraram a Deus!
O JONAS, diante do juízo
divino, continuou fugindo, prefe-rindo tirar a vida e ficar no pecado ao
invés de tirar o pecado da vida.
Os NINIVITAS, diante do aviso de Deus, se humilharam em
arrependimento e se converteram com oração e jejum.
Todos começaram o dia indo na direção que bem melhor lhes
parecia. Porém, Deus interveio mudando não só o itinerário de cada grupo, mas
alterando seus destinos. Vejamos o final deles:
Os MARINHEIROS terminaram
o dia de viagem sãos e salvos!
O JONAS, em situação
extrema, lembrou-se de clamor a
Deus e foi reintegrado à sua missão, ainda que
não com tão boas intenções,
desejando, ainda desgostoso, a destruição de Nínive, não a redenção!
Os NINIVITAS alcançaram misericórdia divina e se livraram
do mal, foram poupados e terminaram esta história sãos e salvos!
Quem terminou o dia justificado? O profeta ou os profanos?
Nos três casos cada um teve seu momento de clamor. O profeta tentou justificar
os seus pecados por meio da sua justiça própria e apropriada só para si mesmo,
mas os profanos lançaram fora seus muitos pecados e confiaram na misericórdia
de Deus e na sua graça!
Sim, a graça já estava atuante mesmo no Antigo Testamento,
mesmo além das fronteiras de Israel, a um passo de uma oração sincera diante do
apelo por arrependimento.
Quando se obedece à sinalização que indica “conversão à
direita”, não se corre o perigo, nem de cair no barranco, nem de sofrer a multa
pela transgressão. Só quem vê de cima conhece bem o caminho certo e pode nos
guiar, sem medo de errar.
Além disso, se não estava, ficou claro
a impossibilidade de se esconder dos olhos de Deus! Não há lugar no mapa onde
não sejamos detectados pelo radar divino! Citamos já o conhecido Salmo 139 em alguma porção destas págnas, mas queria
compartilhar uma passagem semelhante, ainda que não tão conhecida, mas
que, igualmente, revela este poder que o Senhor tem de interceptar os
peregrinos do Reino que se desviam de suas rotas. Amós 9:2-5 diz:
“Ainda que cavem até ao inferno, a minha mão os tirará dali;e, se subirem ao céu, dali os farei descer.
E, se se esconderem no cume do Carmelo, buscá-los-ei, e dali os tirarei;e, se dos meus olhos se ocultarem no fundo do mar, ali darei ordem à serpente, e ela os picará.
E, se forem em cativeiro diante de seus inimigos, ali darei ordem à
espada que os mate; e eu porei os meus olhos sobre eles para o mal, e não para
o bem.
Porque o Senhor Deus dos Exércitos é o que toca a terra, e ela se derrete.”
Confesso que queria ter usado este
texto lá no capítulo 10 considerando a bondade e a severidade de Deus, ele não
é 10 para isso também? Releia refletindo por alguns instantes sob aquela ótica.
Inclusive, em Amós 7: 3 e 6 mostra o Senhor se arrependendo do mal que faria a
Israel após a oração intercessória de Amós.
Mas voltando a nos situar no mapa do
nosso assunto aqui, ele é 10 também, fala sério. Não temos por onde escapar! E
graças a Deus que não!
Quando tentamos alterar o curso da
nossa vida, Deus reage fazendo com que as circunstâncias se oponham a nós. Por
outro lado, quando seguimos na direção correta temos êxito e Ele nos favorece,
porque “O caminho de Deus é perfeito,
(...) Deus é a minha fortaleza e a minha força, e ele perfeitamente desembaraça
o meu caminho. Faz ele os meus pés como os das cervas, e me põe sobre as minhas alturas.” (2 Samuel 22:31-34)
O mesmo Deus que lançou Jonas nas profundezas (2:3) é o
mesmo que o levantou de lá (2:6).
Diante disso, trago um poema de 6 estrofes com 4 versos
cada, para refletirmos sobre os 6 pontos de encontro marcados por Deus para ver
a atuação agora dos 4 personagens em foco nestas reflexões: Jonas, Jesus, eu e
você.
A poesia traz o reflexo de Jonas nos dois últimos versos em
relação aos dois primeiros de cada estrofe.
Observe:
REFLEXÕES EM JONAS:
Em Israel, Terra da promessa, Cidade de
Deus, solo sagrado
É
quando estamos diante de Deus na nossa vida ministerial
Jonas
se mostrou desobediente e rebelde ao seu chamado ministerial
Inconstante
na sua fé, infiel à sua missão, incapaz na sua pregação
O navio representa a tripulação social ou
também o meio ambiente
É
quando estamos diante dos homens na nossa vida cotidiana
Jonas
se revelou indiferente às necessidades e perigos ao redor
Incrédulo
quanto à salvação, culpado quanto à condenação
Na barriga do peixe, no nosso encontro a
sós com nossa alma
É
quando estamos diante de nós mesmos e de mais ninguém
Jonas
se mantinha superficial mesmo nas profundezas do coração
Exteriormente
arrependido, mesmo que não no mais íntimo interior
Na praia, ou em qualquer outro lugar que
não deveríamos estar
Estamos
diante do desconhecido, perdidos em terra estranha
Jonas
desfigurado após ter sido vomitado pelas adversidades
É chamado
novamente para a recuperação de uma segunda chance
Em Nínive, campo inimigo, território
adversário e ameaçador
É
quando estamos diante do Diabo na tentação de cada dia
Jonas
aliou-se ao Destruidor ao invés de defender os a ele destinados
Promotor do pecado, sentenciador do juízo ao invés de
advogado do bem
Na colina à sombra da árvore, simbolizando
o fim da linha
É
quando estamos diante dos resultados recebendo o feedback
Jonas
ainda se manteve obstinado e cego para aprender com os erros
Irado,
frustrado, cansado, terminou sua lição de vida reprovado!
REFLEXÕES EM JESUS:
Em Israel, Terra da promessa, Cidade de Deus,
solo sagrado
É
quando estamos diante de Deus na nossa vida ministerial
Jesus veio
para o que era seu, e os seus não receberam
Mas, aos que o receberam, deu-lhes o direito de se
tornarem filhos de Deus
O navio representa a tripulação social ou
também o meio ambiente
É
quando estamos diante dos homens na nossa vida cotidiana
Jesus
entrou em muitos barcos e acalmou muitas tempestades
Ele
embarcava para se aproximar do povo e não para fugir dele
Na barriga do peixe, no nosso encontro a
sós com nossa alma
É
quando estamos diante de nós mesmos e de mais ninguém
Jesus era
o próprio Peixe que se negou a si mesmo e tragou a morte
Tornando-se
o Salvador, o nosso transporte para as alturas
Na praia, ou em qualquer outro lugar que
não deveríamos estar
Estamos
diante do desconhecido, perdidos em terra estranha
Jesus
nunca esteve onde não devia estar, veio para achar os perdidos
Mesmo
não sendo a cruz o seu lugar, Ele veio para substituir-nos
Em Nínive, campo inimigo, território
adversário e ameaçador
É
quando estamos diante do Diabo na tentação de cada dia
Jesus
sofreu a hostilidade de uma geração que não o reconheceu
Mas
venceu a tentação e o Tentador como Vencedor Invicto
Na colina à sombra da árvore, simbolizando
o fim da linha
É
quando estamos diante dos resultados recebendo o feedback
Jesus
subiu o Monte Calvário e se fez trevas em toda face da terra
Mas
sobre o madeiro declarou: Está consumado! Missão cumprida!
* O nosso exercício de casa será reeditar o poema
substituindo os dois últimos versos de cada estrofe com
versos que refletem o nosso próprio reflexo neste mapa de vários endereços.
REFLEXÕES NA MARINA:
Em São Paulo, Terra da promessa, Cidade Natal,
solo sagrado
É
quando estamos diante de Deus na nossa vida ministerial
Foi lá
que eu nasci a 1ª vez e renasci 2ª vez como filha de Deus
Quase 50 anos de ministério eclesiástico na Palavra em 3
igrejas
O navio representa a tripulação social ou
também o meio ambiente
É
quando estamos diante dos homens na nossa vida cotidiana
Naveguei
pelos ambientes familiares, escolares e profissionais
Constituí
um lar, casei com Claudio em 1988 e ganhei o Davi em 99
Na barriga do peixe, no nosso encontro a
sós com nossa alma
É
quando estamos diante de nós mesmos e de mais ninguém
Ah...
já confessei que amo esse lugar, meu lugar secreto
Eu
& Deus na quietude e na solitude de onde recebo as inspirações
Na praia, ou em qualquer outro lugar que
não deveríamos estar
Estamos
diante do desconhecido, perdidos em terra estranha
Graças
a Deus que vim morar na praia! É o melhor lugar do mundo
Sou
Marina... tenho Mar até no nome... Aqui sim eu me achei!
Em Nínive, campo inimigo, território
adversário e ameaçador
É
quando estamos diante do Diabo na tentação de cada dia
Existem
sim, lugares onde não quero estar, ambientes hostis
Mas por vezes entendo que é ali que eu devo estar para
resgatar os cativos
Na colina à sombra da árvore, simbolizando
o fim da linha
É
quando estamos diante dos resultados recebendo o feedback
Também
gosto desse lugar, sou do tipo reflexiva, deu pra perceber
Amo feedbacks e a sensação de missão
cumprida! Concluí o percurso!
Agora acione seu GPS (God Plis Steer)* e boa viagem:
*Deus, por favor, me guie.
REFLEXÕES NA MINHA VIDA:
Capítulo 12
PESCAR & APASCENTAR
|
Q |
uando
compartilhei esta reflexão, naquela época da Festa das Águas, estávamos na
última semana do projeto de evangelização dos “1000 peixinhos” e em 3 dias
estaríamos concretizando o Batismo das mil almas!
Eu estava certa que depois iríamos nos reunir para o tão
importante feedback entre capitães, Equipe de Apoio, pastores e, acima
de tudo e de todos, diante da avaliação do nosso Deus.
Então, sem querer me adiantar nas conclusões, quis
ressaltar nesta última reflexão uma lição muito importante já evidenciada na primeira
Festa das Águas, repetida nesta segunda, esperada em uma terceira e
explicitamente demonstrada em nosso livro de Jonas.
Confesso a vocês que o tema é bastante preocupante e,
sempre o foi para mim de maneira mais pessoal e particular pelo meu próprio
perfil. De uns longos anos para cá, durante minha leitura bíblica, comecei a
ressaltar com círculos as palavras: perseverança, permanência, constância e
outras semelhantes. Isso porque notei como sou um pouco inconstante e, tomando
a liberdade de generalizar o ser humano, reconheço como todos nós somos
desistentes em muitos dos nossos propósitos.
Com certeza, você, pescador (falando na época para os
participantes), não manteve o mesmo ritmo durante todos esses 3 meses de
projeto. Não há dúvida que alguns dos seus peixes desistiram no meio do
caminho, e o que me dói: quantos peixes batizados na festa passada permaneceram
até hoje?
Como vencer esta deficiência humana? Eis a questão!
Vejamos o perfil de Jonas: pelo seu chamado ministerial ele
deveria permanecer na vontade de Deus para sua vida, porém “deu pra trás”!
Pressionado pela 2a chance, retomou o rumo.
Sua mensagem produziu o arrependimento e a conversão de
todos ninivitas. Mais de 120 mil “peixes” caíram de uma só vez nas redes de
Jonas! E o que ele fez com eles? Abandonou aqueles cidadãos e só ficou
observando “até ver o que aconteceria à cidade” (4:5).
O profeta ministrou na função de profeta, mas não exerceu o
pastorado, não ofereceu o mestrado e nem se importou com o apostolado, porque
não era um evangelista, sua mensagem foi simplesmente: “Ainda quarenta dias
e Nínive será subvertida.” (3:4).
Se ele fosse um capitão nestas Festas das Águas, mesmo relutante em atender a convocação,
ele cumpriria mecanicamente a sua função de pescador, contaria os dias para pôr
fim ao prazo estipulado e viraria as costas “até ver o que aconteceria à
igreja”.
Jonas não viveu (eu creio) para “ver o que aconteceu à
cidade”. A Bíblia também não dá mais informações para sabermos por quanto
tempo durou a conversão dos ninivitas, só sabemos que, aproximadamente depois
de uns 150 anos, ela de fato foi subvertida, destruída completamente, conforme
descrito pelo profeta Naum.
Daí eu me pergunto: será que não ficaram como ovelhas sem
pastor? Será que não foram filhos gerados sem babás, sementes espalhadas em um
jardim aberto sem os cuidados do agricultor?
E o que dizer dos marinheiros? A palavra diz que “eles
clamavam cada um ao seu deus” (1:5), será que após a provação da tempestade
eles reconheceram que só o Senhor é Deus? Onde estavam os discipuladores
daquela época para ensinar-lhes isto?
Sejamos pescadores de peixes, sim, mas
pastores de ovelhas também!
Pedro foi convidado uma vez pelo Senhor a se
tornar um pescador de homens em Marcos 1:17, mas, ele foi ordenado por três
vezes a apascentar as ovelhas em João 21:15,16,17!
A nossa Grande Comissão não se resume em apenas no “Ide,
pregai o evangelho a toda criatura”, mas continua com “ensinando-as a guardar
todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (Mateus 28:19,20)
Jonas não cumpriu o seu ministério até o fim. Ao tentar sabotar a redenção de Nínive, acabou sabotando seu
próprio ministério!
Os marinheiros, provavelmente, não participaram de um
intensivão para reconhecerem o senhorio do único e verdadeiro Deus que mal
acabavam de conhecer!
Os ninivitas não possuíam sacerdotes do Deus Vivo e não
tiveram as instruções de Mestres da Lei que a nação santa recebeu de Moisés,
como: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma,
(...) e ensinai-as a vossos filhos... para que se multipliquem os vossos dias e
os dias de vossos filhos na terra...” (Deuteronômio 11:18,19)
Naquela época recebi um e-mail do
Ministério Jesus não Desistiu de Você, no qual era apresentada uma estatística
de 40 milhões de desviados no Brasil! Sei que a responsabilidade é pessoal, mas
será que o sangue de alguns deles não será requerido das nossas mãos? Será que
muitos destes não estavam inclusos nas metas de peixes das nossas festas, mas
que, porém, não encontraram o berçário da peixaria? Será que foram peixes que
só receberam a isca em um afiado anzol e ficaram desnutridos por não receberem
o alimento sólido da Palavra de Deus?
Diante disso, minha sugestão seria após as Festas das Águas,
após os Batismos, promovermos, na sequência, as Festas do Leite, do discipulado para preservação e cuidado com os
novos convertidos!
Estaremos com nosso berçário lotado se somarmos todos os
recém-nascidos dos últimos meses! São muitos cordeirinhos para apascentar e
vigiar para que não se desviem do rebanho! Muitas “fraldas” para trocar e
“mamadeiras” para preparar! Muitas criancinhas espirituais para pegarmos pelas
mãos e ensinar os primeiros passos! Sugiro trocarmos, ou revezarmos, por um
tempo, as nossas redes e varas
por chupetas e chocalhos. Entendem a
linguagem?
REFLEXÕES EM JESUS:
Talvez uma das declarações de Jesus
que mais expressa o cuidado do Deus
Filho, não só com seus “peixes” e nem só com suas “ovelhas”, mas com os
filhos de Deus Pai, por meio do Deus Espírito Santo, seria esta em João
14:16-18:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador,
para que fique convosco para sempre;
O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas
vós o conheceis,
porque habita convosco, e estará em vós.
Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.” Jesus
Explicita a preocupação da “Família
Celestial” com os seus filhos! O Pai gerou, o Filho deu a luz, e o Espírito
Santo vem para cuidar! Jesus não nos deixou sós, abandonados e desmamados, Ele
proveu o alimento e o alimentador!
E foi assim que Ele nos ensinou a
fazer, como já mencionei, não só ir e pregar o Evangelho (a isca para os
peixes), mas fazer discípulos ensinando o Evangelho (o alimento para as
ovelhas).
Jesus provou que o principal não é
só ganhar almas, mas, sobretudo, não perdê-las!
Paulo, apóstolo, aprendeu bem esta
lição e provou isso na sua experiência com os Gálatas, para os quais havia
pregado o Evangelho, mas, depois de um tempo, vendo-os voltar outra vez aos rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo
estavam querendo servir (Gálatas 4:9); e tendo receio que o seu trabalho por eles tinha sido em vão. (11),
declarou: “É bom ser sempre zeloso pelo
bem e não apenas quando estou com vocês, meus filhos, por quem, de novo, estou
sofrendo as dores de parto, até que Cristo seja formado em vocês. Bem que eu
gostaria de estar agora aí com vocês e falar em outro tom de voz, porque estou perplexo com
vocês.” (18-20)
Isto é zelo, cuidado, pastoreio!
Sentir as dores de parto para o novo nascimento dos nossos bebês na fé, mas
continuar sentindo até que Cristo seja formado neles! O mesmo princípio se aplica a nós, pais
naturais! Não é só parir, é criar, cuidar, educar, proteger, prover... até que
ele, já formado, saiba fazer isso por si só e por outros filhos...
REFLEXÕES NA MARINA:
Depois de
apresentar o exemplo de Jesus e de seus apóstolos, também quero registrar aqui
um texto que expressa bem este nosso papel em continuidade ao ministério
Crístico e apostólico, cada palavra é de fundamental importância e significado,
reforçarei algumas com negrito para facilitar a visualização, Efésios 4:11-16
diz:
“E ele mesmo [JESUS] concedeu uns para
apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para
pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento
dos santos para o desempenho do seu
serviço, para a edificação do corpo
de Cristo, até que todos cheguemos à
unidade da fé e do pleno
conhecimento do Filho de Deus, ao
estado de pessoa madura, à medida da
estatura da plenitude de Cristo,
para que não mais sejamos como crianças, arrastados pelas ondas e levados de um lado para outro
por qualquer vento de doutrina, pela
artimanha das pessoas, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos
em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,
de quem todo o corpo, bem-ajustado e consolidado pelo auxílio de todas as
juntas, segundo a justa
cooperação
de cada parte, efetua o seu próprio crescimento
para a edificação de si mesmo em
amor.”
Quase que negritei
tudo! E merecia! O texto é perfeito no nosso
contexto para que ninguém ache pretexto de pular fora do barco!
Você terá sua
oportunidade logo mais para expressar também em que parte deste contexto você mais refletiu e que parte do Corpo reflete a
sua cooperação!
Aqui, neste meu
espaço, posso compartilhar que o Senhor me concedeu para “mestre”. Dentre os
cinco dons ministeriais por Ele alistados, o que mais reflete o meu perfil é o
do ensino da Palavra. Talvez seja minha especialidade, mas tudo nos fundamentos
apostólicos, de maneira profética, evangelizando ao ensinar e pastoreando ao
discipular.... de tudo um pouquinho!
É por isto, muito
provavelmente, que sinto esta necessidade pulsante dentro de mim de discipular,
mais até que evangelizar no ofício de evangelista, mas evangelizar no sentido
de ensinar o Evangelho efetuando o crescimento e a edificação daqueles que os
evangelistas já levaram ao novo nascimento!
REFLEXÕES NA MINHA VIDA:
Capítulo 13
JONAS & JESUS
|
C |
oncluindo
as nossas reflexões didáticas sobre o Livro de Jonas, servirei agora, como uma
sobremesa, uma reflexão poética, lá do tempo das Festas das Águas, apresentando
uma recapitulação dos reflexos do profeta do Antigo Testamento com o Messias do
Novo Testamento.
Vamos aproveitar também para tentar
nos enquadrar neste paralelo entre Jonas e Jesus. Qualquer semelhança é mera
coincidência ou pura coerência?
Jonas,
Jesus, eu e você, fomos chamados para executar uma missão evangelística em
cumprimento à vontade de Deus.
Jonas, a princípio, desobedeceu e,
rebelde, fugiu de diante da face do Senhor.
Jesus desde o princípio foi
obediente e, fiel, andou diante da face do Senhor.
Quanto a nós, fica a cargo de cada
um se enquadrar nas mesmas condições e formular sua versão para esta e as
demais estrofes a seguir...
Jonas e Jesus foram comissionados em
direção a pessoas rebeldes, pecadoras e até, muitas vezes, indesejáveis.
Jonas odiava os ninivitas e repugnava a ideia
de serem perdoados.
Jesus amou
a humanidade dando a Sua vida por ela e tomando para Si o seu castigo.
Jonas e Jesus enfrentaram uma
tempestade em alto mar.
Jonas
dormia o sono da apatia. Nem sequer orou ao seu Deus como recomendou a
tripulação. Sua solução foi afundar-se na revolta do mar.
Jesus descansava
o sono da paz. Em resposta à súplica dos discípulos, acalmou o vento e sossegou
a tempestade. Ele pôde andar por sobre as águas!
Jonas e Jesus combateram a morte por
3 dias e 3 noites.
Jonas foi
tragado por um grande peixe e, provavelmente, desfigurado pelas condições
impróprias da sua temporária moradia, enrolado por algas e sufocado pelas
ondas.
Jesus
recebeu condições especiais para ser colocado em um sepulcro novo e aberto na
rocha, envolto em um fino e limpo lençol, não provou a corrupção.
Jonas e Jesus oraram a Deus diante
da morte.
Jonas, na
sua angústia, apercebido de sua insensatez e teimosia,
gritou por socorro e arrependido prometeu pagar seus votos.
Jesus, na
sua oferta voluntária, morrendo pelos pecados que jamais cometeu, suplicou o
perdão de Deus a nosso favor pagando a dívida que nos condenava.
Jonas e Jesus foram salvos da morte.
Jonas foi
enojadamente vomitado para uma segunda chance de, em obediência a ordem divina,
proclamar o juízo sobre a grande cidade de Nínive.
Jesus foi
gloriosamente ressuscitado para viver para sempre e, em vitória sobre a morte
espiritual, proclamar a salvação eterna para todo o mundo.
Jonas e Jesus alcançaram os mesmos
objetivos, porém não com os mesmos resultados.
Jonas
pregou contra Nínive, no entanto ela creu em Deus e, arrependidos, seus
moradores se humilharam e, por se converterem dos seus maus caminhos, Deus não
a destruiu.
Jesus
pregou e provou o amor de Deus ao mundo, no entanto os seus não o receberam, “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o
poder de serem feitos filhos de Deus, a saber: aos que creem no seu nome.” (João 1:12)
Jonas e Jesus receberam o feedback de Deus após concluírem suas
missões.
Jonas
aborrecido e descontente saiu da cidade, fez uma cabana, assentou-se debaixo de
uma planta. Em uma crise de bipolaridade extrema, nosso extremista fugitivo alegrou-se
ao extremo por ter uma sombrinha para se refrescar e entristeceu-se ao extremo por
sofrer o calor do sol a lhe torrar. Contrariado com o final feliz que Deus havia
dado aos seus inimigos, sua história encerra-se no desconhecido final de quem
nem sequer respondeu diante da manifestação do amor de Deus.
Jesus foi
triunfantemente recebido pelos anjos na glória, está preparando mansões
celestiais e assentou-se no trono à direita do Pai. Alegra-se em santificar
para si um povo exclusivamente seu que descansa à sombra do Onipotente e se
comove com paixão pelos pecadores que ainda perecem nas trevas sendo Ele mesmo
o Sol da Justiça. O final feliz da Sua história ainda está por vir, quando
exaltado em majestade e glória reinará por toda eternidade.
Eu e você
estaremos para sempre com Ele. Podemos apressar Sua vinda pregando este
Evangelho do Reino em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então
virá o fim!
Enquanto isso, continuemos refletindo a imagem de Cristo Jesus, aprendendo com os reflexos negativos de Jonas e ensinando com as reflexões positivas de Jesus!
A seguir mais versinhos sobre...
JONAS & JESUS
Jonas foi comissionado para uma cidade
Jesus foi enviado para o Mundo
Jonas desobedeceu até quase a morte
Jesus obedeceu até a morte e morte de cruz
Jonas fugia para longe de diante da face do Senhor
Jesus era Deus e manifestou a presença de Deus na Terra
Jonas desceu da terra para as profundezas da humilhação
Jesus desceu à Terra e subiu para as Alturas em exaltação
Jonas dormiu no navio o sono da culpa de mal com tudo
Jesus descansou no barco o sono da paz de bem com a vida
Jonas acalmou o temporal com a confissão de réu
Jesus repreendeu a tempestade com a palavra de fé
Jonas foi lançado ao mar para a perdição
Jesus andou sobre as águas para a salvação
Jonas foi achado no mar como comida para a baleia
Jesus achou no peixe provisão e alimento para os famintos
Jonas sofreu 3 dias e 3 noites na barriga do grande peixe
Jesus morreu no 1º dia, descansou no 2º e ao 3º ressuscitou
Jonas depois pregou a destruição de Nínive em 40 dias
Jesus depois de ressurreto permaneceu 40 dias pregando
Jonas ficou desgostoso com a conversão dos pecadores
Jesus ficou satisfeito vendo o fruto do penoso trabalho de sua alma
Capítulo 14
TIRADENTES
|
N |
aquela
época em que eu escrevia periodicamente para os participantes da Festa das
Águas, estávamos na semana da “Inconfidência Mineira”, e em 21 de abril rememoramos
a morte de Tiradentes, considerado um mártir da pátria brasileira! Dizem até
que Décio Vilares pintou o retrato de Tiradentes aproximando suas feições de
uma gravura popular de Cristo, numa simbologia de mártir.
Algumas semanas antes tinha sido a Páscoa e comparei Jonas
com Jesus encontrando refletidas pequenas semelhanças e desastrosas diferenças!
Agora, a que conclusões poderíamos chegar se comparássemos Tiradentes com Jesus, ou com Jonas, ou conosco?
Mesmo não querendo se aprofundar muito na história do Brasil, cabe aqui um pequeno resumo para refrescar nossa memória: “Os inconfidentes não tinham tropas nem armas para conquistar o poder. Também não contavam com a participação do povo. As camadas mais baixas não participaram da Inconfidência porque os líderes do movimento não tinham planos para melhorar as condições de vida dos pobres (a maioria da população). Não havia entre os líderes da Inconfidência a intenção de acabar com a escravidão dos negros. Se o movimento fosse adiante os negros continuariam sendo escravizados e explorados pelos membros da classe dominante. A Inconfidência Mineira não foi uma revolta de caráter popular. Visava apenas o fim da opressão portuguesa que prejudicava a elite mineira. Não tinha como finalidade acabar coma a opressão social interna que explorava a maioria do povo. Havia muitos planos e pouca organização para realizá-los.” (* Fonte: Educaterra.)
Com este breve relato, dá para notar que esta revolução
ficou só na tentativa, sem nenhum êxito, sem nenhum resultado revolucionário e
benéfico para a nação brasileira!
Tiradentes foi
condenado à forca sem nenhum triunfo, sem nenhum mérito. Suas “boas intenções”
de interesse pessoal e “elitizado”, em minha opinião, não mereciam um feriado
nacional. Muito mais digno de comemoração seria o dia seguinte, 22 de abril,
quando descobriram nosso Brasil!
Porém, o que me levou a refletir com esta analogia, foi a
disposição destes homens, com risco de vida, de lutarem em prol dos seus
ideais.
Vemos em Jesus esta disposição a ponto de dar sua
própria vida como parte principal do seu plano revolucionário de Salvação. Ele
contava, sim, com tropas angelicais e tinha recebido todo poder no céu e na
terra. Seus planos visavam o bem-estar e a libertação de todas as raças, povos,
tribos e nações! Ele também foi traído pelo inconfidente Judas Iscariotes, o
qual sentenciou sua própria condenação suicidando-se com a forca do remorso!
Já em Jonas, não vemos nenhuma disposição para o
cumprimento de sua missão. Suas semelhanças com Tiradentes se limitam tão
somente ao patriotismo e ao nacionalismo rigoroso que o levava, também, a odiar
e a se revoltar contra os fortes opressores que prejudicavam sua nação mais
fraca! Ele também arriscou sua vida, não em prol da salvação de uma cidade
inteira, mas apenas de uns poucos
marinheiros. Não como prova de amor em cumprimento à vontade de Deus,
mas em demonstração de covardia em resistência a missão divina!
E quanto a nós?
Somos também líderes e liderados de tropas missionárias, cada um com seus pelotões de pequenos grupos aliados e revestidos do poder do alto para contagiar todo um povo a participar deste revolucionário movimento que é a Evangelização! Visamos alcançar os pobres de espírito, os escravizados pelo pecado, os oprimidos pelo maligno e os explorados por Satanás! Levantamos nossa bandeira do AMOR e nos organizamos na realização de planos e estratégias que promovam o sucesso desta santa conspiração sobre o reino das trevas!
Tiradentes morreu
enforcado sem, contudo, alcançar seus ideais.
Jesus pagou o preço na
cruz tendo, com isso, comprado a salvação da humanidade!
Jonas tentou suicídio, no
entanto, ainda serviu de canal para salvar marinheiros e ninivitas!
Eu e você estamos vivos para, com alegria, consagrar nossas vidas ao ministério da reconciliação da humanidade com a divindade!
Que sejamos considerados verdadeiros mártires da Pátria
Celestial, revelando com o
testemunho das nossas vidas a salvação com que fomos comprados, levando o
pecado ao suicídio e o pecador à vida eterna como inconfidentes do grande
mistério do segredo sagrado!
“Se mil vidas eu tivesse, mil vidas eu
daria pela libertação da minha pátria.”
Tiradentes
“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá
a sua vida pelas ovelhas.”
Jesus
“Para mim é melhor morrer do que viver.”
Judas
Capítulo 15
NÚMEROS
|
J |
á se
havia passado 10 semanas desde a 1a reunião de
abertura oficial da II Festa das Águas em 3 de
fevereiro! E faltavam 15 dias para o Grande Batismo em 1o de
maio!
Naquelas últimas 2 semanas, os 20 capitães,
associados aos seus 50 pescadores, estavam na contagem final! A
quantidade de peixes deveria chegar a 1.000 na somatória geral de
todas as equipes!
Diante de tantos números distribuídos por tantas listas que
passavam e repassavam por nossas mãos, se fazia necessário meditar sobre esta
questão: “números”.
O tempo já era o bastante para ser apropriado um balanço
geral. Inclusive para nós aqui, também chegando às considerações finais das
nossas reflexões, pode ser interessante uma retrospectiva para apurar a
quantidade, qualidade e totalidade do nosso aproveitamento no decorrer da contagem
de toda esta história.
Pode não parecer, mas Deus se preocupa com números. Ele sabia o número de habitantes de Nínive:
“não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil (120.000) homens...” (4:11).
Tenho certeza que Ele poderia dar o número exato de homens, mulheres, crianças e, até “também dos
muitos animais”. A meta do Senhor era salvar mais de 120 mil homens!
Criar um mundo todo em 7 dias é habilidade apenas
para o Trino Deus Todo-poderoso que planeja passar toda uma eternidade
não apenas com 144 mil selados e redimidos, mas com todo um povo que aprendeu
o que é perdoar 70 x 7 vezes por dia, separar a 10a
parte de toda sua renda, observando todos os 10 mandamentos e não
adorando o número da besta, o 666.
O objetivo desta reflexão é nos assegurar que Deus controla
todas as coisas, inclusive “os cabelos da nossa cabeça estão todos contados”
(Lucas 12:7). Como seria possível alguém pensar na possibilidade de “fugir
de diante da face deste Senhor”.
Quando Jesus vivia cercado de multidões, ele sabia
diferenciar e enxergar um por um, acredita? Uma prova disso foi
Zaqueu. Ele não conseguia ver Jesus, mas Jesus conseguiu vê-lo. A multidão toda
talvez nem tivesse notado aquele baixinho, mas Jesus notou, e notaria ainda que
ele estivesse enterrado embaixo da árvore. Deus vê nosso coração! (Confira os fatos em Lucas 19)
Outra prova é a mulher do fluxo de sangue. Quanta gente
apertava Jesus, no entanto Ele distinguiu um toque especial, o toque da fé, e
destacou aquela mulher de toda a multidão. (Confira os fatos
em Marcos 5)
Jesus também sabe contar. Ele curou 10 leprosos e
quando apenas 1 voltou para agradecer Ele perguntou: “onde estão os 9?” (Confira os fatos
em Lucas 17)
Será que estamos contados com a maioria ingrata, será que
fazemos a diferença na numerosa multidão que segue a Jesus? Será que somos
humildemente pequenos para Jesus conseguir nos enxergar? Será que você é apenas mais 1 na
multidão, será que você foi contado entre os 70 discípulos de Lucas 10,
passou pela seleção dos 12 apóstolos, alcançou a intimidade dos 3
mais chegados ou conseguiu ouvir o coração de Jesus reclinado em seu peito como
o discípulo amado?
Na escola da vida cristã você é o 1o da
classe ou o último da fila? O Senhor está contando com você!
Nosso Deus é infinitamente grande, assim como os números
que não têm fim! Então enumerarei apenas
alguns:
Ele sabia que Abrão não poderia contar as estrelas do céu
como Ele, contadas e conhecidas cada uma por seus nomes (Sl. 147:4), mas
prometeu-lhe uma descendência numerosa com apenas 1 filho, que gerou
mais 2, e destes 2 mais 12,
e assim ficaram incontáveis como a areia da praia e as estrelas do céu.
Depois chegou a vez de Abraão pedir para o Senhor contar os
justos de Sodoma e Gomorra. E o Deus de misericórdia não iria destruir uma
cidade inteira por amor de 50, 45, 40, 30, 20, 10 justos que se achassem naquele lugar. Porém a conta do
Senhor não alcançou a quantidade
mínima com a qualidade desejada na totalidade das cidades!
Este Jesus, que morreu aos 33 anos de idade, depois
de 3 anos de ministério, foi vendido por 30 moedas de prata, mas
ressuscitou ao 3º dia para
ser o Salvador, não só de 1.000 ou 120.000 almas, mas de todo um rebanho do qual eu e você fazemos
parte em razão de Ele, um dia, ter deixado as 99 no aprisco para resgatar-nos
das mãos do salteador, ter varrido toda a Terra desta nossa casa procurando 1 perdido pecador até completar o seu
precioso colar de 10 dracmas, ter
ficado à espera de seu filho pródigo voltar e realizar o grande banquete de
recepção!
E falando em banquete, o que dizer dos 5 pães e 2 peixinhos
para cerca de 5.000 homens, além de
mulheres e crianças? O que custaria mais de 200 denários subtraídos
do caixa dos discípulos para satisfazer toda aquela multidão, se multiplicou gratuitamente com a bênção
do Senhor para ser dividido com todo
aquele povo numeroso, de maneira tal a somar
ainda 12 cestos cheios do que
sobrou! Quem poderia calcular que isso iria acontecer de forma tão milagrosa!
E não só aconteceu literalmente no tempo de Jesus, como tem
acontecido espiritualmente agora no meu tempo. Pois eu também tenho levado meus
Banquetes, não só os 4 couverts da série Poemas Temáticos, já
somando 300 poesias publicadas, como
também os 5 pratos principais da
Dieta do Cordeiro em 260 porções
distribuídas em 670 páginas, além
desta sobremesa deliciosa que estou acabando de preparar à moda de Jonas. E todo
este divino cardápio da culinária cristã está disponível, todos os dias à mesa,
para alimentar multidões famintas, oferecendo as porções que o Senhor abençoou,
multiplicou e me disse: Dá-lhes você mesma de comer!
Hoje, este nosso Senhor está vivo, com brasas vivas do
outro lado da margem, nos esperando chegar com nossos muitos peixes para,
então, nos dizer: “Trazei dos peixes que agora apanhastes. Simão Pedro entrou
no barco e arrastou a rede para a terra, cheia de 153 grandes peixes; e,
não obstante serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: Vinde,
comei”. (João 21:10, 11, 12).
Está se aproximando, de fato, o grande dia em que Jesus
pedirá conta dos 5, 50, 1.000, enfim, dos “n”
peixes que apanhamos.
Façamos como o
apóstolo Paulo que “fez tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a
salvar alguns. E eu faço isso por causa do evangelho”. (I Cor. 9:22, 23).
Desta forma, sentaremos satisfeitos à mesa do Senhor quando
Ele chamar todos os pescadores com seus peixes para as Bodas do Cordeiro com o triunfal convite: “Vinde, benditos de
meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do
mundo”. (Mateus 25:34)
Será que chegando lá
encontraremos com Jonas e poderemos saber o que realmente aconteceu para além
dos 48 versículos dos 4 capítulos registrados neste 32º livro da Bíblia?
Por ora, estou satisfeita com os 15 capítulos deste meu 6º
livro de 170 páginas com inúmeras reflexões e seus respectivos
reflexos nos 4 principais
personagens nele refletidos!
Então, antes de partirmos para a conclusão, aproveito para
te abençoar neste último capítulo com a Bênção Sacerdotal de Arão em NÚMEROS 6:24 a 26
“O Senhor te
abençoe e te guarde;
o Senhor faça
resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti
levante o seu rosto e te dê a paz.”
CONCLUSÃO
|
A |
pós
todo este panorama da história de Jonas, podemos chegar à mesma conclusão que
aludimos na introdução: “certamente Deus sempre tem os seus planos e propósitos
bem definidos.”
Da mesma forma como Deus chamou a Jonas e a Jesus, Ele
também chama o meu e o seu nome...
Assim como Deus tinha seus planos e propósitos bem
definidos para o profeta, no ministério de profeta, Ele também tem uma missão
para mim e para você refletida dentro da vocação ministerial a que fomos
designados...
Cabe a nós, a semelhança de Jonas, ouvirmos nítida e
claramente o que Ele está nos mandando fazer, falar, ser e dar completando
nossa jornada. Ouvirmos d’Ele o onde, o como, o quando, o para quem e o porquê!
Porém, muito mais além do que simplesmente ouvir, ao
contrário de Jonas, em reflexo invertido agora, estejamos prontos a obedecer,
sem questionar... sem hesitar... sem adiar... refletindo aí o exemplo de Jesus!
Provavelmente, ao longo da leitura destas reflexões, e dos
reflexos analisados, você, como eu também, se viu em algumas cenas semelhantes
e em algumas atitudes e sentimentos parecidos.
Então lembre-se: a história de Jonas acabou, mas a minha e
sua continua.
Ainda podemos mudar e registrar muitas e boas experiências
em cumprimento ao nosso chamado e, ao fim da nossa jornada, ainda deixar um
legado exemplar e uma história inspiradora, cujo desfecho vitorioso motivará
muitos outros grandes homens e mulheres de Deus a realizarem suas missões
sempre no tempo e do modo determinado pelo Senhor nosso Deus!
Talvez sua missão não seja, necessariamente, pregar para
milhões e milhares de pessoas, nem tão pouco ganhar centenas ou mesmo dezenas
de almas, mas, de repente, uma única vida, muito mais perto do que você
imagina, muito mais fácil do que você pensa. Alguém que pode estar só esperando
ouvir o Plano da Salvação para então crer, se converter dos seus maus caminhos
com verdadeiro arrependimento e crescer no novo e vivo caminho que é Jesus, até
que Ele também seja formado nela!
Mas, como ela ouvirá se não há quem pregue?
Eu e você já fomos enviados a ir e pregar o evangelho a
toda criatura, ensinando-as a guardar todas as coisas que nos foi ordenado.
A seara é grande, mas os ceifeiros são poucos!
Vamos fazer parte destes poucos e sair para a colheita? Os
campos já estão brancos para ceifa!
Ou melhor, o mar está para peixe!
Valeu demais viajar em sua companhia por este meu profundo mar
de palavras que nos levaram a encontrar o reflexo do Grande Peixe em cada
capítulo, como um espelho d’água, não só destas páginas, mas da história de
cada um de nós!
Pronto, eu paro de escrever aqui e você já pode parando de
ler aí... sem deixar jamais de continuar refletindo sobre estas reflexões que
nos fizeram ver estes reflexos em nós mesmos!
Revisando o tema de cada capítulo, vamos lá, no Tempo e no
Modo de Deus, nos Levantando para cumprir nosso chamado, ainda que precisemos Descer
para Subir, O Vento do Espírito Santo nos guiará ao encontro do Grande Peixe, e
não precisaremos descansar à sombra de Aboboreiras, pelo contrário, desejaremos
produzir muitos frutos ligados à Videira Verdadeira, e Bicho nenhum dos
infernos poderá resistir à nossa vida de Oração e ao Plano da Salvação que o
Jonas do Livro tentou sabotar, mas que a Bondade e a Severidade de Deus fizeram
se cumprir no Mapa das nossas Vidas!
Agora é só Pescar & Apascentar, não como Jonas, nem como
Tiradentes, mas como Jesus! Não só preocupados com Números, mas com a
quantidade, qualidade e totalidade dos frutos do nosso penoso, mas incomparavelmente
prazeroso e recompensador trabalho que
só terá sua definitiva Conclusão no
nosso último e eterno destino.
Até a próxima embarcação... ou até lá na Marina Celestial!
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